Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

“Brasil continuará cooperando com a região e a FAO é um parceiro estratégico para isso”, disse Miguel Rossetto, durante a reunião da CELAC.

A FAO destacou a convergência entre a luta contra a fome e a agricultura familiar durante a I Reunião Ministerial sobre Agricultura Familiar da CELAC, realizada em Brasília.

13 de novembro de 2014, Santiago do Chile – A região da América Latina e Caribe pode ficar à frente de erradicar a fome se continuar promovendo o desenvolvimento da agricultura familiar em seus organismos de integração regional do mais alto nível, disse a FAO após a Primeira Reunião Ministerial sobre Agricultura Familiar da CELAC.

"Estamos construindo uma plataforma de ação comum e criando um ambiente de cooperação entre os países que consideram a expansão da produção, a criação de mecanismos de apoio aos agricultores, o desenvolvimento agrícola e as políticas agrícolas e comerciais", disse o Ministro do Desenvolvimento Agrário do Brasil, Miguel Rossetto.

"O primeiro ponto do Plano da CELAC 2014 é a erradicação da fome e o segundo é a promoção da agricultura familiar, o que me parece ser o mais claro sinal de que a região tornou prioridade política estes dois temas que estão profundamente ligados", disse Raul Benitez, Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, durante evento no Brasil.

De acordo com a FAO, a agricultura familiar é um dos pilares das estratégias nacionais para a erradicação da fome na América Latina e no Caribe, compromisso que está se consolidando no mais alto nível, em organismos como CELAC, Petrocaribe-ALBA, MERCOSUL, CAN e CARICOM.

Neste sentido, o Ministro da Agricultura, Pesca e Meio Ambiente de Granada, Roland Bhola, disse que: "Nossa estratégia Desafio Fome Zero de Granada tem a agricultura familiar como o principal foco de ação do governo, queremos ser autônomos na produção de alimentos".

O Vice-ministro da Agricultura de El Salvador, Hugo Flores, disse que: "A agricultura familiar está no centro da estratégia que permitiu os avanços na luta contra a fome em El Salvador, tanto na produção de alimentos quanto no seu efeito de revitalizar as comunidades rurais como espaços de cultura e sabedoria popular".

Grupo de Trabalho sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural

Na reunião ministerial, os países da CELAC aprovaram um documento com as diretrizes para o desenvolvimento da agricultura familiar na região e criaram um Grupo de Trabalho (GT) para elaborar e fortalecer as estratégias de redução das diferenças regionais, a promoção do desenvolvimento sustentável e a articulação da cooperação entre os países.

"Este é um espaço inédito de articulação e sinergia de esforços para consolidar a cooperação regional e integrar as ações de fortalecimento da agricultura familiar e de promoção da segurança alimentar e nutricional", disse Benitez.

Os ministros também aprovaram a Declaração Ministerial da CELAC sobre a Agricultura Familiar de Brasília.

Plano da CELAC para Erradicar a Fome

Os ministros reafirmaram a sua aspiração de que a América Latina e o Caribe possam alcançar a erradicação total da fome, e destacaram a importância do Plano Regional da CELAC para Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome, que os países elaboraram com o apoio da FAO, CEPAL e ALADI.

Neste sentido, os ministros reafirmaram as palavras do Representante da FAO, que observou que a aspiração que orienta as ações conjuntas da CELAC deve ser a de que "esta seja a última geração de pessoas da América Latina e do Caribe que convivem com a fome".

Raúl Benítez destacou que a FAO está apoiando fortemente os governos por meio da Iniciativa Regional Agricultura Familiar e Desenvolvimento Territorial Rural, uma das suas três prioridades de trabalho na região, que está alinha com o grupo de trabalho que acaba de criar a CELAC.

A iniciativa trabalha com os governos nacionais e as principais organizações de integração regional - como CELAC, SICA, CARICOM, CAN, MERCOSUL, ALBA-Petrocaribe - para incorporar o setor como um pilar em seus planos de trabalho para erradicar a fome e a pobreza.

"A agricultura familiar é o melhor aliado na luta contra a fome, não só pelo seu papel na produção de alimentos, mas também por suas contribuições para o emprego rural e o desenvolvimento dos territórios", disse Benitez, ressaltando países como o Brasil, o Chile, o México e a Argentina que estão compartilhando suas experiências por meio da cooperação internacional.

A agricultura familiar é fundamental para o abastecimento

Para Luis Arauz, Ministro da Agricultura e Pecuária da Costa Rica, país que atualmente preside a CELAC, a agricultura familiar pode ser mais eficiente, criar e distribuir riqueza, ser sustentável e também dar respostas aos desafios como o das mudanças climáticas.

Segundo a FAO, entre 50% e 70% dos alimentos consumidos na América Latina e no Caribe vêm da agricultura familiar. Neste sentido, o Ministro da Agricultura do Suriname, Soeresh Algoe, disse que: "99% dos alimentos que consumimos no Suriname vêm da agricultura familiar, o que torna o setor estratégico para a nossa segurança alimentar".

O Ministro do Desenvolvimento Rural e Terras da Bolívia, Nemesia Achacollo, disse que: "A Bolívia está comprometida com a reconstrução da agricultura familiar como um importante instrumento para alcançar a soberania alimentar do país e a autonomia".

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