Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento do Caribe se preparam para enfrentar os desastres

A FAO apoia a resiliência dos meios de vida às ameaças, crises e as mudanças climáticas em 13 países insulares.

15 de abril de 2016, Santiago do Chile – Os pequenos estados insulares em desenvolvimento do Caribe (PEID) e a FAO estão desenvolvendo um novo programa para aumentar a resiliência dos meios de vida diante das ameaças, crises e os impactos das mudanças climáticas na agricultura e na segurança alimentar.

Com o apoio da Agência para o Manejo de Emergências e Desastres do Caribe (CDEMA), os países fortalecerão a governança para a gestão de risco, reduzirão a vulnerabilidades em âmbito local, melhorarão a capacidade de resposta diante das ameaças, crises e os seus mecanismos de monitoramento e avaliação de risco.

Antígua e Barbuda, Belize, Barbados, Dominica, Guiana, Granada, Haiti, Jamaica, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago, são esperados para beneficiar deste novo programa, que também tem o apoio da Comunidade do Caribe (CARICOM).

De acordo com a FAO, as mudanças climáticas, que aumentam a intensidade e a frequência dos desastres naturais, afetam de maneira desproporcional os pequenos estados insulares em desenvolvimento, prejudicando os recursos naturais e os meios de vida, como a pesca, o turismo e a agricultura.

Entre 1990 e 2014, 182 grandes desastres naturais ocorreram no Caribe, afetando a mais de 11,5 milhões de pessoas, causando 241 mil mortes e US$ 16,6 bilhões em danos e perdas com grave efeito sobre a pesca, na agricultura, nas florestas e na segurança alimentar dos países.

O programa de resiliência dos meios de vida é parte de uma nova iniciativa regional da FAO centrada no uso sustentável dos recursos naturais, na adaptação às mudanças climáticas e na gestão de risco de desastres, além de apoiar os países na erradicação da fome e para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“Os pequenos estados insulares são uma prioridade para a FAO e também devem ser para cooperação Sul-Sul”, explicou Jorge Meza, responsável pela nova iniciativa regional da FAO.

De acordo com a FAO, o claro vinculo entre os desastres naturais e a fome revela a fragilidade dos sistemas de produção de alimentos, o que requer uma ação urgente para fortalecê-los.

Países se preparam para o impacto

O programa de resiliência da FAO vai promover o fortalecimento dos sistemas de informação e a melhoria dos mecanismos de monitoramento e alerta precoce para as ameaças que impactam a agricultura e a segurança alimentar e nutricional, incluindo as doenças dos animais e das plantas.

Os 14 países devem reduzir a vulnerabilidade no âmbito das casas e das comunidades, a partir de boas práticas e do resgate do conhecimento tradicional e indígena com a participação das comunidades locais.

Além disso, serão promovidos mecanismos de transferência de risco, como os seguros agrícolas para os pequenos agricultores e a melhoria do processo de tomada de decisões dos responsáveis por políticas, técnicos de extensão e dos agricultores.

Os países também vão fortalecer a capacidade de responder aos desastres naturais, diminuindo os impactos sobre o setor agrícola, pesqueiro e florestal, e melhorando a capacidade de avaliar os danos e as perdas do setor.

“O número, a escala e o impacto dos desastres naturais estão crescendo. Eles reduzem a produção de alimentos, destroem os meios de vida e aumentam a fome a pobreza. Por isso devemos atuar agora”, salientou Meza.

Os desastres e insegurança alimentar estão diretamente interligados. Para esta razão, os meios de subsistência resilientes são essenciais para os esforços da FAO para ajudar a proteger as pessoas mais vulneráveis do mundo de choques, para tornar os sistemas alimentares mais resistentes e capazes de absorver o impacto do e se recuperar de eventos perturbadores .

 

Uma questão de sobrevivência: o Caminho SAMOA

O Caribe precisa de um enfoque especial devido a alta vulnerabilidade, algo particularmente certo nos estados insulares, para quem o aumento do nível do mar produto das mudanças climáticas não é somente uma prioridade política, mas também uma verdadeira questão de sobrevivência.

Para responder a esse desafio, em 2015 os pequenos estados insulares em desenvolvimento adotaram o Caminho SAMOA (SAMOA Pathway) um plano de ação centralizado no crescimento econômico com equidade, na mudança climática, na energia sustentável, na redução do risco de desastres e no uso sustentável dos recursos marinhos.

O Caminho SAMOA, que a FAO ajudou a criar e cuja implementação também apoia, aborda a segurança alimentar de forma integral, cuidando da saúde dos oceanos, lutando contra a degradação da terra e estimulando a igualdade de gênero e a inclusão social.

O Estado da segurança alimentar nos PEID

Segundo a FAO, Barbados, Cuba e Dominica apresentam níveis de subalimentação menor de 5%, e Bahamas, Belize, Jamaica e Trinidad e Tobago registram níveis de subalimentação abaixo de 10%.

Por outro lado, Haiti enfrenta o pior cenário de toda a América Latina e Caribe, com 58,7% de pobreza e 50% da população afetada pela fome.

Os desastres naturais podem desfazer os avanços alcançados pelos países na redução da pobreza e da fome, o que torna ainda mais difícil alcançar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que estabelece no segundo objetivo erradicar a fome por completo até o ano de 2030.

O que são os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento?

OsPequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) são ilhas pequenas e países costeiros de baixa altitude com uma variada geografia, clima, cultura e nível de desenvolvimento econômico, mas que compartilham desafios comuns para alcançar um desenvolvimento sustentável.

A FAO colabora com os PEID proporcionando assessoramento sobre políticas, pesquisas e assistência técnica em agricultura, pecuária, pesca silvicultura, gestão de recursos naturais e segurança alimentar, no âmbito do compromisso de apoiar os meios de vida resilientes e melhorar a segurança alimentar. 

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