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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Uma nova aliança para a eliminação da pobreza rural na América Latina

FAO e FIDA encabeçam uma aliança que reúne os principais especialistas regionais de desenvolvimento rural para criar soluções para os problemas da pobreza no campo

“O que queremos com esta Aliança é poder dar um melhor apoio àqueles que têm de projetar e implementar políticas públicas que eliminem a pobreza rural." Julio Berdegué.

30 de agosto de 2017, Santiago, Chile -A redução da pobreza rural está parada na América Latina nos últimos anos. Inclusive sofreu retrocesso em alguns países da região, como Guatemala, México e Costa Rica, sinaliza a FAO.

Apesar do crescimento econômico da região e dos esforços dos governos, hoje, quase a metade dos habitantes rurais da América Latina são pobres e cerca de um terço é indigente.

“As estratégias do crescimento econômico da região foram criadas no século passado e estão baseadas em suposições que já não são mais válidas. Precisamos de soluções do século XXI para este problema”, explicou o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué.   

Para mudar esta situação, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) criaram a Aliança para eliminação da pobreza rural na América Latina.

Esta Aliança é formada pelos principais especialistas latino-americanos de desenvolvimento rural e a missão principal é propor soluções inovadoras que tenham um impacto concreto na vida de milhões de pessoas.

A Aliança foi constituída formalmente durante um evento que reuniu 25 especialistas e foi realizado no Escritório Regional da FAO, em Santiago, no Chile, nos dias 28 e 29 de agosto.

Sem reduzir as desigualdades não tem como eliminar a pobreza

“É mais fácil subir os primeiros mil metros de uma montanha, que os últimos cem até o topo”, disse Julio Berdegué para explicar que as políticas que se requerem hoje não são as mesmas que permitiram reduzir a pobreza da região nos últimos quinze anos.

Segundo a FAO, os que mais sofrem são os mais pobres entre os mais pobres: a indigência rural baixou menos de um ponto percentual entre 2012 e 2014, e se mantém em 27%.

“Os pobres rurais estão em áreas periféricas onde para os governos e para as organizações é mais difícil chegar. E existem outros tipos de problemas, como os de gênero, de exclusão de indígenas e afrodescendentes, onde os desafios são ainda maiores”, explicou Lauren Phillips, especialista da FIDA em políticas públicas. (ver vídeo)

Sem reduzir as desigualdades não tem como eliminar a pobreza. Essa foi a conclusão geral dos especialistas da Aliança sobre este tema.

Soluções para cada país

A Aliança criará uma proposta regional que será apresentada aos governos da América Latina e trabalhará com países pilotos para criar formas de intervenção cuidadosamente desenhadas com as realidades nacionais e territoriais de cada país.

Neste sentido, a Aliança será um bem público regional que todos os países terão acesso para melhorar suas estratégias de luta contra a pobreza.

“O processo de redução da pobreza está subindo e precisamos de uma estratégia cada vez mais polida para continuar avançando”, disse José Molinas, Ministro Secretário Executivo da Secretaria Técnica de Planejamento do Desenvolvimento Econômico e Social do Paraguai.

Arnoldo de Campos, ex-Secretário de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Social do Brasil, destacou que não se trata somente de criar novos programas e políticas: “O desafio maior é integrá-los, fazer que o conjunto busque os mesmos objetivos”. (ver vídeo)

Um novo senso comum

O programa de trabalho da Aliança busca gerar um novo senso comum, regional e compartilhado, sobre as melhores maneiras de erradicar os núcleos duros da pobreza rural, que resistiram às abordagens anteriores. 

“Devemos ir além da tecnologia agrícola e do acesso à terra e pensar sobre a transformação dos sistemas de produção. O objetivo fundamental é permitir que as pessoas façam uso produtivo do seu tempo durante todo o ano, e não depender somente dos ciclos agrícolas”, explicou Alain de Janvry, da Universidade da Califórnia. (ver vídeo)

Segundo o Representante Regional da FAO, é necessário incorporar uma perspectiva mais ampla da pobreza que vai além da renda: “Temos que ampliar a proteção social e sua articulação com as estratégias de inclusão econômica”.

O Diretor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Chile, Octavio Sotomayor, destacou que “estamos enfrentando um novo cenário: existem menos recursos fiscais em todos os países. Isso nos obriga a sermos muito mais criativos”.

Os membros da Aliança salientaram que a prioridade será chegar aos governos com ideias concretas que podem melhorar as capacidades dos países para acabar com a pobreza rural, não em um nível teórico, mas prático.

“O que queremos com esta Aliança é poder dar um melhor apoio àqueles que têm de projetar e implementar políticas públicas que eliminem a pobreza rural. Trata-se de reunir muitas das melhores capacidades que temos na região ao serviço dos tomadores de decisões que tenham interesse sério em acabar com a pobreza rural”, concluiu Berdegué.

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