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Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

América Latina e Caribe pode ser a primeira região em desenvolvimento a erradicar a fome

Plano de segurança alimentar da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos fornece uma rota clara para alcançar a fome zero em dez anos, disse o Diretor Geral da FAO.

Diretor-Geral: Plano SAN CELAC representa a cristalização da vontade política dos governos de erradicar a fome na próxima década”.

25 de janeiro de 2017, República Dominicana – A América Latina e Caribe pode ser a primeira região em desenvolvimento a erradicar a fome se todos os países aprofundarem a implementação do Plano da Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), apontou hoje o Diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva.

Durante a V Cúpula de Presidentes e Chefes de Estado e de Governo da CELAC, em Punta Cana, República Dominicana, Graziano da Silva ressaltou que, o “Plano SAN CELAC representa a cristalização da vontade política dos governos de erradicar a fome na próxima década”.

O plano foi aprovado pela CELAC em 2015 e promove políticas públicas integrais para reduzir a pobreza, melhorar as condições do mundo rural, adaptar a agricultura às mudanças climáticas, acabar com o desperdício de alimentos e enfrentar o risco de desastres.

No discurso na Cúpula da CELAC, o Diretor-geral da FAO disse que o Plano SAN está alinhado aos compromissos globais de alto nível como o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

E a região se propôs a um compromisso ainda mais ambicioso: erradicar a fome no ano 2025, cinco anos antes do estabelecido pela meta ODS 2: Fome Zero.

“Esta região conta com todas as condições necessárias para desenvolvê-lo, partindo do compromisso político que sustenta o Plano SAN CELAC”, explicou Graziano da Silva,

O plano já está rendendo frutos à toda a região: Bolívia, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, e Venezuela o utilizaram para diagnosticar suas políticas de segurança alimentar e nutricional, enquanto o Peru o utilizou como base para impulsionar leis de doação de alimentos para minimizar as perdas e desperdícios alimentares.

Enfrentar a dupla carga da má nutrição

O caráter multidimensional do Plano SAN CELAC permite não somente enfrentar a fome, mas a obesidade, que afeta 140 milhões de pessoas na região de acordo com o novo relatório da FAO e OPAS, o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional.

A má nutrição gera enormes custos econômicos e sociais, já que os sistemas de saúde pública devem lidar hoje com níveis crescentes de diabetes, hipertensão e doenças do coração, além das consequências derivadas da desnutrição infantil e a subalimentação

Segundo a FAO, uma das tendências preocupantes na região é o aumento da obesidade nas mulheres: a taxa de obesidade feminina é de dez pontos percentuais maior que a dos homens em mais de vinte países da região.

Para abordar este problema, Graziano da Silva destacou a Estratégia de Gênero do Plano SAN CELAC, que permitirá garantir que seus resultados alcancem por igual os homens e as mulheres, a qual está sendo implementada de maneira piloto em quatro países.

Reforçar a agricultura familiar para enfrentar as mudanças climáticas

Segundo o Diretor Geral da FAO, os impactos das mudanças climáticas têm o potencial de reverter os ganhos obtidos no combate à fome e à pobreza extrema na região.

“A agricultura é o setor mais afetado pelas mudanças climáticas e uma de suas principais vítimas são os pequenos agricultores familiares, camponeses e camponesas muitos dos quais lutam diariamente pela sobrevivência”, apontou Graziano da Silva.

Junto a CELAC, a FAO está desenvolvendo um plano de ação a favor da agricultura familiar e do desenvolvimento rural territorial, fomentando a intensificação sustentável da produção, sistemas públicos de compras e abastecimento de alimentos, serviços rurais e maiores oportunidades para os jovens rurais.

FAO também apoia a CELAC na elaboração de uma uma Estratégia Regional de Gestão de Risco de Desastres para a Agricultura e a Segurança Alimentar, a qual promove a resiliência e a adaptação dos agricultores mediante técnicas sustentáveis de cultivo e gestão de recursos.

Graziano da Silva destacou que onze países da região já aderiram ao Acordo sobre Medidas do Estado do Porto para Prevenir, Impedir e Eliminar a Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada, e convidou todos os países a se unirem para cuidar da sustentabilidade e conservação dos recursos pesqueiros.

Paz, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável

Na Colômbia, o Plano CELAC tem apoiado a criação de uma estratégia orientada para a reabilitação dos meios de vida das comunidades vulneráveis da zona central do país.

Segundo o Diretor Geral da FAO, o processo de paz na Colômbia ilustra o vínculo indissolúvel entre paz, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável, um aspecto que está no coração da Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030.

“Não haverá estabilidade social e paz enquanto existir fome, pobreza e desigualdade. Nem ao menos poderemos avançar se seguirmos explorando nossos recursos naturais. A sustentabilidade é uma pré- condição para o desenvolvimento”, disse Graziano da Silva.

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