Produção animal com responsabilidade ambiental Dr. Zélia Maria de Souza Castilhos |
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Os estudos concentram-se na região da Campanha e Fronteira Oeste do RS. Em uma área de pastagem natural, na Fepagro Campanha, localizada no município de Hulha Negra, cujo solo é um Chernossolo Argilúvico Órtico Vértico, foi avaliado o desempenho animal e da pastagem, bem como a composição florística, em diferentes ofertas de forragem. Com o aumento da carga animal houve uma redução no ganho médio diário (GMD) e um aumento no ganho por área, o contrário ocorreu com cargas menores. O menor ganho médio diário anual, por animal (0,240 kg) e o maior ganho por área (185 kg de peso vivo/ha/ano) foram obtidos com a menor oferta de forragem (4%= 4 kg de matéria verde seca de forragem para cada 100 kg de peso vivo animal), resultante de uma alta carga animal (485 kg de peso vivo/ha = 1,08 Unidades Animais/ha (UA)). Por outro lado, com baixa carga animal (293 kg de peso vivo/ha = 0,65 UA), oferta de forragem de 12%, o GMD foi de 0,349 kg e o ganho por área de 165 kg de peso vivo/ha/ano. Com baixa oferta de forragem o ano inteiro, ou seja, alta carga animal, os animais levaram mais tempo para atingirem a idade de abate, enquanto que os manejados em áreas com baixa carga animal, foram abatidos com 38 meses de idade. Tem-se observado uma redução de leguminosas e de gramíneas C3, em áreas com alta carga animal, predominando apenas espécies estoloníferas, como Paspalum notatum e Axonopus affinis. As tecnologias geradas pela pesquisa foram validadas em uma área de propriedade de um pecuarista familiar, no subdistrito do Durasnal, no município de Alegrete, situada na região ecoclimática da Campanha. O solo é de origem arenítica, considerado frágil, pois quando mal utilizado pode intensificar o processo de arenização. O projeto consistiu de um sistema de produção, de recria e terminação de novilhos, em pastagem natural, com oferta de forragem de 12%. No verão e primavera ocorreram os maiores ganhos médios diários por animal, os quais foram de 0,671 e 0,870 kg, com carga animal de 241 kg PV/ha (0,54 UA/ha) e 275 kg PV/ha (0,61 UA/ha), respectivamente. A produtividade animal anual foi de 171 kg PV/ha. Constatou-se variação na carga animal, conforme a estação do ano. A capacidade de suporte da pastagem foi menor no outono (238 kg PV/ha = 0,53 UA/ha) e inverno (141 kg PV/ha = 0,31 UA/ha). Por ocorrerem menores ganhos e maiores perdas de peso no outono e inverno, foi incluído no sistema, o diferimento e o melhoramento da pastagem natural. O diferimento, além de permitir a sementação das espécies nativas, propiciou reserva de forragem para ser utilizada no outono. Na área melhorada, pela sobressemeadura de espécies cultivadas hibernais, utilizada durante o inverno, o ganho médio diário foi de 1,250 kg de peso vivo/animal/dia, com uma carga animal de 498 kg de peso vivo/ha. Os animais que passaram no sistema pastagem natural, no verão, natural diferida, no outono e natural melhorada, no inverno, foram abatidos aos 36 meses de idade, com peso vivo médio de 544 kg. Constatou-se a necessidade de reduzir em 50% a carga animal, utilizada na propriedade, a fim de diminuir a idade de abate, preservar as espécies da pastagem natural, bem como evitar o processo de arenização. Pelos resultados apresentados, podemos afirmar que estes não corroboram com as atuais políticas públicas no que diz respeito às pastagens naturais, pois o índice de lotação de uma unidade animal por hectare (450 kg de peso vivo/ha), exigido para a região onde os trabalhos foram desenvolvidos, é muito elevado, inviabilizando uma produção sustentável. A Fepagro sugere:
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