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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

OCDE-FAO: América Latina e Caribe podem erradicar a fome até 2025

A região caminha para a autossuficiência em todos os produtos agrícolas aponta o relatório Perspectivas Agrícolas 2016-2025

O cultivo de soja impulsionará a maior parte do aumento estimado em 25% na superfície cultivada nos próximos dez anos.

7 de julho de 2016, Santigo, Chile – A América Latina e o Caribe podem acabar com a fome até ano de 2025, segundo o relatório da OCDE-FAO Perspectivas agrícolas 2016-2025, publicado ontem.

O relatório aponta que em um cenário de "statu quo" em que as políticas públicas atuais se mantenham e o crescimento da produtividade agrícola continue a tendência atual, a população mundial de pessoas subalimentadas deve cair entre 11% e 8% em dez anos, com a América Latina e Caribe caindo para baixo de 5%, índice que a FAO considera a fome efetivamente erradicada.

As projeções da OCDE-FAO coincidem plenamente com o objetivo declarado da região de acabar com a fome até o ano de 2025, um compromisso respaldado pelo principal órgão de integração regional, a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC).

“A nossa região foi a primeira em se comprometer não só com a diminuição, mas também com a erradicação total da fome”, disse o Representante Regional da FAO, Raúl Benítez.

Benítez disse que os frutos dessa determinação precoce permitiu que a região alcançasse os maiores progressos em relação à segurança alimentar, atingindo metas internacionais de redução da fome: a dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a da Cúpula Mundial sobre Alimentação.

O caminho principal que a região tem assumido para colocar fim a fome até 2025 é o Plano de Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da CELAC, que está sendo implementado por todos os países da região.

“Não somente nos transformamos em uma potência agrícola, mas o que é ainda mais importante é que os países criaram uma série de políticas públicas inovadoras focadas nas pessoas que sofrem com a fome, respaldados por estratégias de erradicação da fome em âmbito local, nacional e regional”, disse Benítez.

Ao colocar o foco nas populações mais vulneráveis, a América Latina e Caribe conseguiram tirar mais de 31 milhões de pessoas da fome nas últimas décadas, reduzindo a porcentagem atual de subnutrição regional a apenas 5,5%.

Segundo a linha de base do relatório Perspectivas agrícolas, caso as condições atuais não mudem, o número total de pessoas subalimentadas no mundo cairá de 800 milhões do registrado atualmente, para menos de 650 milhões em 2025.

Em contraste com a situação regional, isso implica que sem medidas decisivas a fome global não será erradicada em 2030 – data referendada como meta pela comunidade internacional por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS.

Perspectivas agrícolas da América Latina e Caribe 2016-2025

De acordo com o relatório OCDE-FAO, na América Latina, o cultivo de soja impulsionará a maior parte do aumento estimado em 25% na superfície cultivada nos próximos dez anos.

Como consequência da expansão do setor pecuário, a utilização de milho para o consumo animal vai aumentar em 30% durante a próxima década. Estima-se que o consumo per capita de milho e trigo se estanque em 54 quilos por pessoa por ano na próxima década.

A América Latina tem o maior consumo de carne per capita do mundo (58 quilos/pessoa/ano) e seguirá crescendo mais rápido que a média global, 6% na próxima década.

A carne bovina e as aves correspondem a 85% do consumo total de carne. Por outro lado, o consumo de carne bovina está diminuindo em términos per capita, enquanto que se prevê que o consumo per capita de aves vai aumentar em média de 10%, até 27 Mt em 2025.

O consumo per capita do açúcar e do azeite vegetal vai continuar crescendo. A América Latina concentra o maior consumo per capita de açúcar e chegará a 45 quilos/pessoa/ano em 2025, quase o dobro da média mundial (25 quilos/ano).

“Esse feito coloca em destaque a crescente taxa de obesidade e sobrepeso regional. A região tem feito grandes esforços para erradicar a fome, mas ainda enfrenta problema de má nutrição”, explicou Benítez.

Diferentemente da tendência mundial, a expansão da área da América Latina segue sendo um motor importante no crescimento da produção de cultivos. Estima-se que a área total dedicada à produção de cultivos aumente em 22,5 milhões de hectares (24%) no ano de 2025, dos quais a expansão da soja brasileira será responsável por 11 milhões de hectares o que representa quase 50%. Além da soja, o milho e a cana de açúcar vão seguir sendo os principais cultivos.

A produção regional de carne vai aumentar em 11Mt em 2025, o que representa quase 25% do crescimento da produção mundial de carne. O setor vai se beneficiar dos baixos preços dos cerais forrageiros em uma região onde os cerais forrageiros são utilizados com maior intensidade que em outras regiões em desenvolvimento. As aves são a carne de escolha para os países em desenvolvimento e especialmente na América Latina, onde se espera que a produção aumente mais de 6 Mt em 2025.

Um importante provedor mundial de alimentos

A região se consolidou como um importante provedor mundial de alimentos na última década e se estima que esta tendência continue durante a próxima década.

O milho, a soja e o açúcar representam o grosso das exportações totais da região. Apenas o açúcar vai registrar uma maior taxa de crescimento em comparação com a década anterior, isso se explica em parte pela crescente demanda de milho, farinha e soja.

Em relação às importações, alguns países latino-americanos são importadores líquidos de carne de porco, arroz e, especialmente, trigo. O  comercio intrarregional desempenha um papel importante no abastecimento dessas deficiências. Diante desse contexto, a região como um todo está se movendo em direção da autossuficiência para todos os produtos agrícolas.

O Brasil é o segundo maior provedor das importações chinesas e enfrenta os possíveis desafios diante da incerteza da taxa de crescimento da China. Alguns outros países, tais como a Bolívia, estão reforçando as relações comerciais agrícolas com a China. 

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