A agricultura familiar é a espinha dorsal da África: FAO e AMARC lançam entrevistas em áudio

Aproveitando a Conferência Regional para a África (Túnis, 24 a 28 de março de 2014), a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC) e a FAO lançaram quatro entrevistas em áudio, em inglês, sobre a agricultura familiar na região.

Na África subsaariana, quase 239 milhões de pessoas enfrentam graves consequências relacionadas à segurança alimentar e nutricional. A agricultura familiar é um modelo eficiente que pode oferecer soluções para a superação deste desafio. Durante o Diálogo Regional Africano sobre agricultura familiar (6 e 7 de novembro de 2013, Cidade do Cabo, África do Sul), os participantes identificaram ações específicas para promover uma colaboração efetiva e sustentável a fim de alcançar a segurança alimentar e nutricional no continente. Eles também reconheceram a agricultura familiar como um modo de vida que contribui para a transmissão intergeracional do conhecimento, a preservação do meio ambiente, dos recursos naturais e da herança cultural. Entretanto, ainda são necessários investimentos sustentáveis para financiar a agricultura e políticas agrícolas favoráveis aos agricultores familiares. As entrevistas que se seguem refletem as opiniões e recomendações dos participantes, apresentadas durante o diálogo.

Entrevistas em áudio (somente em inglês) e participantes

Áudio1 – Modernização da agricultura familiar e engajamento dos jovens 
Lily Musaya, Aliança das Mulheres da África subsaariana nos Agronegócios (WASAA) e Diretora de Projetos do Programa Liu Lathu (Malawi)

Agricultura familiar – Lily Musaya descreve a agricultura familiar como um método tradicional com uma longa história. Ela explica que, originalmente, a agricultura familiar era exclusivamente um meio de prover alimentos para as famílias. Porém, mais recentemente, as famílias africanas têm usado o método como fonte de renda. Segundo Lily Musaya, o conceito tradicional de agricultura familiar precisa ser modernizado; a agricultura familiar não é somente uma forma de alimentar os familiares próximos, mas tem potencial para ser um negócio de sucesso, que pode ter um impacto muito mais amplo.

Questões de gênero - As mulheres agricultoras na África devem poder assumir mais responsabilidades, num nível mais “empreendedor”. No entanto, Lily Musaya ressalta que é fundamental que as organizações de agricultores analisem as atuais questões de gênero nas comunidades onde os projetos serão implantados. Tradicionalmente, mulheres e homens africanos têm papéis diferentes na agricultura familiar; é crucial que isso seja levado em consideração para que os recursos sejam utilizados de forma efetiva. Os projetos devem ser adaptados de acordo com as estruturas e as necessidades da comunidade.

Engajamento dos jovens – O futuro da agricultura familiar depende dos jovens. Fazer com que a agricultura familiar seja mais atrativa para os jovens é crucial. Com as condições propícias, a agricultura familiar pode ser um negócio bem-sucedido e atrativo. A modernização e a mecanização da agricultura familiar também podem torná-la mais interessante para as gerações mais jovens. 

Áudio 2 – Promoção das cooperativas agrícolas e o papel das mulheres

Veronica Vries, Diretora Geral do Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca, África do Sul

Nesta entrevista, Veronica Vries destaca a importância de revelar o potencial de cada família para cultivar sua terra, referindo-se à iniciativa “uma família, uma horta”, na África do Sul. (Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca). Veronica Vries fala sobre uma época em que a maioria das famílias extraía seus alimentos do próprio quintal e como atualmente isso foi “terceirizado para os supermercados”. Ela menciona que os países têm trabalhado para encontrar formas de reconhecer e aprimorar a agricultura familiar e que o Diálogo Regional Africano é uma oportunidade de tirar as principais lições e elaborar uma mensagem forte que, em última instância, possibilite que a África garanta sua autossuficiência alimentar. Veronica Vries dá dois exemplos de como o potencial da agricultura familiar pode ser maximizado:

• Cooperativas agrícolas – se as famílias começassem a formar cooperativas, elas poderiam desempenhar um papel importante para alcançar a segurança alimentar.
• Mulheres – se as mulheres tivessem os mesmos recursos que os homens (acesso à terra, posse de terra e outros insumos), elas poderiam produzir alimentos suficientes para tirar milhões de pessoas da fome.

Áudio 3 – Desafios enfrentados pelos agricultores familiares africanos
Uma série de entrevistas curtas com participantes (agricultores e representantes da sociedade civil) durante o Diálogo Regional da FAO na África

Segundo os participantes do Diálogo Regional, os agricultores familiares enfrentam muitos desafios, dentre eles:

• Falta de apoio e investimento financeiro – Apesar de os agricultores representarem mais de 55% da população na África, o apoio e o investimento continuam baixos. Os insumos dos governos muitas vezes beneficiam agricultores comerciais em detrimento dos pequenos produtores e dos agricultores familiares. Além disso, também seria proveitoso dar aos agricultores um tipo de “kit de apoio inicial”.
• Políticas agrícolas incoerentes
• Acesso a mercados e preços injustos
• Falta de cooperação e participação – A maioria dos agricultores desconhece as políticas agrícolas nacionais. Os pequenos produtores e agricultores familiares deveriam estar mais envolvidos na elaboração das políticas, já que têm total consciência das suas necessidades e dos desafios que enfrentam.
• Falta de tecnologia e conhecimento – Mais investimentos devem ser feitos em tecnologia e acesso aos equipamentos mais modernos para ajudar os agricultores a atingirem todo o seu potencial. Além disso, os agricultores precisam estar atualizados sobre novos métodos, especialmente em face às mudanças climáticas.
• Mudanças climáticas – Os sistemas de cultivo precisam se adaptar às mudanças no clima.
• Migração urbana – Investir na juventude tornando a agricultura familiar mais atrativa para as gerações mais jovens.

Áudio 4 – Como tornar a agricultura familiar lucrativa na África subsaariana
Professor Wale Adekunle, Diretor de Parcerias e Alianças Estratégicas do Fórum para Pesquisa Agrícola na África

Nesta entrevista, o professor Wale Adekunle descreve a agricultura familiar como um sistema no qual a propriedade pertence a uma família e é transmitida de geração para geração. Na maioria dos casos, o trabalho é realizado diretamente pela família, apesar de também poder ser externo. Wale Adekunle ressalta que a agricultura familiar é praticada em todo o mundo e, em alguns casos, pode ser muito lucrativa. Entretanto, este não é o caso da África, onde a agricultura familiar é frequentemente associada à pobreza. Um dos principais desafios na África subsaariana é engajar os jovens tornando a agricultura familiar mais lucrativa na região.

 

 

26/03/2014