Mais de cem participantes de diferentes setores debatem a agricultura familiar em Moçambique

A FAO, com apoio da Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento e da Universidade E. Mondlane, organizou um seminário sobre agricultura familiar em Moçambique, em 11 de junho de 2014. O seminário fez parte das atividades do Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 e o principal objetivo foi promover o debate sobre o setor da agricultura familiar, que emprega 80% da força de trabalho do país. Mais de cem participantes, representando membros das associações de agricultores e produtores, o setor privado, o meio acadêmico, a sociedade civil, parceiros de desenvolvimento e agências da ONU, estiveram presentes.

Os tópicos debatidos concentraram-se na caracterização e dinâmica do setor da agricultura familiar em Moçambique, na importância do setor privado para os agronegócios e as cadeias de valor, no papel das instituições de financiamento e crédito, nas políticas públicas que promovam o setor e no papel das associações de agricultores no desenvolvimento da agricultura familiar. As Diretrizes voluntárias sobre a governança responsável da posse de terra, pesca e florestas também foram discutidas e ficou clara a necessidade de mais conscientização para a sua implantação em todos os níveis e em diferentes setores. O papel das mulheres na agricultura familiar foi destacado, considerando-se que a atividade agrária emprega 90% da força de trabalho feminina no país (Censo Agrícola 2009/2010).

Foi mencionado que o setor da agricultura familiar não tem sido prioridade na alocação de recursos dos setores público e privado. Além disso, nas últimas décadas, não houve mudanças estruturais significativas no setor, apesar de terem sido compartilhados alguns exemplos positivos de iniciativas das associações de agricultores e suas ligações com os mercados  por meio de parcerias com o setor privado.  Moçambique ainda tem desafios significativos para conquistar a segurança alimentar e nutricional. Por isso, uma das conclusões do seminário foi que a agricultura familiar deve ser prioridade nas políticas públicas agrárias, ambientais e sociais.

A partir dos debates, observou-se que, a fim de melhorar a agricultura familiar no país, algumas medidas a serem tomadas são: fortalecimento dos movimentos associativos entre produtores, acesso ao crédito, bem como acesso a inovações tecnológicas para aumentar a produção e garantir a segurança alimentar.

De forma geral, esses valiosos debates ressaltaram a necessidade de promover mais oportunidades para o diálogo em que diferentes visões, interesses e demandas da agricultura familiar possam ser apresentados e discutidos. A FAO, a ONU Mulheres e outros parceiros comprometeram-se a continuar apoiando atividades semelhantes para destacar a importância da agricultura familiar em prol do desenvolvimento de Moçambique.