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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

"Deve-se acabar com a inequidade estrutural das zonas rurais da América Latina para avançar em direção a um futuro melhor"

Representante Regional da FAO fez chamado para fomentar o comércio agroalimentar inclusivo e reduzir as desigualdades no marco da 11a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"O comércio socialmente inclusivo deve ser norma, o padrão a que aspiramos", diz Berdegué.

13 de dezembro de 2017, Buenos Aires, Argentina –A persistente desigualdade continua atuando como um poderoso entrave ao desenvolvimento da América Latina e o Caribe em geral, e de suas áreas rurais em particular, apontou hoje o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué, no Simpósio sobre Comércio e Desenvolvimento Sustentável. 

O simpósio é levado a cabo no marco da 11a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Buenos Aires, Argentina. 

Berdegué interveio na sessão dedicada aos Desafios Latino-americanos na nova economia global, e deu enfoque à inequidade que caracteriza a região. 

“Nossa persistente e extensa desigualdade reduz o crescimento económico, reduz o impacto desse crescimento na pobreza, debilita nossas democracias e o estado de direito, erode nossas instituições formais e impede que milhões de pessoas expressem todo seu potencial”, disse Berdegué, quem interveio e nome do Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva. 

Berdegué destacou a importância de avançar em direção a um comércio agroalimentar que gere oportunidades para os setores da população que têm sido deixados para trás pelo modelo atual de desenvolvimento. 

“O comércio socialmente inclusivo deve ser norma, o padrão a que aspiramos. A não ser que assumamos isso, explicitamente, cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nas zonas rurais será uma luta ladeira acima”, observou Berdegué. 

Comércio agrícola: benefícios para todos

O Representante da FAO destacou que os países que hoje são protagonistas do comércio agroalimentar, como Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, mantêm altos níveis de desigualdade em suas zonas rurais. 

“Em todos esses países, a renda rural tem apresentado um aumento significativo, em parte graças ao comércio agroalimentar, embora o índice rural de Gini apenas tenha oscilado, o que significa que poucas pessoas estão concentrando a maioria dos benefícios”, explicou Berdegué. 

O Representante destacou que México e Peru são líderes em termos de suas exportações com valor agregado agrícola, mas também são líderes na desigualdade econômica rural. 

“Há exemplos de comércio agroalimentar que têm sido uma força positiva não somente em termos econômicos, mas também na criação de mais oportunidades para os setores que foram deixados para trás durante não décadas, mas séculos. Sem embargo, até agora, estes exemplos são escassos, talvez a exceção seja a norma”, ressaltou Berdegué.

Inequidades étnicas e de gênero 

A desigualdade étnica foi outro aspecto que o Representante Regional identificou como outro grande desafio para a região, destacando que em torno de 45 milhões de cidadãos indígenas sofrem desnutrição crônica. 

O Representante da FAO destacou que no México há 2,4 indivíduos que padecem de desnutrição crônica por cada pessoa não indígena, valor que na Guatemala é de 1,4, em Honduras é de 1,7 e no Panamá é de 3,2. 

A desigualdade de gênero nas áreas rurais também é generalizada. “No Chile há 137 mulheres rurais que vivem na pobreza, por cada 100 homens, No Uruguai, 143. Na Costa Rica, 126. Três países profundamente comprometidos com os mercados agroalimentares mundiais, mas onde as mulheres rurais parecem se beneficiar muito menos do que os homens rurais das oportunidades comerciais. 

Desigualdades territoriais: nós versus eles 

Segundo Berdegué, as desigualdades territoriais são outra expressão dos desequilíbrios estruturais que afetam a região. 

“Na nossa região se fala do México Central e do Norte contra o Sul, no Peru se fala da costa e das terras altas, na Colômbia é Bogotá versus as regiões do Caribe; tudo isso denota a falta de integração entre nossos territórios, e uma mentalidade deles contra nós que tem que mudar para avançarmos rumo a um futuro melhor”, explicou Berdegué. 

O Representante da FAO explicou que essas situações se mantêm visto que existem estruturas e instituições profundamente enraizadas que reproduzem as desigualdades atuais. 

“Erodir o poder destas estruturas e instituições e promover mudanças rumo à formas mais justas de expressão territorial não é uma tarefa simples, mas é possível e é de responsabilidade de nossa geração”, salientou Berdegué. 

Comércio agrícola e mudança do clima; emprego rural e redução da pobreza

 A FAO liderou dois eventos do Simpósio sobre Comércio e Desenvolvimento Sustentável, organizado pelo Centro internacional para o Comercio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD). O primeiro esteve centrado nos desafios do comércio agroalimentar diante das mudanças climáticas.

 “O comércio pode ajudar os países a se adaptarem às interrupções no fornecimento de alimentos que podem resultar das mudanças do clima. Em outras palavras, o comércio pode ser visto como uma das adaptações necessárias para enfrentar as mudanças climáticas, compensando as transformações na região com aumento de produtividade”, explicou Katia Krivonos, economista da FAO. 

O segundo evento analisou experiências de comércio agrícola, emprego e redução da pobreza na região.

Sobre tal, a FAO destacou a importância das políticas de proteção social e necessidade urgente de melhorar os mercados de trabalho rurais e a necessidade de recuperar o ritmo de redução da pobreza rural na região, que estancou nos últimos anos. 

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