Ex Diretor-Geral  José Graziano da Silva

Biografia

José Graziano da Silva contribuiu com mais de 30 anos de conhecimento acadêmico, profissional e político em questões relacionadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento rural. Em particular, como Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), de 2012 a 2019, quando implementou a experiência acumulada com o programa Fome Zero no Brasil. O programa foi concebido por Graziano, que também liderou sua implementação enquanto Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

No Brasil

Em 2001, José Graziano da Silva coordenou o desenvolvimento do programa Fome Zero - um componente central da campanha de Lula para a presidência do país - e em janeiro de 2003 ele foi nomeado para o gabinete com a missão de implementá-lo.

O programa Fome Zero introduziu um novo modelo de desenvolvimento focado na erradicação da fome e na busca de inclusão social por meio de políticas macroeconômicas, sociais e industriais. Isso acelerou enormemente o progresso na redução da fome: entre 2000-2002 e 2005-2007, a desnutrição crônica no Brasil diminuiu de mais de 10% para menos de 5%, caindo a uma taxa 2,5 vezes mais rápida do que na década anterior. Como resultado, o país cumpriu os objetivos da Cúpula Mundial da Alimentação e o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio.

Em 2014 o Brasil foi removido do Mapa da Fome da FAO, sendo considerado o primeiro país em desenvolvimento a erradicar a fome.

Na FAO, como representante regional para a América Latina e o Caribe

Graziano da Silva ingressou na FAO em 2006, quando foi nomeado Diretor-Geral Adjunto para a América Latina e o Caribe. Como Representante Regional da FAO, Graziano da Silva pediu aos governos que apoiem ​​a Iniciativa Fome Zero da América Latina e Caribe de 2025, que consolidou uma importante agenda regional voltada para a segurança alimentar, o desenvolvimento rural sustentável e a agricultura familiar.

De acordo com o relatório "Estado da Segurança Alimentar e Nutricional" de 2014, a América Latina e o Caribe se tornaram a primeira região a atingir a meta do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, que significa reduzir à metade a fome até 2015.

Na FAO como Diretor Geral - primeiro mandato (2012-2015)

À frente da FAO, Graziano da Silva reforçou o compromisso de transformar a visão de um mundo sustentável em realidade. Durante seu primeiro mandato (2012-2015), realizou mudanças transformadoras dentro da organização, intensificando o foco do trabalho da FAO em cinco objetivos estratégicos: (I) garantir a segurança alimentar; II) promover a produção e o uso sustentável dos recursos naturais; (III) reduzir a pobreza rural; IV) melhorar os sistemas alimentares e V) reforçar a resiliência.

Ao mesmo tempo, conduziu uma reforma interna da agência da ONU, reduzindo a burocracia e os custos administrativos. José Graziano desenvolveu parcerias com várias partes interessadas, incluindo a sociedade civil, setor privado, instituições acadêmicas e de pesquisa e fundação, e impulsionou a capacidade da FAO de apoiar a cooperação Sul-Sul -  intercâmbio de recursos, tecnologia e conhecimento entre países em desenvolvimento. Através dessas mudanças, Graziano da Silva ajudou a fazer da FAO uma organização conhecida por ter os “pés no chão”, reforçando a capacidade técnica de seu trabalho de campo.

Graziano da Silva também fortaleceu a confiança dos estados membros na FAO, reforçando a abordagem “valor-por-dinheiro” da organização. Isto pode ser atestado pelo amplo consenso alcançado na aprovação de sucessivos orçamentos e programas de trabalho da FAO. Ele também fortaleceu o mandato global da FAO, apoiando ativamente o Comitê de Segurança Alimentar Mundial, o Grupo de Trabalho de Alto Nível das Nações Unidas para Combater a Crise Mundial de Alimentos - do qual ele atuou como vice-presidente – e o Desafio Fome Zero do Secretário-Geral da ONU ( 2012-2015), inspirado no programa brasileiro Fome Zero. Além disso, também através de seu trabalho com a União Africana, como Diretor Geral da FAO, ele foi fundamental para assegurar o compromisso político dos líderes africanos com a erradicação da fome até 2025.

Na FAO como Diretor Geral - segundo mandato (2015-2019)

Em 2015, como único candidato ao cargo, Graziano da Silva foi reeleito diretor-geral da FAO para um segundo mandato de quatro anos (até 2019), com um comparecimento histórico (177 votos, um contra).

Naquele mesmo ano, em Nova York, a abordagem do Fome Zero Brasileiro tornou-se o modelo de um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS-2), que prevê a erradicação da fome e de todas as formas de desnutrição até 2030.

José Graziano da Silva consolidou muitas das iniciativas lançadas durante seu primeiro mandato, em parceria com países membros e organizações internacionais, com agências da ONU e com a academia, a sociedade civil e o setor privado.

Entre as conquistas mais notáveis, Graziano da Silva deu forma à contribuição crucial da FAO para a maioria dos principais ODS, incluindo:

a) Reforçar a pobreza rural como causa fundamental da migração forçada;

b) Destacar a fome como uma pré-condição essencial para o conflito, uma visão adotada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2018;

c) Promover uma nova abordagem para facilitar a adaptação da agricultura e melhorar a resiliência como parte da mitigação dos impactos das mudanças climáticas;

d) Destacar a perda de biodiversidade como uma ameaça muito séria para a alimentação e a agricultura globais;

e) Trazer os temas de duas iniciativas de 2014, o Ano Internacional da Agricultura da ONU e a Segunda Conferência Internacional da FAO-OMS sobre nutrição para o topo da agenda do sistema das Nações Unidas, conforme manifestado pela Década de Nutrição (2016-2025) e Agricultura Familiar (2019-2028);

f) Destacar o papel da segurança alimentar como uma preocupação fundamental para a segurança alimentar e para o comércio;

g) Reforçar a visão da globalização da epidemia de obesidade e a necessidade de promover sistemas alimentares sustentáveis ​​que possam promover dietas saudáveis, bem como a necessidade de uma regulamentação global para a produção e consumo de alimentos.

Formação acadêmica

Graziano da Silva é formado em Agronomia e possui mestrado em Economia e Sociologia Rural, ambos pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pós-doutorado pela Universidade de Londres e em Estudos Latino-Americanos e Estudos Ambientais pela Universidade da Califórnia, Santa Cruz.

Antes de se aposentar como professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Graziano da Silva lecionou por mais de 30 anos e publicou 25 livros sobre desenvolvimento rural, segurança alimentar e economia agrícola. Atuou como tutor de mais de uma centena de profissionais dedicados ao desenvolvimento rural e à segurança alimentar, além de alunos de pós-graduação.

Ao longo dos anos, José Graziano da Silva recebeu vários prêmios acadêmicos, incluindo:

2011 - Doutor Honoris Causa, Universidade Federal de Uberlândia (Brasil)

2012 - Doutor Honoris Causa, Universidade Técnica de Lisboa (Portugal)

2012 - Professor Honorário, Universidade Agrícola da China (China)

2014 - Bolsista Estrangeiro da Academia Nacional de Ciências Agrícolas, Academia Nacional de Ciências Agrárias (Índia)

2014 - Doutor Honoris Causa, Universidade de Ciências Agronômicas e Medicina Veterinária de Bucareste (Romênia)

2014 - Doutor em Ciências (Honoris Causa), Instituto Indiano de Pesquisa Agrícola (Índia)

2014 - Professor Honorário, A Real e Veneravel Arquiconfraria da Ordem de Santa Maria de Jvrea Benedetina (Brasil)

2015 - Grau acadêmico de honorável Professor da Universidade AgroTécnica do Cazaquistão S. Seifullin (Cazaquistão)

2015 - Doutor Honoris Causa, Universitatis Russae Publicae Agrariae AACM Timiriazevianae (Rússia)

2015 - Doutor Honoris Causa, Universidade Agrícola de Tirana (Albânia)

2015 - Doutor Honoris Causa, Universidade Estadual de Baku (Azerbaijão)

2016 - Doutor Honoris Causa, Universidade de Liège (Bélgica)

2016- Doutor Honoris Causa em Filosofia, Universidade de Ciências Veterinárias e Animais, Universidade de Lahore (Paquistão)

2019- Doutor Honoris Causa, Universidade do Chile

Condecorações

Graziano da Silva também recebeu várias condecorações e adesões, incluindo:

2019 - Medalha Oriental República do Uruguai - Uruguai

2019 - Medalha Dr. Alvarado Barcellos Fagundes - Brasil

2019 - Ordem do Mérito no Campo Diplomático e Internacional - Eslovênia

2019 - Ordre national du Lion Commandeur - Senegal

2018 - Medalha de Primeira Classe da Cidadania por Mérito - Cabo Verde

2018 - Ordem dos Dois Niles do Governo do Sudão

2018 - Oficial da Ordem Nacional do Burkina Faso

2016- Commandeur de l'Ordre Nacional da República de Madagáscar

2015- Cavaliere di Gran Croce della Repubblica Italiana (Itália)

2014 - Membro do Board of Trustees do Khalifa International Date Palm Award

2013 - Doação do Título Principal SAOFA'I (Samoa)

2013 - Grande Oficial da Ordem Nacional do Benim (Benin)

2012 - Membro do Painel Global de Agricultura e Sistemas Alimentares para Nutrição

2011 - Homenagem por seu compromisso pessoal com a erradicação da fome no Brasil, Câmara dos Deputados, Brasília (Brasil)

2002 - Ordem do Rio Branco (Brasil)

Membro da Sociedade Brasileira de Economia Rural e Sociologia (SOBER). Vice-Presidente da SOBER (1997-2001)

Publications

José Graziano da Silva has published over 25 books in Portuguese, English and Spanish and contributed essays and book chapters to a number of national and international publications. He is a regular contributor to different media outlets and has been published by the Financial Times, Le Monde, Valor Economico, Huffington Post, among others. His books include:

  • Graziano Da Silva, J.; Del Grossi, M.; Galvão de França, C. “Zero Hunger (Fome Zero): The Brazilian Experience”. Rome. Brasilia. e 2012. 388 p.
  • Campanhola, C. e Graziano da Silva, J. Editores. “O Novo Rural Brasileiro”. Brasilia: EMBRAPA, 2004. v.1 a 7 (ISBN: 85-7383-242-8).
  • Takagi, Maya; Graziano Da Silva, J.; Belik, Walter. “Combate à fome e à pobreza rural”. São Paulo: Ed. Cromosete, 2002. v. 1. 254 p.
  • Grossi, Mauro Eduardo Del; Graziano Da Silva, J. “Novo Rural: Uma abordagem Ilustrada”. Londrina/Pr: Gráfica Editora do Norte Ltda., 2002.  V. 1. 53 P e V. 2. 49 P.
  • Graziano Da Silva, J. “O novo rural brasileiro”. 2 a. ed. Campinas/SP: Coleção Pesquisa. Editora Unicamp, 2002. V. 1. 151 p.
  • Graziano Da Silva, J.; Belik, Walter; Takagi, Maya. “Projeto Fome Zero: Uma proposta de política de segurança alimentar para o Brasil”. 3a. ed. São Paulo: Instituto Cidadania, 2001. v. 1. 118 p.
  • Graziano da Silva, J. (Organizador e Prefácio) “Questão Agrária, Industrialização e Crise Urbana no Brasil”. Ensaios de Ignácio Rangel. Editora da UFRGS, V. 1, 266 P.
  • Graziano Da Silva, J. “A nova dinâmica da agricultura brasileira”. 2a. ed. Campinas/SP: Unicamp, 1999. v. 1. 217 p.
  • Graziano da Silva, J.” Tecnologia e agricultura familiar”. Porto Alegre/RS: Editora da UFRGS, 1999. V. 1. 238 p.
  • Graziano da Silva, J. “O que é questão agraria”. 18. ed. São Paulo/SP: Editora Brasiliense, 1998. 114 p.
  • Graziano Da Silva, J. “De bóias frias a empregados rurais”. Maceió/AL: Editora EDUFAL, 1997. v. 1. 220 p.
  • Graziano Da Silva, J. “A irrigação e a problemática fundiária do nordeste”. Campinas/SP: UNICAMP/PRONI, 1989. 131 p.
  • Graziano Da Silva, J. “Para entender o plano nacional de reforma agraria”. São Paulo/SP: Editora Brasiliense, 1985. 103 p.
  • Graziano Da Silva, J. “Política agraria”. Porto Alegre/RS: Editor Mercado Aberto, 1985. 80 p.
  • Graziano Da Silva, J. “A modernização dolorosa”. Rio de Janeiro/RJ: Zahar Editora, 1982. 192 p.
  • Graziano Da Silva, J. “Estrutura agrária e produção de subsistência na agricultura brasileira (1978)”. 2. ed. São Paulo/SP: Editora Hucitec, 1981. 267 p.
  • Graziano Da Silva, J. “Progresso técnico e relações de trabalho na agricultura”. São Paulo/SP: Editora Hucitec, 1981. 210 p.
  • Queda, O.; Graziano Da Silva, J.; Kageyama, Angela. “Evolução recente das culturas de arroz e feijão no Brasil”. Brasília/DF: Editora Binagri, 1979. 90 p.

Personal life

A Brazilian and Italian by nationality, he is married to journalist and lawyer Paola Ligasacchi, and has two children - from a previous marriage - and five grandchildren. 

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