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RESUMO DAS CONCLUSÕES

No processamento dos resultados da expedição conjunta levada a cabo pelo navio de investigação “Dr. Fridtjof Nansen” foi utilizada toda a informação existente, incluindo a de expedições anteriores. Neste relatório está por conseguinte resumido tudo o que até à data se apurou sobre os recursos marinhos da República Popular de Moçambique.

Recomendações para futuras investigações

As conclusões a que se chegou levam os autores a recomendar que, no sentido de aumentar este conhecimento sobre os recursos marinhos, se realizem investigações sobre os seguintes aspectos:

a) Recursos costeiros, incluindo os recifes de coral e os mangais;

b) Amostragem e controlo da exploração da fauna acompanhante do camarão;

c) Cruzeiros de reconhecimento do estado dos principais “stocks” localizados sobre a plataforma;

d) Pesca exploratória com gaiolas;

e) Investigações oceanográficas (principalmente sobre a plataforma).

No Quadro 15.1 apresentam-se os resultados do presente relatório. Todas as estimativas de abundância (“Maximum stock size”) assim como as do rendimento potencial (“maximum potential yield”) máximo devem ser tomadas mais como una primeira aproximação ou indicativo da ordem de grandeza, do que como cálculos muito precisos. Isto porque tanto os dados utilizados como os métodos de calculo empregues introduzem erros. É importante notar também que as estimativas de abundância se baseiam nos valores máximos observados. Por isso recomendase que qualquer aumento na exploração deve ter como alvo um valor menor que o rendimento máximo que aqui se apresenta, pelo menos ate que outras estimativas mais perfeitas possam ser calculadas.

Peixe demersal

O “stock” do Banco de S. Lázaro é constituido por espécies de grandes dimensões, com baixas taxas de crescimento. O rendimento anual é possivelmente da ordem das 1000 toneladas. A pesca deste recurso pode ser realizada com barcos pequenos de madeira, utilizando principalmente gaiolas e linha individual.

Nas áreas em que é possivel efectuar o arrasto, o rendimento potencial das espécies de fundo é da ordem das 50 mil toneladas por ano. As espécies dominantes são os peixes encarnados, corvinas, roncadores e peixe pedra e o peixe lagarto. As capturas actuais são provenientes não só da fauna acompanhante de camarão, como também dos arrastões soviéticos. Calculase que haja um aumento nas quantidades capturadas devido a maior esforço e melhor conhecimento das zonas de pesca. Um aumento notável da frota de camarão poderá levar as capturas a valores próximos do potencial máximo, pelo que os rendimentos em espécies demersais devem ser cuidadosamente seguidos.

Peixe pelágico

A espécie pelágica mais importante é a anchoveta de Buccaneer concentrada no banco de Sofala. Este peixe de 7-8 cm tem um ciclo de vida muito curto, pelo qual se estima que o rendimento máximo seja aproximadamente do mesmo valor do “stock”. E no entanto um recurso que sofre grandes flutuaçcões, e portanto o rendimento máximo apresentado - 300 mil tonelados por ano - só será atingido pressupondo condições óptimas de pesca. De momento a sua exploração é nula devido ao seu comportamento que difere das restantes espécies pelágicas no facto de não se concentrar perto do fundo durante o dia, nunca podendo capturares com redes de arrasto de fundo. E no entanto capturável com grande facilidade com rede de arrasto de superfície e provavelmente sê-lo-á também com rede de cerco.

Para os outros peixes pelágicos estimamos o rendimento máximo anual de cerca de 150 000 toneladas. A maior parte de captura é representada por carapaus (Decapterus spp.), sardinhas (Pellona spp.), anchova grande (Thryssa spp.) e patanas (Leiognathus spp.). No que respeita às espécies demersais a captura actual é proveniente da pescaria do camarão e dos barcos soviéticos. O manancial está muito pouco explorado e há possibilidades de se aumentar as capturas.

O grupo “grandes pelágicos” é constituido principalmente de atuns, serras e tubarões. Os dados disponíveis não dão sequer possibilidades de fazer uma estimativa da abundância destas espécies.

Os peixes serras estão distribuidos a profundidades inferiores a 50 metros; os tubarões são também frequentes para além destas profundidades. Por isso estas espécies podem ser um importante subproduto, numa pescaria de pequenas anchovas.

Peixes mesopelágicos

Neste grupo estão incluidos principalmente os peixes que habitam a parte mais profunda do Oceano durante o dia solar e migram para a superficie ao pôr do sol.

Estão distribuidos na maior parte dos Oceanos do Mundo e são especialmente abundantes no norte do Oceano Indico. Os cálculos da abundância foram levados a cabo para uma área desde a linha de costa até 30 milhas em direcção ao mar. Embora a estimativa de 1 milhão de toneladas pareça impressionante, este grupo parece não representar qualquer recurso significativo de imediato. A razão principal para tal é a falta de concentrações de interesse commercial. Alguma contribuição deste grupo poderá de certo modo ocorrer como subproduto das redes de arrasto de fundo a profundidades superiores a 200 metros.

Crustáceos

As estimatives para o camarão de águas pouco profundas foram tiradas de ULLTANG, BRINCA e SILVA (1979). Para posteriores comentários sobre este manancial, aconselha-se a consulta deste trabalho.

A estimativa para o camarão de águas profundas não inclue infelizmente o talude do Banco de Sofala. Este último é presentemente explorado pela frota espanhola a qual deve capturar alguns milhares de toneladas anualmente.

O manancial da lagosta está estimado em cerca de 1000 toneladas, que é provavelmente uma subestimativa. As estimativas de rendimento calculadas com base na pesca Sul Africana na área nos últimos anos da década 60e os primeiros da 70 sugerem que uma quantidade da mesma ordem de grandeza pode ser produzida. Estão em curso cruzeiros de pesca exploratória conjunta Moçambicano/Japonesa que deverá aumentar significativamente os dados básicos necessários para a sua avaliação.

O manancial de lagostim é considerado da ordem de algumas centenas de toneladas. Não existe qualquer pescaria específica para este crustáceo e as capturas são principalmente um subproduto da pesca de camarão de águas profundas. As possibilidades de sobreexploração deste manancial são pequenas devido ao hábito do lagostim de se enterrar no fundo.

A costa entre Cabo Delgado e Angoche está cercada por recifes de coral e por isto é inadequada para pescaria de arrasto. Investigações de outras áreas de recifes na região sugerem que uma produção anual potencial de 5 toneladas/km2 deve ser esperada. Isto provávelmente dará um rendimento potencial de mais ou menos 5-10 000 toneladas. Não há informação disponóvel sôbre a pescaria prevalecente na região, e por isso também as possibilidades de aumentar a pescaria.

Por pesca costeira entendemos a pesca a profundidades inferiores a 10 metros. Se uma produção anual de cerca de 2 ton./km² é razoável então esperase um rendimento potencial de 5 a 10 mil toneladas. A pesca da magumba é levada a cabo nas baias de Maputo e Beira. A captura total na Baía de Maputo foi de cerca de 900 toneladas em 1977. Para a Beíra assim como para as outras pescarias não há nenhuma informação disponival. Assim não é possivel estimar a captura total destas pescarias.


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