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Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana

Principais realizações por áreas temáticas

Os programas e projetos implementados no âmbito do ASTF tinham prioridades diferentes e a maioria abordava mais de uma área temática. Em especial, quatro amplas áreas temáticas receberam apoio:

  1. Agronegócio, cadeias de valor e emprego juvenil
  2. Apoios à resiliência e à subsistência
  3. Inocuidade dos alimentos, segurança alimentar e nutrição
  4. Empoderamento das mulheres

Nos últimos cinco anos, os resultados desses projetos demonstraram o papel vital do ASTF, um fundo liderado por países africanos que já beneficiou centenas de milhares de habitantes rurais, mulheres, jovens e crianças em todo o continente, por meio de diversas iniciativas que aumentaram a produtividade de forma sustentável, combateram as pragas e doenças, garantiram a segurança alimentar, a nutrição e a inocuidade alimentar, criaram empregos e o aumentaram a renda. O Fundo permitiu que a FAO desse assistência aos países africanos para lidar com questões agrícolas ligadas à segurança alimentar e nutricional, a gestão de recursos naturais e a mudança climática contemplando - ao mesmo tempo - o empoderamento das mulheres, o emprego rural, a resiliência e a subsistência. As iniciativas do ASTF também fortaleceram a capacitação e fomentaram a colaboração intra-africana na alimentação e na agricultura.

Transformando vidas em Uganda

Transformando vidas em Uganda

A área de Lira, em Acholi, no leste de Uganda, continua a enfrentar desafios específicos, tais como as consequências da guerra civil terminada em 2006. O ASTF apoiou atividades que aproveitaram a longa história de envolvimento da FAO nesse distrito, centrada em grupos de jovens.

Antes de se inscrever nas atividades e projetos do ASTF, os beneficiários não tinham nenhuma fonte de renda nem capital para investir em atividades agrícolas que não fossem de mera subsistência. Alguns jovens envolvidos no projeto são órfãos que estão na escola e precisavam de apoio. Um grupo de jovens uniu várias atividades para prover um fluxo regular de renda, incluindo aquicultura, criação de coelhos, produção de mudas de árvores e criação de aves. Inicialmente, os líderes desse grupo precisavam organizar viagens a Kampala para comprar alevinos e transportá-los de volta durante a noite; agora, porém, já se pode conseguir alevinos no próprio distrito, graças ao projeto.

Além do aspeto comercial, o projeto forneceu apoio direto aos 750 alunos da escola integrada do distrito de Lira. A alimentação escolar agora fornece peixe uma vez por semana a todas as crianças da escola, incluindo 150 das mais novas. Segundo os beneficiários, “o projeto ASTF ajudou a mudar a vida da comunidade; hoje as pessoas podem fazer as coisas de maneira diferente”. Segundo eles, “investir na aquicultura é melhor do que investir na mesma área de terra para produção agrícola ou criação de gado”.

Nesse distrito o programa também criou parcerias público-privadas para apoiar empresas privadas de pequena escala, com foco em empregos para os jovens. Uma delas é a fazenda New Harmony, que hoje serve como uma forma de empreendimento social. A fazenda é economicamente auto-sustentável mas tem objetivos sociais, trabalhando com jovens órfãos na sua formação profissional, independência e desenvolvimento de perspetivas de emprego juvenil.

Relato: Intervenções do Fundo Fiduciário da FAO para a Solidariedade Africana transformando vidas em Uganda

A Cooperação Sul-Sul (CSS) é uma expressão de solidariedade

A Cooperação Sul-Sul (CSS) é uma expressão de solidariedade

A Cooperação Sul-Sul (CSS) é uma expressão de solidariedade que promove o aprendizado e a cooperação bidirecional, baseada no princípio da igualdade e no desejo genuíno de desenvolvimento mútuo.

A Cooperação Sul-Sul fortaleceu o sentimento de autoconfiança, autodesenvolvimento e interdependência entre os países do Sul. Para fomentar esse autodesenvolvimento, o ASTF vem apoiando mecanismos de aprendizagem entre pares, incluindo visitas de estudo e intercâmbios, assim como a produção de informação e materiais de comunicação.

Uma das trocas de experiências entre pares, no âmbito da CSS, consistiu numa visita de estudos de etíopes a Gana. A visita de estudos concentrou-se na mecanização agrícola, incluindo tração animal, mecanização baseada em tratores, mecanização intermediária e equipamentos mecanizados pós-colheita.

Essa troca de experiências e as lições aprendidas ajudaram a Etiópia a elaborar e implementar sua estratégia de mecanização. Em troca, autoridades técnicas dos ministérios governamentais e da sociedade civil do Gana fizeram uma viagem de estudos à Etiópia, para aprender sobre o Sistema de Monitoramento e o Sistema de Avaliação e Relatórios, baseados na internet.

Da mesma forma, autoridades técnicas do Níger fizeram uma visita de intercâmbio à Tunísia para melhorar a conscientização, a nível nacional e regional, sobre as boas práticas necessárias para se criar um ambiente favorável à política de Segurança Alimentar e Nutrição (FSN).

As visitas de intercâmbio entre Ruanda e Uganda permitiram que 11 participantes de Ruanda aprendessem as boas práticas de irrigação em pequena escala utilizadas em Uganda.

Cerca de 30 participantes do Quénia, Uganda e Zâmbia visitaram o Zimbábue para compartilhar experiências em práticas agrícolas “inteligentes’’ em termos climáticos e ambientalmente inteligentes. Também foram organizados intercâmbios focados na cadeia de valor sustentável da mandioca, com visitas à República Democrática do Congo, Chade e Camarões feitas por 11 participantes de Camarões.

Uma visita de estudos ao Quénia organizada para 25 facilitadores das Escolas de Campo para Agricultores, vindos de 11 países da África Ocidental e Central, focou-se em aprender práticas de adaptação às mudanças climáticas realizadas em escolas de agropastoralismo.

Notícias: FAO, Gana e Etiópia se unem para melhorar a mecanização agrícola

O ASTF está empoderando as mulheres rurais

O ASTF está empoderando as mulheres rurais

Tradicionalmente, são as mulheres rurais que realizam grande parte do trabalho agrícola na África. As mulheres também estão assumindo um maior volume de trabalho agrícola, pois os homens costumam migrar para áreas urbanas em busca de empregos informais, visando gerar renda independente das atividades rurais.

O papel crescente que as essas pequenas sitiantes desempenham na agricultura familiar oferece uma oportunidade importante para exercer um impacto positivo na produção de alimentos e na segurança alimentar, nas atuais circunstâncias de mudança climática. Estima-se que se as mulheres rurais tivessem o mesmo acesso aos recursos agrícolas que os homens têm, a produtividade das safras poderia aumentar em 20 a 30% e o número total de pessoas famintas em todo o mundo poderia ser reduzido em 12 a 17%. Vemos assim que empoderar as mulheres rurais é um passo fundamental para realizar as aspirações da África em termos de segurança alimentar e nutricional.

As atividades do programa ASTF consistiram em replicar abordagens participativas de êxito da FAO, usando como ponto de partida o modelo dos Clubes Dimitra, que busca promover a capacitação socioeconômica das mulheres e dos homens rurais e consolidar a resiliência dos seus meios de subsistência.

A abordagem dos Clubes Dimitra foi empregue devido aos seus bons resultados em projetos anteriores, incluindo mudanças comportamentais, melhor segurança alimentar e nutricional, melhor acesso às informações e oportunidades e, ainda, a participação das mulheres na liderança e na tomada de decisões.

O programa instilou o uso de abordagens participativas sensíveis ao gênero, a fim de contribuir para um acesso mais equitativo e a um maior controle sobre os recursos e à igualdade de gênero, através do funcionamento dos clubes e da formação dispensada. Espera-se também que o programa exerça um impacto ao nível do agregado familiar, por meio de uma distribuição de renda mais equitativa e maior igualdade nos papéis de gênero dentro da família. Espera-se, ainda, que haja impactos ao nível da comunidade por meio dos efeitos indiretos do programa.

Notícias: A Conferência Regional da FAO para África reforça o Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana (ASTF)

Piscicultura inteligente na Guiné-Bissau

Piscicultura inteligente na Guiné-Bissau

Na aldeia de Pitche, no leste da Guiné-Bissau, o projeto introduziu criação de peixes com gaiolas flutuantes e o cultivo de mandioca, visando atrair jovens desempregados para se aventurarem no agronegócio. Até então os moradores locais só praticavam a pesca de subsistência, nenhum deles havia tentado a aquicultura. Foi projetado um modelo especial de negócio, com agricultores chamados "centrais", proprietários de terras, que passaram a colaborar com jovens agricultores "satélites".

A FAO forneceu todos os insumos para a piscicultura – materiais de construção, redes e ferramentas, assim como os alevinos e a ração para peixes. As gaiolas foram projetadas para serem colocadas em um rio ou estuário e cheias de alevinos de tilápia do Senegal, divididos em duas espécies segundo seus habitats naturais. Os jovens selecionados foram treinados por consultores do Senegal, aprendendo a montar as gaiolas, ancorá-las, conservá-las e registrar o crescimento dos peixes.

Os jovens passaram então a agir por conta própria, alimentando os peixes e dando manutenção às gaiolas. Chegou então o dia da primeira grande colheita. A mandioca teve um bom desempenho, dando safras de uma a quatro toneladas – um grande sucesso para os produtores. Um belo dia, metade da população do povoado veio até a margem do rio para assistir a coleta dos peixes. Muitos expressaram sua apreciação pelo papel da FAO no projeto de criação de peixes e cultivo de mandioca. No meio das conversas sobre peixes, porém, uma senhora idosa disse que a FAO, com os projetos de mandioca e peixes, havia conseguido parar a migração no povoado. Foi um momento de reflexão profunda e uma grande revelação para a equipe do projeto.

Durante cada ciclo os jovens cultivam cerca de 90 mil peixes, ou seja, cerca de 22,5 toneladas de peixe. Por ano, isso equivale a cerca de 45 toneladas. As iniciativas de piscicultura e cultivo da mandioca levaram as pessoas a ver a vida em seu povoado de uma maneira diferente. Aqueles que vinham sonhando em “fugir” dali começaram a perceber as vantagens de permanecer. “Quando o projeto começou, desisti da ideia de sair daqui. Alguns amigos nossos que tentaram, em vão, migrar para a Europa agora voltaram e aderiram ao projeto”, disse Abbas Embalo, que participa da iniciativa de cultivo da mandioca. Os jovens piscicultores estão empenhados em continuar ampliando seus conhecimentos, aprendendo com a experiência e economizando dinheiro para ampliar suas criações de peixes.

História: Gaiolas flutuantes, tesouros escondidos: piscicultura inteligente na Guiné-Bissau

Promoção da agricultura urbana e periurbana na África Central

Promoção da agricultura urbana e periurbana na África Central

Madzou é agricultor e presidente da cooperativa Agri Espoir, do distrito de Mingara, no Gabão. Ele planta berinjela, quiabo, pimenta, salsa, aipo, cebolinha, alface e sustenta 11 dependentes com os produtos da sua atividade. Em 2014, Madzou tornou-se beneficiário do programa sub-regional apoiado pelo ASTF. Aprendeu novas técnicas, tais como rotação de culturas, espaçamento e alinhamento das plantas, controle de doenças e pragas. Madzou apreciou o fornecimento de equipamentos agrícolas, sementes, pesticidas e fertilizantes, e agradece especialmente à FAO pela formação oferecida.

Todos os produtos são vendidos no mercado local de Potos, em Franceville. Apesar da concorrência, ele consegue vender toda a sua produção e estabeleceu relações comerciais com muitos revendedores. Com o projeto, Madzou calcula que seus ganhos financeiros triplicaram; ele conseguiu comprar um terreno e materiais para construir uma casa, que pretende alugar para diversificar suas fontes de renda. O aumento da renda permite a Madzou atender às necessidades de seus seis filhos, dois sobrinhos e um neto.

O desenvolvimento da horticultura urbana e periurbana na África Central 2014-2017 (somente em francês)

Piscicultura no Quénia

Piscicultura no Quénia

Joyce Makaka é de Lurambi, condado de Kakamega, no oeste do Quénia, uma região onde a terra é tradicionalmente controlada pelos homens. Quando seu marido faleceu, em 2014, Joyce teve que superar muitos desafios para desenvolver uma nova atividade, agora próspera, de cultivo de tilápias e bagres. Por meio do ASTF, a FAO oferece treinamento e apoio para melhorar a produção em todas as etapas da cadeia de valor da aquicultura (por exemplo, incubadoras de peixes, criação em cativeiro, recria e comercialização).

Joyce recebeu treinamento em sua fazenda de criação de peixes e aprendeu as técnicas de produção de bagres e tilápias. Para Joyce, o apoio do ASTF foi extremamente importante, mas ela diz que “acima de tudo, o programa me deu moral, me deu a confiança de que sou capaz de fazer”. Os negócios de piscicultura de Joyce tiveram sucesso graças á formação que ela recebeu; não só isso, ela também está criando oportunidades de emprego para vários jovens<s>, </s>que trabalham na construção de tanques e incubadoras.

Vídeo: Joyce - Uma empresária da piscicultura no Quénia

Apoiando jovens empreendedores rurais na África

Apoiando jovens empreendedores rurais na África

O projeto do ASTF distribuiu galinhas poedeiras a beneficiários nos distritos de Bugesera, Gakenke, Gisagara e Ruhango, em Ruanda, visando diversificar a agricultura, reduzir a pobreza e melhorar a nutrição na região rural do país. O projeto está apoiando diretamente 225 beneficiários, incluindo jovens moradores rurais desempregados.

Eric Hakizimana, morador do distrito de Bugesera, é um dos beneficiários do projeto. Eric passou um ano sem trabalho, depois de concluir um curso de Ciência da Computação e Gestão. Após fazer a formação do projeto em administração de negócios e criação de aves, em dezembro de 2015 ele recebeu 330 pintinhos de galinhas poedeiras e um aviário bem construído, com alimentos. Quando as galinhas começaram a botar ovos, ele passou a ganhar mensalmente 150 mil RWF (francos de Ruanda).

Quando as galinhas pararam de botar ovos ele as vendeu ganhando 700 mil RWF, quantia que depois usou para reabastecer sua fazenda com 630 aves. Hakizimana disse: “Eu reabasteci a fazenda em janeiro deste ano. Após 5 meses, agora vendo ovos no valor de 400 mil RWF por mês e espero ampliar minha criação para 10 mil aves até 2021”.

Jeanne Aurore Umuhoza outra beneficiária do projeto no distrito de Gisagara, também recebeu apoio. Ela agora tem 627 galinhas poedeiras que botam 3.150 ovos por semana, gerando pelo menos 130 mil RWF por mês. Ela agora emprega dois jovens ajudantes e espera empregar outros quando ampliar seus negócios. Jeanne diz: “Pretendo comprar uma incubadora e parar de importar os pintinhos. Quero ter pelo menos 5 mil galinhas poedeiras até o final deste ano.”

Projeto: Promovendo a Diversificação Agrícola para Reduzir a Pobreza, Combater a Malnutrição e Aumentar as Oportunidades de Emprego Juvenil na África Oriental

Fortalecimento das competências para aplicar medidas sanitárias na África Austral

Fortalecimento das competências para aplicar medidas sanitárias na África Austral

A região da África Austral carece de capacitação para monitorar pragas e doenças transfronteiriças e para cumprir suas obrigações nacionais segundo o Acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, na sigla em inglês).

O programa do ASTF realizou pesquisas de base e avaliações sobre a capacitação para SPS nos países alvo, a fim de identificar lacunas e restrições em cinco setores técnicos para a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, a saber: saúde vegetal, saúde animal, inocuidade alimentar, piscicultura e silvicultura. Foi desenvolvida a capacidade de aplicação das medidas SPS, visando as necessidades prioritárias identificadas nas pesquisas e avaliações de base. Em média, mais de 25 técnicos foram formados em cada país em vários aspetos das medidas SPS, abordando a saúde vegetal, saúde animal e inocuidade alimentar. Devido à melhoria das habilidades de vigilância sanitária, foram criados programas de vigilância direcionada em vários países da região.

O resultado foi um aperfeiçoamento no quadro regulatório de modo a melhorar a comunicação e a coordenação a nível nacional e regional. Tudo isso gerou grande melhora na implementação do acordo OMC-SPS, que define de que modo os governos podem aplicar medidas de inocuidade alimentar, de saúde animal e vegetal em seus países.

O programa também contribuiu significativamente para permitir que os países da região respondam prontamente aos surtos de pragas transfronteiriças, fortalecendo a capacidade de vigilância, relatando - obrigatoriamente - as ocorrências de pragas transfronteiriças e conscientizando os governos sobre o surgimento de problemas com pragas.

Notícias: O projeto do ASTF aborda segurança alimentar e restrições comerciais na África Austral

Projetos

Com uma dotação inicial de US$ 40 milhões da Guiné Equatorial, Angola e contribuições simbólicas de organizações da sociedade civil, o ASTF permite à FAO auxiliar os países africanos a lidar com questões agrícolas relacionadas à paz, segurança alimentar e nutricional, emprego, meio ambiente e mudanças climáticas, gerando simultaneamente um impacto positivo no nível local.

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