Governos da América Latina e do Caribe promovem o desenvolvimento da agricultura familiar para alcançar fome zero

Agricultura familiar aliada ao desenvolvimento rural local é uma das três prioridades estabelecidas pelos governos da região para o plano de trabalho da FAO.

Governos na América Latina e no Caribe demonstraram seu compromisso na luta contra a fome, estabelecendo a agricultura familiar como uma das três prioridades regionais do plano de trabalho da FAO, durante a Conferência Regional da Organização, realizada na semana passada, em Santiago do Chile.

Segundo uma nova publicação da FAO, o setor abrange mais de 16 milhões de propriedades agrícolas e 60 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe, o que, quando somado à sua contribuição em termos de emprego rural e produção de alimentos, faz dele um legítimo pilar da segurança alimentar.

“A agricultura familiar não se trata somente dos meios de subsistência das famílias rurais em condições de pobreza, mas é também uma área de segurança alimentar, parcerias e oportunidades para o desenvolvimento rural inclusivo”, enfatizou Nadine Heredia, primeira-dama do Peru, durante a Conferência Regional da FAO.

“Na América Latina e no Caribe, a erradicação da fome e o desenvolvimento sustentável estão essencialmente ligados à agricultura familiar”, explicou o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva.

O Ministro da Agricultura do Chile, Carlos Furche, destacou essa ligação durante o Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014, AIAF: “O governo chileno tem o objetivo de fortalecer os vínculos entre os pequenos agricultores e outros elos da cadeia, para agregar valor à produção deles”.

O Ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Carlos Casamiquela, também comentou: “Sessenta e cinco por cento dos produtores argentinos são agricultores familiares. Eles produzem vinte por cento do PIB agrícola, fazendo com que este seja um importante setor para o nosso país em termos de sociedade, economia, ocupação de terra e utilização da mão-de-obra”.

Mirna Cunningham, Embaixadora Especial do AIAF, citou a importância da agricultura familiar para os povos indígenas da região: “Ela é muito importante para os 40 milhões de habitantes da região, pertencentes a mais de 600 grupos indígenas, que ajudam a suprir os alimentos produzidos”.

Um pilar da segurança alimentar regional 

O novo livro Agricultura Familiar en América Latina y el Caribe: Recomendaciones de Política [Agricultura Familiar na América Latina e no Caribe: Recomendações sobre Políticas] inclui práticas recomendadas e experiências para ajudar os governos a planejarem políticas específicas para capacitar o setor a atingir seu potencial.

“A agricultura familiar é um setor fundamental para o alcance da erradicação da fome e uma mudança em prol de sistemas agrícolas sustentáveis na América Latina e no Caribe e em todo o mundo”, explicou Raúl Benítez, Representante Regional da FAO.

A agricultura familiar é um setor fundamental da produção agrícola no Caribe e a FAO vem apoiando os governos nesta subregião. “Oitenta e cinco por cento dos proprietários de terra em Barbados são agricultores familiares e o governo está prestando assistência aos pequenos produtores para ajudá-los a ter acesso a mercados. A FAO vem trabalhando conosco a fim de estabelecer nosso sistema de informações de mercado, que é crucial para vincular produção e demanda”, explicou David Estwick, Ministro da Agricultura de Barbados, durante a Conferência Regional.

O Ministro do Sistema Nacional de Produção, Consumo e Comércio da Nicarágua, Bosco Castillo, destacou que seu próprio governo também dedica atenção especial à agricultura familiar: “Na Nicarágua, porque oitenta por cento dos produtores são de pequena escala, nós nos concentramos neles em particular. Tentamos melhorar seus custos e lucros e criar as condições necessárias para seu desenvolvimento, como infraestrutura rodoviária, acesso à tecnologia, educação e saúde”

Estatísticas do setor

  • Representa 80 por cento das propriedades agrícolas da região
  • Contribui com porcentagens altas da produção: de 27 por cento, no Chile, a até 67 por cento, na Nicarágua
  • No âmbito nacional, ocupa entre 12 por cento e 67 por cento da terra dedicada à produção agrícola
  • Gera entre 57 por cento e 77 por cento 
21/05/2014