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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Maior produtividade agrícola e valor agregado serão chaves para que a América Latina e o Caribe enfrente a desaceleração econômica

FAO, CEPAL e IICA apresentam novo estudo Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas 2015-2016

30 de outubro de 2015, Santiago do Chile – O aumento da produtividade, a diversificação e o valor agregado são a melhor aposta da América Latina e Caribe para alcançar um crescimento estável e sustentável do setor agrícola em um cenário caracterizado pela desaceleração da demanda mundial de produtos agroalimentares, apontam a FAO, a CEPAL e o IICA no relatório conjunto Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas 2015-2016.

Em 2015 a América Latina e o Caribe terá a menor taxa de crescimento desde 2009. Esta contração é resultado do crescimento lento da zona do euro e da desaceleração dos países emergentes e a China, e refletirá em um menor crescimento da demanda por produtos da região, afetando as exportações de alimentos e matérias primas.

“Este cenário repercutirá com maior peso na economia dos países dependentes de agro exportações da União Europeia e da Ásia, ou seja, os das regiões do Cone Sul e Andina, e em menor proporção os países mais próximos dos Estados Unidos”, explicou Alejandro Flores da FAO.

Os preços das matérias primas exportadas pela região vem apresentando uma tendência descendente, com uma consequente deterioração dos termos de troca. A intensidade dessa queda afetou os países de forma diferenciada: “a América Central, por exemplo, por ser importadora nata de alimentos e energia, deveria ser beneficiada”, apontou Mónica Rodrigues da CEPAL.

A taxa de crescimento anual do setor agrícola da ALC nos últimos três anos foi 2,9%, superior ao crescimento total da economia.

Isso se deveu fundamentalmente a um desempenho extraordinário da agricultura em 2013, que cresceu 5,5% em relação ao ano anterior.

Cultivos

Durante 2013 e 2014 a América Latina apresentou elevados volumes de produção de cereais e oleaginosas, chegando inclusive a alcançar níveis recordes na produção de alguns cultivos. A incorporação de tecnologias e inovações tem sido a principal causa de maior produtividade.

Os países da região realizaram esforços importantes para aumentar o valor agregado dos produtos agrícolas e melhorar os canais de comercialização. A agricultura familiar da região também alcançou aumentos significativos na produtividade, graças à incorporação de novas tecnologias e variedades de cultivos.

O maior grau de conscientização dos produtores agrícolas sobre a mudança climática e a necessidade de utilizar métodos mais amigáveis com o ambiente impulsionou o uso de bioinsumos, que será uma das tendências durante os próximos anos.

Segundo a FAO, o IICA e a CEPAL, para manter e incrementar a competitividade regional é necessário fortalecer os sistemas de inovação, promover o valor agregado e a diferenciação a partir de fatores ambientais, territoriais ou culturais e fortalecer a vinculação da agricultura familiar com os mercados.

“Para incrementar a produtividade da agricultura de maneira sustentável e com inclusão, os países devem avançar na construção de políticas que fomentem a produtividade e a competitividade, que promovam a equidade e o aumento dos ingressos dos produtores mais necessitados e que assegurem a sustentabilidade dos recursos naturais e a adaptação da agricultura às mudanças climáticas”, afirmou Miguel García, representante do IICA nos Estados Unidos e coordenador da publicação por parte do IICA.

Pecuária

O estudo Perspectivas destaca que a produção de carne no continente americano está se movendo para a América do Sul, particularmente para o Brasil, já que nos Estados Unidos os rebanhos continuam a diminuir e lutam para se recuperar após vários anos de devastadoras secas.       

As exportações de carne bovina da ALC duplicaram, já as exportações de carne de porco, aves domésticas por parte do Brasil se quadruplicaram na última década. 

“A indústria pecuária da região está se orientando para formas mais intensas de produção”, advertiu Tito Díaz, oficial regional de Produção Animal da FAO. Ele também destacou que, salvo exceções, os países não estão adotando as aprovadas tecnologias de produção pecuária que melhoram a segurança alimentar, a economia e a sustentabilidade ambiental nos países de altos rendimentos.  

Pesca

O consumo de peixes e marisco na região cresceu substancialmente nos últimos anos, alcançando cifras médias superiores a media global em alguns países, como Brasil, Peru e México.

A aquicultura mantem a maior taxa de expansão das atividades primarias da ALC, com uma contribuição crescente nas economias nacionais. Nos últimos 13 anos, a produção aquícola regional alcançou o mais alto porcentagem de crescimento histórico (71%).

Um dos maiores desafios para a pesca da região é a mudança climática, por isso é indispensável que os países abordem esse tema de uma maneira responsável e coerente.

Bosques

O desmatamento e a degradação são um dos problemas ambientais mais importantes que enfrentam a ALC. Apesar da diminuição de 1,4 milhões de hectares na taxa de desmatamento da região entre 2010 e 2015 em relação ao quinquênio anterior, a habilitação de terras para a agricultura e a pecuária e os problemas relacionados com a tenência de terra são as principais causas desse problema.

Enquanto a colonização em pequenas propriedades continua sendo uma causa importante de desmatamento em muitos países da América Central, a habilitação de grandes extensões de terras para a pecuária extensiva e agricultura mecanizada é a causa principal da América do Sul.

Bem-estar rural

Os dados mostram que em zonas rurais da região continua acontecendo uma transição da agricultura para atividades não agrícolas.

Outras tendências importantes incluem a redução significativa da pobreza e a desigualdade dos recursos, impulsada por políticas sociais recentes, o crescimento nas oportunidades de emprego rural não agrícola e o aumento das taxas de ocupação feminina que cresceram a um ritmo superior que a média rural.

“O desenvolvimento de novas atividades produtivas rurais – não agrícolas ou de maior valor agregado na agricultura – para potenciar o emprego de jovens e mulheres, o impulso a inovação e a criação de capacidades para facilitar a inserção de novas atividades econômicas são pontos que demandam maior atenção nas políticas de desenvolvimento rural”, destacou Adrián Rodríguez, chefe da Unidade de Desenvolvimento Agrícola da CEPAL. 

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