Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Conferência Regional da FAO começou com a participação histórica dos seus 33 países membros

É a conferência mais concorrida na história da FAO na América Latina e no Caribe em termos de países participantes, segundo destacou o Representante Regional da FAO.

Em termos de participação, esta é a conferência mais assistida nos quarenta anos da história de FAO", diz o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué.

6 de março de 2018, Montego Bay, Jamaica - A Conferência Regional para a América Latina e o Caribe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) começou ontem (5) em Montego Bay, Jamaica, com um nível de participação inédito.

"Em termos de participação, esta é a conferência mais assistida nos quarenta anos da história da FAO na América Latina e no Caribe", disse o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué, observando que, pela primeira vez, os 33 países membros da FAO enviaram delegações.

"Contamos com 37 ministros e vice-ministros; a vice-presidente da República Dominicana e 8 embaixadores. Além disso, estão presentes 35 representantes de alto nível das delegações ministeriais e 50 observadores não governamentais, da sociedade civil, do setor privado e da academia ", afirmou Berdegué.

O Representante Regional estimou que a participação total será de aproximadamente 250 pessoas, o dobro do número médio das conferências passadas, e inclui 50 observadores, entre eles outras agências das Nações Unidas.

"Isso demonstra pelo menos duas coisas: a preocupação dos países em relação ao fato inédito, não visto em duas décadas, do aumento da fome, da obesidade e da pobreza rural, e também é um reconhecimento do trabalho que a FAO vem fazendo junto aos países nos últimos dois anos ", explicou Berdegué.

A este respeito, o Representante da organização internacional pediu aos países membros da FAO um mandato político claro para que a Organização possa concentrar seus esforços e recursos em iniciativas que tenham um impacto em grande escala, devido ao número de pessoas que sofrem de fome na região ter aumentado em 2,4 milhões entre 2015 e 2016, atingindo um total de 42,5 milhões.

Outra característica inédita desta Conferência é a participação de observadores do setor privado, que se somam à sociedade civil e à academia.

"Estamos muito satisfeitos por ter o setor privado sentado à mesa para discutir. Eles nos dizem que querem fazer parte da solução para os problemas da má nutrição e da obesidade. Esta boa intenção tem que ser traduzida em ações concretas. Precisamos de mudanças nas grandes empresas de alimentos para vencer a epidemia de obesidade, da mesma maneira que precisamos de melhores políticas públicas ", afirmou Berdegué.

Recuperar o caminho para zero fome

Julio Berdegué lamentou o aumento da fome regional, que vinha diminuindo rapidamente, mas enfatizou que "pode ser feito de novo se for prioridade política necessária".

"A América Latina e o Caribe já demonstraram que podem reduzir a fome. Cumpriu esse Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. É algo que já fizemos, e muito bem. Mas acreditamos que a tarefa já estava cumprida, no entanto, os números estão nos dizendo que não. "

Berdegué disse que espera que esta Conferência marque um antes e um depois nesta tarefa: "Queremos que os países saiam daqui dizendo ´não podemos negligenciar a luta contra a fome e a pobreza extrema, porque se não cuidarmos, vamos retroceder´".

Na reunião, que vai até 8 de março, também será analisado o aumento alarmante da obesidade, que se tornou uma epidemia em toda a América Latina e o Caribe.

Os países também discutirão o desenvolvimento rural, a promoção da agricultura familiar, os desafios e as oportunidades da migração e as políticas necessárias para melhorar a segurança alimentar das mulheres e dos povos indígenas.

O terceiro grande tema da Conferência Regional é a mudança do clima: Berdegué ressaltou a importância de todos os países da região terem acesso a novas fontes de financiamento, já que se estima que a América Latina e o Caribe necessitam de cerca de USD 100 bilhões extra até 2050 para poder enfrentar o problema.

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