FAO.org

Home > About FAO > Who we are > Diretor-Geral > Arquivo de discursos > detail
Declaración del Director General de la FAO José Graziano da Silva
 Conferir com o discurso proferido

20 de julho de 2014


Lançamento do Plano Nacional de Ação do Desafio Fome Zero em Timor-Leste
e da Campanha Juntos Contra a Fome a Cplp

 

Sua Excelência Sr. Kay Rala Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa e Segurança da República Democrática de Timor-Leste,

Sua Excelência Sr. Mariano Assanami Sabino, Ministro da Agricultura e da Pesca da República Democrática de Timor-Leste,

Sua Excelência Sr. José Pacheco, Ministro da Agricultura e da Pesca da República de Moçambique,

Drª. Noeleen Heyzer, Assessora Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Timor-Leste,

Excelências,

Senhoras e senhores,

Antes de mais nada, quero manifestar a minha satisfação por participar desse momento histórico na construção do Timor-Leste, onde tenho a oportunidade de estar pela primeira vez.

Uma das nações mais jovens do planeta, e a mais jovem da Ásia, o Timor-Leste anuncia hoje que vencer a fome e a insegurança alimentar é parte indissociável do alicerce que sustentará a sua soberania.   

Poucas nações nasceram com essa determinação de colocar a superação da fome e da pobreza no topo de suas prioridades. Combater a pobreza, a fome e a insegurança alimentar estão certamente no topo das maiores preocupações.

Trinta por cento dos quase 1 milhão e 200 mil de timorenses ainda sofrem de fome crônica. Metade de suas crianças padece de desnutrição.

Definitivamente, esse não é um quadro compatível com as justas aspirações desta nação por independência, desenvolvimento e equidade social.

Em um país onde 80 por cento da população pratica a agricultura de subsistência, há, porém, um grande potencial para vencer a adversidade produzindo alimentos em quantidade suficiente para todos.

Em 2010, essa jovem nação já havia formalizado o compromisso de erradicar a fome, a desnutrição e a pobreza, expresso na Declaração de Comoros por ocasião do Dia de Mundial da Alimentação daquele ano. 

Mas faltava um motor para que essa engrenagem começasse a funcionar. Estou convicto de que o Desafio Fome Zero, a ser implementado no país por meio do Plano de Ação Nacional, será uma estratégia eficaz nessa direção. 

O Desafio Fome Zero, como se sabe, foi inicialmente apresentado pelo Secretário-Geral Ban Ki-Moon em 2012, durante a Conferência  Rio+20 sobre Desenvolvimento Sustentável, como um chamado fundamental ao combate à fome no mundo.

Repito aqui o que disse naquela ocasião: não haverá  desenvolvimento sustentável enquanto 840 milhões ainda passam fome no planeta.

Hoje, com a apresentação do Plano de Ação Nacional, Timor Leste dá um grande passo para que esse objetivo seja concretizado.

Como parte de suas iniciativas regionais e da construção de seus objetivos estratégicos, a FAO tem o privilégio de participar ativamente dessa implementação.

O Plano de Ação Nacional foi formulado após consultas com diversos atores, sob a responsabilidade do Ministro da Agricultura e Pesca de Timor-Leste, do Presidente da KOSSANTIL e da equipe de coordenação técnica da FAO.

Erradicar a fome na vida de uma sociedade parece ser uma meta ambiciosa demais para ser alcançada. Mas não é.

Nesse contexto, tenho a satisfação de saudar o governo de Timor-Leste por renovar o compromisso estabelecido há quatro anos, com a decisão de reservar no mínimo 10% de seu orçamento anual para a plena implementação do Plano de Ação Nacional.

Mais que uma decisão política, trata-se de um inequívoco gesto de engajamento à causa.

Aliado a essa iniciativa, devemos reunir todos os esforços possíveis de coordenação para obter mais recursos junto a doadores internacionais.

A FAO, repito, tem imensa satisfação de compor a força-tarefa feita de representantes do governo, lideranças sociais, parceiros da sociedade civil e da iniciativa privado que, juntos, adicionarão nervos e musculatura à determinação do Timor-Leste de vencer a fome até 2025.

Com vontade política, mobilização social, otimização de recursos e um incansável esforço de governança, é possível fazer a diferença.

Senhoras e Senhores,

Não tenho dúvidas de que esse engajamento no Desafio Fome Zero indica a alta prioridade que o governo de Timor-Leste tem dado às questões da segurança alimentar e da nutrição.

Também estou certo de que, ao assumir pela primeira vez a Presidência pro-tempore da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Timor-Leste irá consagrar defintivamente a segurança alimentar e nutricional entre os temas da agenda permanente da CPLP.

Parte dessa minha certeza está no lançamento da nova etapa do Programa “Juntos contra Fome na CPLP”, que foi inaugurado em janeiro desse ano ainda sob a Presidência de Moçambique, com o endosso e a parceria da FAO.

O Programa pretende viabilizar iniciativas que implementem a Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP, adotada na Cimeira de Maputo, em 2012, materializando assim o direito humano à alimentação na vida dos seus povos.

Sobretudo, é importante lembrar que essa iniciativa se soma a outros compromissos regionais assumidos pela América Latina e Caribe, Ásia-Pacífico e África em prol da meta de erradicação da fome até 2025.

Trata-se de uma prioridade incontornável entre os países da comunidade lusófona:  mais de 10% de seus 250 milhões de habitantes sofrem com a insegurança alimentar.

Não tenho dúvida: o “Juntos contra a Fome na CPLP” será a alavanca de transformação dessa realidade.

Exorto a jovem nação do Timor-Leste a deixar a sua marca em nosso tempo.

A marca de um povo alegre, empreendedor e criativo, que se colocou o desafio de se construir enquanto nação, abraçado ao compromisso solidário --e desassombrado-- de erradicar a fome na mesa de sua gente. E de toda a humanidade.

Muito obrigado.