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FAO no Brasil

Reduzir a perda de alimentos e o desperdício ajuda a lidar com as mudanças climáticas

21/08/2019

Salvador - A perda e desperdício de alimentos gera entre 8 a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos, de acordo com o novo relatório sobre as mudanças climáticas, o primeiro a destacar a relação estreita entre os fracassos do Sistema alimentar e mudança climática. O tema está sendo discutido na edição de 2019 da Semana do Clima da América Latina e Caribe, que acontece em Salvador, Bahia, dos dias 19 a 23 de agosto.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) adverte há anos sobre a magnitude deste problema: quase um terço de todos os alimentos que produzimos - 1,3 bilhão de toneladas por ano - é perdido ou desperdiçado.
Se compararmos as emissões de gases de efeito estufa associadas à perda e ao desperdício de alimentos à dos países, elas representariam o terceiro maior emissor global, depois da China e dos EUA.

Além disso, 38% dos recursos energéticos consumidos pelo sistema alimentar global são utilizados para produzir alimentos perdidos ou desperdiçados não só devido a ineficiências e limitações nos sistemas de produção e fornecimento de alimentos, mas também durante o consumo.

A prevenção da perda de alimentos pode contribuir para reduzir as emissões do setor agrícola por duas razões: primeiro, porque reduzir as emissões diretamente associadas à produção de alimentos perdidos ou descartados e segundo porque eliminar a pressão sobre os recursos naturais evita a necessidade de converter terras e expandir a fronteira agrícola.Atualmente, quase 30% das terras agrícolas do mundo são usadas para produzir alimentos que nunca serão consumidos, representando uma área semelhante à área total do continente antártico.

Esta é uma dinâmica completamente insustentável que deve ser alterada o mais rápido possível. O Chile tem sido um dos países a reagir a essa questão. Desde 2017, o governo implementou um Plano de Ação e um Programa Nacional de Consumo e Produção Sustentável, com prioridade no sistema alimentar e a redução de perdas e desperdícios na cadeia de valor, incluindo o consumo no nível doméstico. O governo lidera a iniciativa que reúne vários atores que trabalham em três áreas: regulamentação e leis; pesquisa, tecnologia e produção de conhecimento; e comunicação e conscientização para conscientizar e compartilhar as ações que resolvem o problema.

Esta experiência foi apresentada no evento paralelo “Revertendo a mudança climática cuidando dos alimentos”, que a FAO realizou na edição de 2019 da Semana do Clima da América Latina e Caribe. A chave é reformar o sistema alimentar para produzir alimentos saudáveis ​​de forma mais eficiente, investindo na incorporação de inovação tecnológica. Juntamente com soluções técnicas, podemos promover mudanças nos padrões de consumo para reduzir o desperdício.

O trabalho da FAO com os países da região progrediu e, após a fase de conscientização, concentra-se nas soluções em si. Nessa linha, apoiou a geração de 5 leis sobre a redução do desperdício de alimentos. Eles aprovaram as leis Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru; enquanto Costa Rica e Uruguai ainda estão trabalhando nisso.

A FAO também promove parcerias com o setor privado, uma vez que o diálogo com esse grupo é um fator determinante no processo de redução de perdas e desperdícios. Além disso, nessas mudanças necessárias, os esforços da sociedade civil, como os bancos de alimentos, que enfrentam a questão ética, levando ao acesso a alimentos para populações vulneráveis, são significativos.