Exposição de agricultura familiar: uma experiência de aprendizado para os agricultores familiares e para a FAO

Agricultora Elisabetta Monti, sobre a agricultura em Trentino e o papel dos comitês locais na promoção do modelo de agricultura familiar e de pequena escala na Itália.

Durante as próximas três semanas, haverá uma pequena feira de agricultores familiares realizada pela FAO no pátio interno da organização. Dentre os produtos à venda há leguminosas, cereais, mel, biscoitos, geleias, azeite, peixe em conserva, patês de legumes, frutas secas e muito mais. As famílias e cooperativas envolvidas vêm de toda a Itália e têm diferentes histórias para contar.

A feira é uma excelente oportunidade para a FAO aprender mais sobre a agricultura familiar e de pequena escala italiana diretamente dos próprios agricultores, bem como para os agricultores de toda a Itália terem um importante contato com os departamentos técnicos da FAO e entre si.

Uma das agricultoras que esteve aqui na semana passada, Elisabetta Monti, falou sobre a propriedade agrícola de sua família, La Fonte Folgaria, em Trentino. Esta fazenda orgânica tradicional autossuficiente produz várias mercadorias, dentre elas infusões, legumes e frutas secas, sais aromáticos e de ervas, ervas medicinais (ervas/flores típicas da região de Trentino), além de leite, ovos, lã e carne.

Em seu tempo livre, Elisabetta também é uma participante ativa do Comitê de Trentino de Apoio ao Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 (“Comitato Trentino di Supporto all' Anno Internazionale dell' Agricoltura”).  Este comitê local nasceu do Comitê Nacional Italiano de Apoio ao AIAF, cujos objetivos incluem a promoção de um novo modelo para o desenvolvimento de cooperativas comunitárias e de agricultores, protegendo a biodiversidade e, sobretudo, garantindo uma distribuição mais igualitária e ampla dos produtos de agricultura familiar e de pequena escala.  O Comitê Italiano atuará como porta-voz junto às autoridades italianas para favorecer o modelo de agricultura familiar e de pequena escala, defendendo que a Itália desempenhe um papel mais ativo junto às instituições sediadas em Roma e outras instituições internacionais do setor de agronegócios. O Comitê Italiano também tem apoiado a Campanha Nacional de agricultura familiar e de pequena escala, que, por sua vez, tem defendido a elaboração de um arcabouço jurídico com foco especificamente na agricultura de pequena escala.

O comitê subregional de Trentino tem se concentrado nas realidades locais e soluções individualizadas para a área de Trentino (cada região tem seus próprios desafios). Elisabetta explicou que a iniciativa do Comitê concentra-se principalmente em três áreas:

1. A comunicação tem como foco informar os consumidores sobre as escolhas e responsabilidades que eles têm ao comprar produtos e os efeitos que essas escolhas têm em nossa saúde e no meio ambiente, bem como em outras pessoas e países. Além disso, as estratégias de comunicação destacam a importância da soberania alimentar, o direito das pessoas de definirem seus próprios sistemas alimentares.

2. Legislação – A redução e a simplificação do processo burocrático para os pequenos agricultores devem ser parte integrante do arcabouço jurídico referente à agricultura familiar e de pequena escala.

3. O levantamento de dados é uma primeira etapa fundamental para promover mudanças. Somente é possível elaborar e implantar políticas e leis quando há dados específicos disponíveis. Atualmente, o Comitê de Trentino está coletando dados sobre terras públicas e privadas abandonadas que já foram cultivadas. A ideia é levantar dados detalhados e, com base neles, defender a redistribuição dessas terras para jovens agricultores familiares.

Elisabetta acrescentou que esses comitês locais, conhecidos como “tavoli locali” (mesas locais), vêm crescendo na Itália. Eles têm provocado mudanças e também demonstrado um ponto central: a importância do envolvimento e da capacitação da comunidade para a melhoria das condições para os pequenos agricultores na Itália e em todo o mundo.

A feira de agricultores propicia o ambiente perfeito para a troca espontânea de ideias e informações entre a FAO e os agricultores locais. Elisabetta mencionou que a visita foi frutífera em vários sentidos.

Falando com a equipe de comunicação, ela aprendeu mais sobre o website do Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 e uma ampla gama de recursos disponíveis no kit de comunicação do AIAF, bem como a possibilidade de relacionar materiais locais relevantes para a fazenda dela e para o Comitê de Trentino na seção “From the Field” (“Do campo”) do website.

Elisabetta também espera informar-se sobre as políticas e leis bem-sucedidas de agricultura de pequena escala em outros países. Isso pode ser útil para orientar a proposta de arcabouço jurídico que a Campanha Nacional Italiana vem defendendo; ela está especialmente interessada nos casos da França e do Brasil.

A agricultora também esteve em contato com um funcionário do Departamento de Silvicultura especializado em produtos florestais não derivados de madeira, algo com que ela trabalha diariamente. Ele indicou publicações da FAO relevantes que reconhecem a importância das ervas e frutos silvestres, informações valiosas que, como ela afirmou, serão úteis para seu trabalho na lavoura.

A possibilidade de contato direto entre a FAO e os pequenos agricultores e agricultores familiares é extremamente valiosa para ambas as partes. Foi um prazer ver os representantes e funcionários da FAO interagindo e conversando com os agricultores familiares em meio a seus saborosos produtos. Como afirmou Elisabetta, essa deve ser a primeira de muitas feiras de agricultores da FAO, algo que poderia talvez se repetir na sede da FAO e nos escritórios regionais, com agricultores de outras partes do mundo.

Cada agricultor tem sua própria história para contar e há algo a ser aprendido com todas e cada uma dessas histórias.

18/06/2014