Silvicultura familiar é agricultura familiar

Reconhecimento do papel vital da silvicultura familiar em comemoração do Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014

O objetivo do evento paralelo “Silvicultura familiar é agricultura familiar”, realizado em 26 de junho na sede da FAO, durante o Comitê sobre Silvicultura (COFO 22), foi destacar a relevância da silvicultura familiar no contexto do AIAF. As florestas familiares e as famílias silvicultoras são elementos fundamentais na gestão sustentável das florestas e nas economias rurais nacionais. Na primeira sessão, o Mecanismo Florestal e Agrícola (Forest and Farm Facility, FFF) e a Aliança Internacional de Silvicultura Familiar (International Family Forestry Alliance, IFFA) trouxeram as vozes dos silvicultores familiares para o COFO, para comemorar o AIAF.

O evento paralelo foi aberto por Eva Muller, diretora do Departamento de Silvicultura da FAO, Francesco Pierri, coordenador do AIAF, e Peter deMarsh, Presidente da Aliança Internacional de Silvicultura Familiar (IFFA).

QUATRO CONDIÇÕES PROPÍCIAS ESSENCIAIS:

Nos comentários de abertura, Peter deMarsh ressaltou as quatro condições propícias essenciais necessárias para que os silvicultores familiares atinjam todo seu potencial. Ele contou ao público que, quando os agricultores são abordados e encorajados a plantar árvores, eles fazem quatro perguntas:

1. Eu serei o dono da árvore na época da colheita?
2. Poderei vender meus produtos florestais?
3. Terei acesso a informações sobre como cultivar as árvores e cuidar delas?
4. Terei uma boa associação para me representar? E como garantir que as questões de 1 a 3 tenham sido implantadas e continuem existindo no futuro?

Como Peter deMarsh explicou, essas perguntas refletem as condições propícias essenciais: garantia de posse; acesso justo ao mercado; serviços públicos de apoio, educação e extensão; e organizações eficientes de produtores florestais.

SESSÃO 1 – TROCA DE CONHECIMENTO/EXPERIÊNCIA E A IMPORTÂNCIA E O PAPEL DA SILVICULTURA FAMILIAR

Durante a primeira sessão, palestrantes de organizações de produtores indígenas, comunitários e de pequenas propriedades, representando silvicultores familiares da Libéria, do Nepal, de Gâmbia, da Guatemala e do México, ressaltaram os sucessos e desafios enfrentados pelas comunidades florestais em seus respectivos países.

O reverendo Robert Saa Molly Bimba, coordenador nacional da Rede de Sindicatos de Agricultores (FUN) da Libéria, declarou que “as relações entre a agricultura e a silvicultura devem ser promovidas e apoiadas, especialmente no contexto do AIAF, porque as florestas e as famílias estimulam as economias, promovem a coesão social e possibilitam o desenvolvimento rural. Os pequenos produtores são a chave e têm as respostas para essas questões; terra, florestas e alimentos são todos interligados e interdependentes e não devem ser considerados separadamente”. Robert Bimba também afirmou que os agricultores deveriam ser envolvidos na elaboração de programas específicos e na subsequente implantação desses programas: “se os agricultores estiverem envolvidos no processo de concepção, eles irão se sentir responsáveis”.

Representando as mulheres da FUN, Ethel Wion destacou o duplo papel das mulheres na produção de alimentos e nos cuidados com a família. Ela também enfatizou a importância das florestas para alimentação, abrigo, atividades de recreação e energia.

Apsara Chapagain, presidente da Federação de Usuários de Silvicultura Comunitária (FECOSUN) central do Nepal, falou sobre as florestas comunitárias e sua importância no Nepal. A missão da FECOSUN é promover e proteger os direitos dos usuários das florestas comunitárias com fortalecimento de competências, capacitação econômica, gestão sustentável de recursos, apoio técnico, defesa e lobby, desenvolvimento de políticas e redes nacionais e internacionais, além da defesa dos valores de democracia inclusiva, igualdade entre homens e mulheres e justiça social.

Alagie Basse Mboge, presidente da Plataforma Nacional de Agricultores de Gâmbia (NFPG), ressaltou a relevância das associações de agricultores, onde os agricultores podem assumir o papel de liderança. Em Gâmbia, essas associações possibilitam que os agricultores unam forças, podendo negociar melhores preços, dividir custos de transporte para as cidades para vender seus produtos e trocar experiências. Alagie Mboge destacou a importância de garantir uma formação básica para os agricultores; ele comentou que muitos agricultores em Gâmbia nem sabem medir ou pesar seus produtos.

Manuel Garcia, presidente do Conselho Diretivo da Confederação Nacional de Organizações de Silvicultores (CONOSIL), complementou explicando o trabalho do CONOSIL: “nosso objetivo é promover avanços concretos para as famílias, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida de nossos membros e de suas famílias”. Ele explicou que o CONOSIL atua em três frentes, concentrando-se em pesquisa, em políticas e na organização dos agricultores.

Grecia Magdalena López Paralta, representando o grupo de produtoras de ramón, da Associação de Comunidades Florestais de Petén (ACOFOP), compartilhou sua experiência e informações sobre a noz de ramón, um produto orgânico que tem um impacto muito baixo nas florestas tropicais onde cresce. O grupo de produtoras tem o objetivo de promover uma abordagem voltada para o gênero, aumentar a produtividade e o acesso ao mercado, promover o consumo da noz e, principalmente, melhorar as condições de vida dos agricultores. O principal desafio que essas comunidades enfrentam é a falta de maquinário para processar o produto e comercializá-lo com sucesso.

Finalmente, está claro que são necessárias soluções individualizadas nos diversos contextos e regiões em todo o mundo. Entretanto, também está evidente que os agricultores no mundo todo enfrentam desafios semelhantes de garantia de posse, acesso a mercados, acesso a informações e necessidade de representação e organização em associações.

NOSSA FLORESTA, NOSSO FUTURO, NOSSO MEIO DE SUBSISTÊNCIA FAMILIAR”

Como concluiu Robert Bimba, “os agricultores precisam ser capacitados por meio dessas organizações, precisam fazer seu próprio trabalho e gerar sua própria renda”. É essencial que a dignidade do trabalho agrícola seja respeitada e valorizada.