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FAO no Brasil

FAO lança estratégia focada nos núcleos de pobreza e fome na América Latina e no Caribe

23/04/2019

Santiago do Chile - Há lugares onde a pobreza e a fome são lei. São territórios que concentram os núcleos mais difíceis da miséria na região da américa Latina e Caribe e que não prosperam apesar do progresso dos países.

Para apoiar esses territórios que ficaram para trás, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançou hoje a estratégia Os 100 Territórios Livres da Pobreza e da Fome.

A estratégia trabalhará com os governos para identificar locais críticos que exijam as intervenções mais urgentes e, assim, criar soluções específicas para cada caso.

Nesta perspectiva, a FAO busca avançar lado a lado com os governos da Colômbia, Guatemala, Honduras, Salvador e República Dominicana, que seriam os cinco países prioritários na primeira fase da estratégia.

Com um horizonte de dez anos, 100 Territórios trabalhará com os governos para criar uma coalizão de atores da sociedade civil, do setor privado, da academia e da cooperação internacional para dar reconhecimento político real a esses lugares, desenvolvendo práticas inovadoras. apropriadas para ampliar as oportunidades econômicas dos sujeitos que habitam as áreas esquecidas.

Em parceria com os governos, a FAO trabalhará para fortalecer as sociedades territoriais e os  governos locais, tornando-os mais competentes e eficazes, criando pontes e conectando esses territórios em todo o continente, para que eles possam aprender uns com os outros.

Lugares parados no tempo

A Comissão Econômica para a América Latina e a FAO identificaram cerca de dois mil municípios em 14 países da região, que agrupam mais de 40 milhões de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza e insegurança alimentar.

Metade dessas pessoas (20,9 milhões) vive no campo e o resto nas cidades e cidades pequenas. Quase uma em cada cinco é indígena ou afro-descendente e uma em cada cinco famílias é chefiada por mulheres.

Dependendo do país, a população desses territórios atrasados ​​representa entre quatro a 16% por cento da população nacional.

"Estamos falando de municípios em países como Colômbia, Peru, República Dominicana e Brasil, que fizeram progressos significativos no seu desenvolvimento, mas que ainda possuem crianças com fome, que crescem com suas vidas mutiladas por desnutrição crônica", explicou o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué.

Para Berdegué, territórios esquecidos são como lugares congeladas no tempo: "Mesmo em países com os maiores avanços. existem áreas rurais que foram deixadas para trás, onde as pessoas vivem em condições sociais que se assemelham as que tinham cinquenta anos atrás."

Migração, alterações climáticas e economias ilegais

Para identificar as áreas mais vulneráveis, não são apenas fatores como a pobreza e a fome que são considerados, mas também fenómenos migratórios que estão afetando milhares de famílias que fogem de suas casas e territórios, bem como o impacto das alterações climáticas e as economias ilegais, que aprofundam pobreza, fome e migração.

"Milhares de camponeses migraram nas últimas décadas das montanhas de Guerrero, no México, mas isso não impediu que muitos milhares permanecessem lá, cultivando a papoula com a qual se produz a heroína", disse Berdegué.

Prioridades de trabalho

Para a FAO, a chave para mudar esses quadros de fome é melhorar substancialmente a qualidade das políticas e programas dedicados a esses territórios esquecidos.

Para conseguir isso, 100 Territórios trabalhará lado a lado com os governos locais e nacionais para implementar políticas públicas de maneira mais eficiente, transparente, inovadora e apropriada às circunstâncias de cada um desses lugares atrasados.

"Nós também queremos trazer os habitantes desses territórios para os mercados de trabalho e, acima de tudo, aumentar suas participações sociais, permitindo que a sociedade reconheça o valor dessas pessoas, que têm sido capazes de sobreviver e adaptar-se às piores condições imagináveis. Elas já são donas de uma grande resiliência e inteligência social ", disse Berdegué.