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FAO no Brasil

Frear as pragas e as doenças das plantas: especialistas planejam medidas a nível global

16/03/2015

Revisão das normas fitosanitárias para o comércio de plantas e produtos vegetais

Roma - Medidas para prevenir que insetos, bactérias, vírus e plantas daninhas infestam as remessas de frutas e legumes e outros tipos de plantas e alimentos, e depois se espalhem pelo mundo, estão no centro do debate da reunião de quatro dias de especialistas internacionais, que começou hoje em FAO. 

A reunião anual da Comissão de Medidas Fitosanitárias (CMF), o órgão de governo da Convenção Internacional de Proteção Fitosanitária (CIPF), reúne os principais especialistas em sanidade vegetal dos 181 países membros desse tratado.

A tarefa da CMF consiste - entre outras questões – em revisar e estabelecer as normas internacionais para medidas fitossanitárias que regulam como devem se manipular as plantas e os produtos vegetais durante a circulação e o transporte. Também procura formas de ajudar os países em desenvolvimento a melhorar a eficácia das organizações nacionais de proteção fitossanitária.

O objetivo das regras é minimizar os riscos de pragas de plantas que circulam através das fronteiras e regiões, no contexto do comércio mundial em constante expansão.

"O comércio agrícola internacional movimenta a cada ano 1,1 trilhão de dólares e mais de 80% do total corresponde a alimentos. Neste mundo cada vez mais globalizado, temos de aumentar os nossos esforços para proteger a segurança dos alimentos e do meio ambiente, e garantir a segurança do comércio contra as pragas de plantas", disse a vice-diretor-geral da FAO para Recursos Naturais, Maria Helena Semedo.

"Uma falha no monitoramento da disseminação de pragas e doenças de plantas podem ter consequências desastrosas para a produção agrícola e a segurança alimentar de milhões de agricultores pobres", disse Semedo, em discurso aos participantes da reunião. 

"Aprendendo com as experiências passadas – acrescentou - a prevenção é a primeira linha de defesa contra pragas e doenças das plantas, e também tem provado ser o mais rentável." 

A FAO estima que a cada ano se perde entre 20% e 40% dos rendimentos globais de culturas devido a danos causados por essas pragas e doenças.

Usar a embalagem adequada

"Uma vez que uma praga está estabelecida é quase impossível erradicar e é um custo para gerenciar", disse o Coordenador do CIPF, Craig Fedchock.

Um fator chave é assegurar que o material utilizado para o transporte de plantas e outros produtos agrícolas não se convertam no local onde as pragas encontram abrigo.

"Se soubéssemos mais sobre os riscos associados com a embalagem de madeira maciça há 35 anos, poderíamos ter economizado milhões de dólares por meio de um tratamento térmico simples de baixo custo das paletas de madeira, antes de ser utilizado para o comércio internacional", explicou Fedchock.

Entre os exemplos, Fedchok assinalou o besouro longo-horned asiático, que se acredita ter se espalhado da Ásia para os Estados Unidos, - bem como para o Canadá, Trinidad e vários países da Europa - na embalagem de madeira maciça não tratada. Os besouros ou suas larvas se alimentam de folhas, galhos e cascas, matando muitas árvores.

O Coordenador do CIPF também destacou como estão tentando erradicar o nemátodo de pino, a República da Coreia gastou nas últimas três décadas cerca de 400 milhões de dólares, e planeja gastar mais de 45 milhões em 2015, e como uma medida adicional, já registrou cerca de 3,5 milhões de árvores nos últimos anos. O nemátodo da madeira de pino é um verme que causa a doença de pinho murcho e acredita-se que se originou na América do Norte, possivelmente nas paletas de madeira não tratadas, e se espalhou para outros locais por meio do comércio.

ePhyto: certificados na área digital

A reunião da CMF deste ano - que segue até sexta-feira, 20 de março - deve abordar a questão da certificação eletrônica fitossanitária, conhecido como ePhyto. Os participantes vão discutir e, possivelmente aprovem – a criação de um serviço ePhyto online. Isso vai facilitar a troca de milhões desses certificados eletrônicos por ano, resultando em maior eficiência nas operações portuárias e reduzir custos, - incluindo ambientalistas – associados a impressão de certificados e documentos de embarque. 

Durante os quatro dias do encontro também estão programadas uma série de sessões laterais abordando temas como novas tecnologias de diagnóstico de pragas.