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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

América Latina e o Caribe alcançam o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio relacionado à fome

A proporção de pessoas que sofre subalimentação na região reduziu-se de 15,3% em 1990/92 para 6,1% no período 2012/14

América Latina e Caribe é a região que tem mostrado o maior progresso na redução da fome, diminuindo a sua prevalência em quase dois terços desde o início de 1990

Santiago do Chile, 17 de setembro de 2014 – A América Latina e o Caribe deram um grande passo ao alcançar a meta relacionada à fome do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), um ano antes da data limite fixada pela comunidade internacional, anunciaram FAO, PMA e FIDA.

Segundo o informe O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2014 (SOFI, sigla em inglês) a proporção de pessoas que sofre subalimentação na região reduziu-se de 15,3% em 1990/92 para 6,1% em 2012/14.

O número total de pessoal que vivem com fome na região também baixou, de 68,5 milhões em 1990/92 para 37 milhões em 2012, o que significa que em pouco mais de duas décadas, 31,5 milhões de homens, mulheres e crianças superaram a subalimentação, o que faz com que a meta da Cúpula Mundial da Alimentação (CMA) – que busca reduzir pela metade o número total de pessoas que sofrem de fome – esteja ao alcance.

O informe foi publicado de forma conjunta pela FAO, FIDA e PMA, no qual José Graziano da Silva, Kanayo F. Nwanze e Ertharin Cousin, em Roma, destacaram de maneira especial as conquistas da região no prefácio: “América Latina e Caribe é a região que tem mostrado o maior progresso na redução da fome, diminuindo a sua prevalência em quase dois terços desde o início de 1990. Já alcançou a meta da fome os ODM e está muito perto de alcançar a meta da CMA".

Frutos do compromisso político

Os chefes das agências disseram que: “os esforços liderados pelos governos, combinando apoio à produção e proteção social, têm sido apoiados por um compromisso muito mais amplo: as sociedades decidiram acabar coma  fome; os parlamentos estão assumindo esta responsabilidade, e os esforços nacionais têm sido fortalecidos por um grande compromisso da região em seu conjunto, que se converteu na primeira região a se comprometer com o objetivo de fome zero com a adoção da Iniciativa América Latina e Caribe Sem Fome 2025, há quase 10 anos, um compromisso reafirmado pelos líderes da região nas últimas cúpulas da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, CELAC”.

Esta grande compromisso político é o que distingue a situação da América Latina e o Caribe e é replicado em todos os níveis: a segurança alimentar é uma prioridade nos planos de trabalho dos principais organismos de integração política e econômica regional como a CELAC, MERCOSUL, Petrocaribe-ALBA, CARICOM, CAN, SELA, SICA e o Parlamento Latino-Americano.

O mesmo entusiasmo pode ser visto nos países cujos governos estão enfrentando tanto as causas profundas da fome como seus focos mais urgentes por meio de políticas, programas e legislação sobre segurança alimentar, proteção social e desenvolvimento produtivo, com ênfase especial sobre as medidas que visam suprir a principal causa da fome na região: a falta de acesso aos alimentos por parte dos mais pobres.

Cientes disso, atualmente 21 países da região executam programas de transferência de renda, que apoiam a mais de 120 milhões de pessoas em estado de vulnerabilidade, e muitos governos estão criando círculos virtuosos ao abastecer seus programas de alimentação escolar com produtos da agricultura familiar fortalecendo, assim, a nutrição infantil, o desenvolvimento rural e os agricultores familiares.

América Latina e o Caribe lideram redução da fome

A América Latina e o Caribe como uma região concentram o maior número de países que alcançaram o Objetivo do Milênio relacionado à fome. No total, 14 países já cumpriram a meta e, segundo o SOFI, outros três países estão a caminho de alcançar antes de 2015.

"Os avanços são motivos para o otimismo, mas é importante notar que ainda existem diferenças significativas entre o estado de progresso dos países e também dentro deles, já que existem áreas geográficas - como as zonas rurais - e os setores sociais, como as mulheres e os povos indígenas, que ainda enfrentam altos índices de insegurança alimentar e pobreza, e estes devem ser uma prioridade para as intervenções dos governos", explicou o Representante Regional da FAO, Raúl Benítez.

Estudos de caso: Brasil, Bolívia, Haiti

O relatório deste ano inclui sete estudos de caso que destacam os esforços nacionais de combate à fome, três dos quais incluem países da América Latina e do Caribe.

O Estado Plurinacional da Bolívia estabeleceu processos e instituições que incluem uma variedade de atores e públicos de interesse, como os povos indígenas, antes marginalizados. O forte enfoque em políticas de segurança alimentar para os pobres gerou uma rápida diminuição da fome, que caiu 7,4% entre o período 2009-11 e 2012-14. A desnutrição crônica em crianças menores de três anos de idade também diminuiu de 41,7% em 1989 para 18,5% em 2012.

A estratégia Fome Zero do Brasil colocou o avanço na segurança alimentar no centro da agenda do governo, e está no coração do progresso que levou o país a alcançar tanto o ODM como a meta CMA. Os programas atuais que visam erradicar a pobreza extrema no país baseiam-se na abordagem de sucesso que vincula as políticas para a agricultura familiar com as de proteção social de uma forma altamente inclusiva.

Haiti, onde mais de metade da população é cronicamente desnutrida, ainda luta para se recuperar dos efeitos do devastador terremoto 2010. O estudo SOFI destaca que o país adoptou um programa nacional para fortalecer os meios de vida e melhorar a produtividade agrícola, favorecendo o acesso dos agricultores familiares aos insumos e serviços.

"Este ano comemoramos as conquistas regionais. O desafio pela frente é consolidar os avanços, aumentar os esforços nos países retardatários por meio da cooperação regional, e aprender com as experiências que deram os melhores resultados para construir o caminho que nos levará a ser a última geração a conviver com fome na América Latina e no Caribe", disse o representante da FAO Regional.

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