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FAO no Brasil

Acesso a mercados: Empoderamento das mulheres da Agro Verde

10/10/2018

O espaço da mulher no mercado de trabalho vem se transformando à medida que a sociedade vai evoluindo. No mundo moderno, as mulheres estão cada vez mais multitarefas e desafiadas a conseguir equilibrar diversos papéis no dia a dia: de mãe, esposa e profissional. As mulheres romperam diferentes barreiras no mercado de trabalho e chegaram a carreiras profissionais até então concentradas no público masculino. Hoje, são, executivas, empreendedoras, agricultoras e empoderadas.

O papel da mulher na sociedade sempre foi organizar diferentes situações, sendo conhecidas por fazerem muitas coisas ao mesmo tempo. Na agricultura familiar não poderia ser diferente, elas são as personagens principais de histórias de muito trabalho nas quais exercem a função da rotina doméstica, do cuidado com os filhos e da terra.

Normalmente em grupos de agricultores a liderança masculina é abundante, mas um grupo de mulheres lideradas por Maria do Socorro da Silva, de 56 anos, aceitou o desafio e vestiu a camisa do empoderamento feminino. Como resultado estão transformando a rotina e melhorando a qualidade de produção da Cooperativa de Produtores Rurais de Japeri (Agro Verde).

Segundo Maria do Socorro, as mulheres passam mais segurança e transmitem mais sensibilidade quanto aos desejos dos produtores. “No nosso caso, após um longo período de dificuldades de administração masculina dentro da cooperativa, as mulheres tomaram a iniciativa de assumir a frente e decidiram trabalhar em prol do pequeno produtor.” 

O objetivo é usar uma visão ampla para auxiliar os produtores e com isso tornar o trabalho muito mais favorecido, pois a mulher tem um olhar diferenciado para as pessoas, elas não vêm apenas o produto e sim a condição dos produtores. Somente por meio do trabalho desenvolvido por eles é possível conseguir o fortalecimento com a participação em grande massa de mulheres agricultoras.

Maria afirma que seu principal papel como líder e presidente da Agro Verde é fazer com que as agricultoras não desistam e acreditem no seu cultivo, na sua terra. “O importante é perseverar pois estamos sempre correndo atrás e lutando por um futuro melhor.”

A prestadora de serviços jurídicos para a Agro Verde, Luciane Aguiar, 46 anos, pondera que existem desafios e obstáculos persistentes que as mulheres enfrentam, no entanto, em seu trabalho sente-se extremamente feliz por lidar diretamente com as agricultoras. “Acredito que as mulheres são muito competentes e capazes de conduzir um procedimento administrativo com muita força e dedicação. Estão trabalhando não só com o lado profissional, mas com o lado pessoal e social no empenho de valorizar a trabalhadora rural.”

As mulheres estão fazendo um papel fundamental na agricultura e esse engajamento tem possibilitado um crescimento individual, coletivo e principalmente social na vida das mulheres do campo, pois as tornam capazes, realizadas e independentes. Além disso, o cultivo da mulher é muito mais cuidadoso porque as agricultoras dão mais atenção ao seu plantio e ao manejo do solo.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a participação feminina no mercado de trabalho agrícola latino-americano quase dobrou desde 1975, quando foi celebrado o Ano Internacional da Mulher. Hoje já se reconhece o direito de uma mulher alcançar autonomia e independência econômica através de uma ocupação.

A cooperada Marlene Maria Rodrigues, 49 anos, destaca a importância do empoderamento feminino no campo. “Nós já fomos donas de casa, cozinheiras, enquanto os maridos trabalhavam nas lavouras e levavam o dinheiro para casa. A partir do momento que entendemos que nós somos importantes no contexto de produção, levantamos a cabeça e começamos a caminhar. As produtoras rurais estão descobrindo que além da produção que fazem no campo, elas podem agregar valores ao mercado. Hoje o forte da agricultura familiar é a mulher. Vamos em frente, nós podemos conquistar muito mais, o mundo é nosso.”

15 dias pela autonomia das mulheres rurais

Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.

Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.