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Setores produtivos do agronegócio debatem inovação para a sustentabilidade socioeconômica ambiental

Foto: Thays Puzzi/@FAO
06/09/2017

O AgroSeminário, que ocorreu em Brasília na tarde dessa terça-feira (05), contou a mediação do representante da FAO Brasil, Alan Bojanic

Os principais setores produtivos do agronegócio brasileiro estiveram reunidos em Brasília (DF), nessa terça-feira (05), para debaterem o planejamento da agricultura do futuro e o desafio de abastecer o mundo com segurança alimentar e soluções sustentáveis. O AgroSeminário foi promovido pelo Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA) e contou com a mediação do representante da FAO Brasil, Alan Bojanic.

Produzir sem impactar o meio ambiente se tornou um desafio do agronegócio brasileiro, que este ano deve movimentar R$ 1,7 trilhão. Com as mudanças no clima, novos acordos ambientais e exigências dos parceiros comerciais do Brasil, sustentabilidade e inovação se tornaram condições exigidas pela sociedade e pelos agentes que compõe o setor.

Conjuntura lembrada pelo ministro interino do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, em discurso que abriu o evento. "Nosso país possui a legislação ambiental mais rigorosa do planeta e eu não sou contra isso, mas o produtor rural brasileiro é, sem dúvida, quem suporta um ônus que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Em alguns casos, só se pode utilizar 20% da propriedade rural e ainda assim somos competitivos no mercado internacional", salientou Novacki. Ele destacou ainda o papel que o Brasil tem na preservação ambiental, na mitigação das mudanças climáticas e na segurança alimentar. "O produtor rural, grande ou pequeno, precisa ser cada vez mais eficiente, lançando mão do conhecimento, da pesquisa e da inovação".

Alan Bojanic, por sua vez, disse que é importante entender quais são as perspectivas para o setor e qual será a contribuição do Brasil para a alimentação nacional e mundial. “Fizemos estudo em que a estimativa é que em 2020 o Brasil será o maior produtor e exportador de alimentos do mundo. Dado que está se confirmando porque as perspectivas que a FAO dá para o setor é de crescimento porque não existe país no mundo com as condições e a capacidade que o Brasil tem para produzir. Mas é importante vermos como vamos produzir com sustentabilidade”, instigou, Bojanic, o início dos debates. Na oportunidade, ele destacou, ainda, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Como o Brasil vai contribuir para a grande agenda 2030? Uma agenda de desenvolvimento sustentável que fala da erradicação da fome e da pobreza até o ano de 2030”, explicou. O objetivo evidenciado por Bojanic foi o ODS 2 que trata da fome zero e da agricultura sustentável.

Participaram do debate o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprasoja), Fabrício da Rosa; o diretor de Assuntos Corporativos para o Brasil da Syngenta, Pablo Casabianca; o presidente da Associação dos Produtores de Milho (Abramilho), Sérgio Botolozzo; o diretor da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Justos de Brito; o chefe da Secretaria de Negócios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Vitor Hugo Oliveira; o diretor de Acesso a Mercados Internos e Internacionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), José Luiz Pimenta Júnior; e o analista técnico Econômico da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Marco Olívio Morato.

Cada entidade expos medidas que já estão sendo adotadas pelo setor tendo em vista práticas de produção sustentáveis. No entanto, alguns desafios ainda estão postos para o agronegócio brasileiro. A principal delas foi a percepção que a população em geral, tanto nacional quanto internacional, tem do setor. “O agronegócio já desenvolve muitas iniciativas sustentáveis, mas isso precisa ser melhor divulgado para a sociedade, assim como os planos que se tem, como o Plano ABC”, sugeriu Bojanic enfatizando que o setor está no caminho certo. Os debates também mostraram que é preciso fortalecer os sistemas de certificação para a criação de selos que sejam confiáveis e reconhecidos, além da necessidade de continuação e massificação dos processos de inovação. 

Perspectivas agrícolas 2017/2026

O relatório Perspectivas Agrícolas 2017-2026 da OCDE e FAO mostrou que o Brasil vai ultrapassar os Estados Unidos como o maior produtor de soja na próxima década, enquanto a produção de milho será impulsionada, principalmente, pela América Latina.

Durante o período analisado, espera-se que a produção mundial de soja continue expandindo-se mas em um ritmo de 1,9% por ano, o que está muito abaixo da taxa de crescimento de 4,9% anual da última década.

É esperado que a produção de soja no Brasil cresça a 2,6% por ano, o maior crescimento dos principais produtores, já que dispõe de mais terras, comparado com a Argentina (2,1% por ano) e os Estados Unidos (1,0% por ano).

Já a produção mundial de grãos crescerá cerca de 1% por ano, o que levará a um aumento total, em 2026, de 11% para o trigo, 14% para o milho, 10% para os grãos secundários e 13% para o arroz.

No caso de milho, a expansão da área representa apenas 10% do aumento total da produção, aumento esse impulsionado principalmente pelo crescimento da área cultivada na América Latina, que aumentará 6,6%, de 33,5 milhões hectares no período base para 35,7 milhões de hectares em 2026.

A América Latina vai contribuir em 28% no aumento total da produção de milho, 39 milhões de toneladas. Desta cifra, aproximadamente um quarto deve-se ao aumento das superfícies plantadas.

A Ásia e o Pacífico representarão 24% do aumento, 33 milhões de toneladas. Diferente da América Latina, o crescimento da Ásia e do Pacífico será quase que exclusivamente devido ao aumento dos rendimentos.

A América do Norte irá contribuir com 31 milhões de toneladas, 22% do aumento total. Juntas, estas três regiões representam 74% do aumento total.