Optimization of agricultural production while protecting natural ecosystems: the case of southern Brazil

Prof. Carlos Nabinger
Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia/UFRGS


O DPFA, juntamente com outros departamentos da UFRGS e demais instituições regionais de pesquisa, há várias décadas tem se preocupado em compreender as bases de funcionamento dos campos naturais do sul do Brasil, o Bioma Campos Sulinos. Inicialmente preocupados com a identificação e classificação das espécies vegetais que o compõem, foi possível descrever fisionomicamente as diferentes formações campestres que compões este ecossistema, e conhecer a enorme diversidade florística existente (mais de 3000 espécies fanerógamas), a qual representa um banco de germoplasma sem par no mundo e de uma riqueza ainda não bem aquilatada. Numa segunda etapa, buscou-se conhecer o real potencial produtivo (tanto da produção primária como secundária) através de experimentos em que se avaliam os efeitos da pressão exercida por diferentes cargas animais, relacionadas com a disponibilidade de forragem. Estes trabalhos permitiram vislumbrar patamares de produtividade até então desconhecidos e muito acima da realidade média praticada nos sistemas de produção em prática, e sem adição de qualquer insumo, ou seja, apenas através do adequado ajuste da carga animal. Mais recentemente, adotando uma abordagem mais holística, tem tratado de integrar diferentes áreas do conhecimento de modo a obter uma visão mais completa dos efeitos desta prática de manejo sobre os diferentes componentes do ecossistema. Neste sentido, foi possível entender os efeitos da pressão de pastejo sobre a dinâmica da sucessão vegetal, embasados não só no acompanhamento da composição florística, mas também justificado através de estudos de morfogênese e fluxo de tecidos dos principais constituintes da flora. Igualmente, tem sido realizado o acompanhamento do fluxo de energia (interceptação da radiação solar e fixação de carbono) e do fluxo de nutrientes e água no solo, em resposta aos mesmos tratamentos de carga animal. Estas ações conjuntas permitiram vislumbrar que, nos mesmos níveis de carga que permitem otimizar a produção comercializável (produto animal) também se observa maior biodiversidade geral (vegetal, fauna superior, meso e micro-fauna), concorrendo para a maior sustentabilidade do sistema. Estas cargas otimizadas, em termos de produtividade animal e vegetal e da sustentabilidade do sistema, são, de modo geral, mais baixas do que as praticadas pela maioria dos produtores e, obrigatoriamente, necessitam variar no tempo (entre anos e estações do ano) e no espaço (território) em função da variabilidade das condições edafoclimáticas. No entanto, esta produtividade de produto comercializável, embora muitas vezes acima das médias regionais, é relativamente baixa dentro de um contexto produtivista, e este parece ser o maior dilema atual: produzir mais a qualquer preço incluindo o risco ao ambiente ou buscar trabalhar dentro dos limites estabelecidos por este mesmo meio ambiente? Este tipo de definição ou de foco representa uma necessidade premente, tendo em vista os importantes papéis que este Bioma desempenha na preservação geral do ambiente (água, solo, flora e fauna) e da acelerada degradação e substituição das áreas ainda existentes por outras atividades agrícolas ou não. Conhecer adequadamente os limites de manipulação/exploração do ecossistema implica em: (1) melhor direcionamento de recursos da pesquisa que deve manter seu analítico sem perder de vista a abordagem holística e incluindo o homem neste contexto; (2) estabelecimento de regras de ocupação/exploração dos territórios, com base no conhecimento adquirido e a ser adquirido e, (3) implantação de políticas de valorização deste papel do produtor como “guarda” do ambiente, e o desenvolvimento paralelo de estratégias de agregação de valor ao produto oriundo deste ecossistema preservado. Finalmente, integrar o homem rural neste contexto, como tomador de decisões para o uso adequado do recurso é imprescindível e, ações neste sentido são obrigatórias. Somente assim será possível atender as necessidades sociais com base sustentável, preservando também um importante constituinte da cultura regional.