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América Latina e o Caribe buscam transformar sistemas alimentares para combater a fome e a malnutrição

Experiência Escolas Sustentáveis foi apresentada durante o simpósio. Foto: Palova Souza/FAO
08/09/2017

Simpósio foi realizado nesta semana em El Salvador; Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO apresentou a experiência de Escolas Sustentáveis

Transformar os sistemas alimentares é uma peça muito importante para a estratégia de combate à fome e de todas as formas de malnutrição na América Latina e no Caribe, sinalizam a FAO e a OPS.   

Neste sentido, as agências convocaram autoridades de governo e da região, além de especialistas internacionais para um seminário que ocorreu entre os dias 5 e 7 de setembro em El Salvador. Durante o evento foram compartilhadas políticas públicas e experiências exitosas que permitam criar sistemas alimentares que contribuam com a saúde da população.

Na oportunidade, Najla Veloso, coordenadora regional do projeto de Fortalecimento de Programas de Alimentação Escolar na América Latina e no Caribe, apresentou a experiência de Escolas Sustentáveis, que é desenvolvida desde 2012 e executada no âmbito do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO.

Nos últimos cinco anos, a iniciativa tem sido implementada em 13 países da região, com a participação de mais de 75 mil estudantes em 338 escolas. De acordo com Najla, a experiência Escolas Sustentáveis foi desenhada com o objetivo de estabelecer uma referência de implementação de programas de alimentação escolar sustentáveis, especialmente a partir de atividades como o envolvimento da comunidade escolar, a adoção de cardápios escolares adequados e saudáveis, a implementação de hortas escolares pedagógicas, a reforma de cozinhas, refeitórios e despensas, além da compra de produtos da agricultura familiar local para a alimentação escolar.

“A alimentação escolar tem se destacado com uma política transversal para enfrentar a pobreza e os demais problemas sociais. Isso porque ao mesmo em que contribui para o desenvolvimento humanos dos estudantes, melhora os hábitos alimentares, gerando acesso a uma alimentação saudável e adequada. Além disso, promove o desenvolvimento da economia local, a partir da compra de alimentos produzidos no entorno da escola”, destacou a coordenadora. 

Sistemas alimentares sofreram fortes mudanças nas últimas décadas

Segundo a FAO e a OPS, os sistemas alimentares da região – o conjunto de atores e regras que determinam como os alimentos são produzidos, comercializados, distribuídos, processados e consumidos -  sofreram mudanças profundas nas últimas décadas. 

“Temos vivido um processo radical e veloz: o que a Europa fez em cento e cinquenta anos, nós fizemos em trinta”, explicou o representante da FAO na região, Julio Berdegué.

Mudanças econômicas, demográficas, tecnológicas e culturais têm gerado um profundo impacto tanto nos alimentos que são consumidos pela população quanto na maneira em que eles são produzidos.

Essa transformação converteu a região em uma potência alimentar e tem gerado muitos efeitos positivos em termos de bem-estar da população. Por exemplo, tem sido chave para a redução da pobreza em muitos países e tem facilitado que milhões de mulheres se incorporem em empregos fora de casa. 

Por outro lado, há, também, efeitos negativos. A América Latina registra um varejo de produtos ultra processados de 129 quilos per capita a cada ano, além do aumento considerável do consumo de alimentos ultra processados com alto índice de açúcar, sal e gordura. Isso explica o aumento da obesidade na maioria dos países na região.