FAO e AMARC lançam entrevistas em áudio sobre agricultura familiar na região do Oriente Médio

Aproveitando a Conferência Regional do Oriente Médio (Sede da FAO, 24 a 28 de fevereiro de 2014), a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC) e a FAO lançaram duas entrevistas em áudio, em árabe, sobre a agricultura familiar local. O propósito dessas entrevistas é esclarecer os desafios e oportunidades ligados à agricultura familiar na região.

No Oriente Médio, a agricultura familiar representa mais de 80% das propriedades rurais. Por isso, ela desempenha um papel importante na segurança alimentar e na coesão socioeconômica da família em termos de emprego, moradia e status. Ela também garante o abastecimento dos mercados urbanos e gera oportunidades de mais empregos. Entretanto, atualmente a agricultura familiar enfrenta muitos desafios, como falta de acesso a insumos e mercados, que são cada vez mais dominados por grandes cadeias varejistas, condições climáticas extremas e crescente despovoamento rural. A adaptação a esses desafios é fundamental para garantir a segurança alimentar mundial e o desenvolvimento rural sustentável.

Estas entrevistas refletem as opiniões e recomendações dos participantes, apresentadas durante o Diálogo Regional do Oriente Próximo sobre agricultura familiar, realizado nos dias 20 e 21 de novembro de 2013, em Túnis, na Tunísia.  

Entrevistas em áudio (em árabe) e participantes

ÁUDIO 1 - Cooperativas de pequenas propriedades e instituições financeiras
Dr. Mustafa Jouili, PhD. em Economia e Professor da Faculdade de Ciências e Economia de Nabeul, na Tunísia

Nesta entrevista, o Dr. Mustafa Jouili incentiva a criação de cooperativas de pequenas propriedades e novas instituições locais para apoiar a agricultura familiar.  Mustafa Jouili menciona os desafios que os agricultores enfrentam na região e as principais recomendações feitas durante o Diálogo Regional do Oriente Próximo, incluindo:

Os mecanismos de financiamento representam um problema fundamental para os agricultores na Tunísia e no mundo em desenvolvimento. Em muitos casos, o sistema bancário não condiz com as necessidades e circunstâncias dos agricultores familiares, que, com frequência, são forçados a pegar empréstimos altos e podem se endividar facilmente. Uma recomendação decorrente das discussões foi a criação de novas instituições financeiras privadas com acesso mais flexível ao crédito, além de mais financiamentos do Estado e das associações de agricultura.

A fragmentação da terra resulta em pequenas áreas de terra sem desenvolvimento. A formação de cooperativas de pequenas propriedades daria aos agricultores acesso a áreas maiores de terra, o que é condizente com as técnicas de produção modernas. Além disso, o Dr. Jouili mencionou o aspecto legal e a necessidade de leis distintas sobre posse de terra e uso da terra.

Outras recomendações decorrentes do Diálogo Regional do Oriente Próximo são a ampliação e a melhoria da capacidade produtiva dos agricultores, a formação de organizações e associações agrícolas independentes e profissionais e o reposicionamento da agricultura familiar no centro das políticas agrícolas, ambientais e sociais dos programas nacionais, convocando os governos a intervirem de forma dinâmica e direta no apoio aos agricultores familiares

ÁUDIO 2 - Agricultura familiar no Sudão
Asmae Kadr Mekki, engenheira agrícola e Diretora do Departamento de Comunicação do Ministério da Agricultura do Sudão

Asmae Mekki destaca a importância da agricultura familiar no Sudão, a que ela se refere como o "celeiro do mundo". No Sudão, a agricultura familiar é o modelo para outros tipos de agricultura; ela gera colheitas para a família, mas também para a cidade, as cidades vizinhas e todo o país. Mekki comenta que a agricultura familiar é uma atividade compartilhada por toda a família (pai, mãe, tios e tias, avós etc.). Ela observa a importância dos Diálogos Regionais e das recomendações resultantes das discussões. Ela espera uma maior colaboração entre a FAO e as organizações e os agentes nos países como o Sudão para apoiar e proteger os agricultores familiares.