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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

As florestas representam o maior potencial para reduzir as emissões de carbono na América Latina e Caribe

Novo relatório da FAO chama os países da região a aumentar a capacidade das floresta para sequestrar carbono e adotar medidas climaticamente inteligentes

Segundo o SOFA, a atividade florestal representa o potencial de mitigação das mudanças climáticas na América Latina.

17 de outubro de 2016, Santiago – A conversão de florestas em terras para outros usos representa a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa na América Latina e Caribe, segundo o novo relatório da FAO,  O estado mundial da agricultura e alimentação (SOFA, na sigla em inglês).

Segundo o SOFA, a atividade florestal representa o potencial de mitigação das mudanças climáticas na América Latina.

Esse potencial está principalmente na redução do desmatamento, que se encontra complicado pela expansão dos cultivos agrícolas e a pecuária, os setores mais importantes que impulsionam a perda e a degradação das florestas em âmbito regional.

Em âmbito global, a agricultura (incluindo a silvicultura, a pesca e a pecuária), gera cerca de um quinto das emissões de gases de efeito estufa.

O novo relatório da FAO aponta que as três fontes principais de emissões de gases de efeito estufa da agricultura em  2014 na América Latina e Caribe foram a fermentação entérica – o gás produzido nos sistemas digestivos dos ruminantes – (58%), o estrume deixado nas pastagens (23%) e os fertilizantes sintéticos (6%).

Por esse motivo, a FAO faz um chamado global para que os governos implementem transformações rápidas nos sistemas alimentares e agrícolas para lidar com as mudanças climáticas. Também devem avançar em estabelecer compromissos nacionais de erradicação da fome e da pobreza.

Essas transformações incluem práticas como o uso eficiente dos fertilizantes, a promoção de dietas que não estejam baseadas em produtos de origem animal, pois sua produção exerce uma forte pressão sobre os recursos naturais, a redução das perdas e desperdícios de alimentos e o apoio aos pequenos agricultores.

Possíveis efeitos das mudanças climáticas na região

O relatório SOFA aponta que as mudanças climáticas vão afetar os cultivos e a pecuária da região de diferentes maneiras. Também se verificará, nas áreas temperadas, um aumento na produtividade de soja, trigo e pastos, maiores secas dos solos e aumento da temperatura vai reduzir as produtividades nas regiões tropicais e subtropicais.

Além disso, se espera uma maior salinização e desertificação em áreas áridas do Chile e do Brasil, enquanto que a agricultura de sequeiro em áreas semiáridas vai enfrentar perdas de colheitas.

A FAO também faz o prognóstico de que as mudanças climáticas vão provocar a diminuição da produção primária no Pacífico tropical e algumas espécies de peixes vão se trasladar em direção ao sul. A maior frequência das tempestades, furacões e ciclones vão prejudicar a aquicultura e a pesca do Caribe, e as mudanças na temperatura podem alterar a fisiologia das espécies de peixes de água doce e gerar o afundamento dos sistemas dos arrecifes de corais.

Em relação as florestas, o relatório SOFA destaca que a Amazônia enfrentará risco de incêndios frequentes, perda na superfície das florestas e a conversão desses terrenos em savanas. Na América Central, as mudanças climáticas colocam 40% das espécies de manguezais em ameaça de extinção.

As mudanças climáticas e a luta contra a fome na América Latina e Caribe

Um relatório complementar ao SOFA, Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe, publicado hoje pelo Escritório Regional para América Latina e Caribe, aponta que as mudanças climáticas podem afetar as quatro dimensões da segurança alimentar e ameaçar as grandes conquistas que a região vem alcançando na luta contra a fome e a pobreza.

As mudanças climáticas podem afetar a estabilidade da segurança alimentar devido a uma maior incerteza a respeito ao desempenho produtivo das atividades agrícolas, a renda das famílias e os preços dos alimentos.

No caso da disponibilidade, as mudanças climáticas podem afetar diretamente a produção alimentar, com a possível diminuição da quantidade física e variedade de alimentos disponíveis. Choques climáticos em grandes áreas produtoras poderiam ter severas implicações no comércio, chegando a afetar a oferta internacional de alimentos.

Além disso, as mudanças climáticas podem incidir na dimensão de acesso da segurança alimentar e nutricional, devido a que a renda que recebem as famílias podem variar se seus meios de vida dependam do setor agrícola, ou se ocorre uma baixa na demanda de mão de obra assalariada para as tarefas agrícolas, repercutindo em sua capacidade de comprar alimentos.

As mudanças climáticas podem incidir também na dimensão de utilização, gerando mudanças importantes nas dietas da população, por uma oferta e ingestão alimentar pouco variada e afastada de padrões alimentares saudáveis, o que levaria a consequências negativas na nutrição.

Iniciativas regionais importantes

O clima e a agricultura na região não serão mais os mesmos com os efeitos das mudanças climáticas: os prognósticos indicam que no final do século XXI haverá uma grande variação no nível de precipitações na América do Sul, com mudanças heterogéneas: enquanto que no nordeste brasileiro se estima que haverá uma redução de 22% nas precipitações, em áreas do sul-oriente da América do Sul se espera um aumento de 25%.

Consciente desses riscos, praticamente todos os países da região ratificaram o Acordo de Paris, que vai entrar em vigor no próximo dia 4 de novembro. Além disso, os governos estão integrando seus esforços por acabar com a fome com aqueles de mitigação e adaptação às mudanças climáticas mediante iniciativas como o Plano de Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos 2025.

Em âmbito dos países, destacam-se iniciativas como o Sistema de Pagamento por Serviços Ambientais da Costa Rica, que distribui incentivos econômicos aos proprietários das florestas e plantações que ofereçam serviços de proteção ambiental.

Outros projetos similares são o Programa Sócio Florestal do Equador e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do Brasil, iniciativas que promovem a resiliência dos pequenos agricultores nos âmbitos social, ambiental e econômico, ao diminuir a pobreza rural e favorecer à segurança alimentar dos produtores ao melhorar o acesso aos alimentos.  

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