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Diretor-geral da FAO recebe "honoris causa" pela luta contra a fome

Fotos de António Azevedo
Diretor-geral da FAO recebe "honoris causa" pela luta contra a fome

30 de julho, Lisbon, Portugal - Acabar com a fome não é um quebra-cabeças. Nem sequer algo que demore muito tempo ou exija grandes investimentos. E há um exemplo disso: o Brasil, que com o programa Fome Zero diminuiu em grande escala o problema. O seu grande responsável foi o ex-presidente Lula da Silva, mas com ele trabalhou também José Graziano da Silva, atual Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que recebeu ontem no Instituto Superior de Agronomia o doutoramento honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa.

«São quatro décadas de combate à fome. E nestes anos todos o que percebi foi que com o que temos hoje poderíamos alimentar todos os cidadãos do mundo. Bastava que não houvesse desperdício e que a comida fosse canalizada para todos. O Brasil mostrou que isso era possível rapidamente e a baixo custo», disse José Graziano da Silva.

De facto, para este brasileiro nascido no Ilinóis (EUA) em 1949, filho de cientistas que investigavam a soja, há um ponto fulcral quando se fala de ajudar o próximo. «A diferença para se combater a fome depende da vontade política. É preciso que esta esteja na agenda, como se viu quando trabalhei com o Lula», afirmou.

O diretor-geral fez questão de sublinhar que a FAO «não dá dinheiro», mas «presta assistência técnica». Um dos exemplos aconteceu no Peru, país de onde a batata é originária. «Em 2009 houve uma crise do trigo e no Peru as importações, pois eles não cultivam este cereal, estavam a tornar-se incomportáveis para o orçamento do país. Apesar de serem o local de origem da batata, que foi descoberta na cordilheira dos Andes, esta não era consumida. Por isso promovemos o consumo do tubérculo para que ficassem menos dependentes do trigo», conta.

Não foi por acaso que José Graziano da Silva foi distinguido no Instituto Superior de Agronomia. Engenheiro Agrónomo de formação, diz ter nascido «entre a academia e os campos lavrados». Foi por isso com naturalidade que seguiu o curso, mas foi na «fazenda» do avô, no interior de São Paulo, que descobriu a fome dos camponeses.