Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO
©FAO/Max Toranzos

+Algodão

Estima-se que cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo desenvolvam atividades econômicas relacionadas ao algodão, uma das 20 commodities mais importantes do mercado mundial em termos de valor. 

Na América Latina, a produção de algodão é desenvolvida em muitos países por agricultores familiares. Na campanha 2017/18, 13,4 milhões de hectares foram plantados na região, o que representa 17,7 milhões de toneladas de fibra produzida por pequenos e grandes produtores (ICAC, 2020). 

Segundo informações obtidas pelo projeto + Algodão, em 2019, eram contabilizados 131,5 mil produtores de algodão na região, dos quais 77% são agricultores familiares. 

Na região da América Latina, o cultivo do algodão data de milhares de anos, sendo uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo, representando um importante setor para o sustento de milhões de famílias de agricultores por meio da geração de emprego e renda, além de contribuir fortemente para a segurança alimentar, principalmente nos países em desenvolvimento.

Para promover o desenvolvimento sustentável da cadeia do algodão na região, o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC / MRE), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e sete países parceiros - Argentina, Bolívia, Equador, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru - uniram forças para implementar o projeto de cooperação sul-sul trilateral + Algodão. Lançada em 2013, esta iniciativa já investiu mais de US $ 10 milhões em ações regionais e nos países parceiros, por meio de recursos financeiros do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e recursos técnicos e humanos de instituições parceiras brasileira e dos países. 

Por meio desta Cooperação, são geradas oportunidades de troca de conhecimentos e experiências, fomentado o acesso a mercados, promovidas inovações tecnológicas e de gestão agrícola, a partir de uma perspectiva de sistemas agroalimentares, onde os sistemas diversificados de produção contribuem para a segurança alimentar e nutricional das famílias algodoeiras nos territórios mais vulneráveis. Além de ser uma oportunidade para negócios inovadores em países parceiros. 

Para isso, +Algodão mobiliza uma rede regional de mais de 70 instituições do setor público e privado, unindo esforços para tornar a cadeia de valor do algodão competitiva e posicionar-se como um setor fundamental na região para promover melhores condições de vida às famílias agricultoras.

Algodão sustentável

O projeto +Algodão promove sistemas de produção sustentáveis ​​e inclusivos, desde uma perspectiva integral da cadeia de valor do algodão para a promoção do desenvolvimento rural, promovendo a agregação de valor, o comércio justo e a promoção do sistema agro têxtil. 

Diversidade de parceiros estratégicos

Vários atores estão envolvidos nesta cooperação internacional, fornecendo assistência técnica para fortalecer a cadeia de valor do algodão nos países parceiros. Representantes de governos, extensionistas, pesquisadores, universidades e representantes de agremiações e cooperativas de agricultores e do setor têxtil: todos trabalham juntos para promover não só a produção de algodão, mas também para fortalecer seus conhecimentos, promover inovações tecnológicas e apoiar a expansão dos espaços de comercialização da fibra e dos produtos transformados como artesanato, entre outros coprodutos do sistema de produção da agricultura familiar. 

Para isso, são gerados estudos de análise e boas práticas; visitas de campo; cursos presenciais e virtuais; entrega de insumos como sementes; e geração de novas tecnologias adaptadas à cotonicultura familiar como maquinários, entre outros. 

A inovação tecnológica desempenha um papel central nas ações do projeto +Algodão nos países parceiros. São exemplos o uso de drones no Equador, o protótipo de maquinário desenvolvido pela Embrapa, a colheita mecanizada no Peru, a plataforma Lazos de Assistência Técnica e Extensão Rural e capacitação no Paraguai, as máquinas de desmonte de algodão no Paraguai e Equador, entre outros. 

Por meio de suas ações, +Algodão busca contribuir para a segurança alimentar; a erradicação da pobreza rural e da fome, a promoção da igualdade de gênero e da autonomia das mulheres agricultoras; o trabalho decente; o reconhecimento dos povos indígenas e sua relação com o algodão nativo; e o crescimento econômico, produção e consumo responsáveis, metas que integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Mulheres de algodão

O importante papel desempenhado pelas mulheres rurais algodoeiras é um dos eixos transversais do projeto, tendo em conta as múltiplas contribuições que estas mulheres oferecem não só na cultura do algodão ou na criação de animais mas, também, na transformação, por meio da atividade de artesanato e comercialização, bem como na segurança alimentar de suas famílias, com o consórcio de lavouras alimentares. 

Além da abordagem de gênero, o projeto +Algodão possui outros eixos transversais importantes como os povos indígenas, a juventude rural e as mudanças climáticas, devido à importância que têm no desenvolvimento rural dos países parceiros. 

Mercados e cadeias de valor

Para ampliar as oportunidades de comercialização para os produtores de algodão, o projeto +Algodão desenvolveu diversas ações regionais e nacionais para promover produtos e coprodutos do “sistema agro têxtil”, a partir de experiências de campo e comerciais. O objetivo é conectar esses agricultores a mercados sustentáveis, resgatando o valor intrínseco da agricultura familiar e possibilitando a geração de renda. As ações visam: gerir o abastecimento do sistema algodoeiro para fortalecer as cadeias de valor nos países parceiros do +Algodão, motivando, incentivando a participação do setor privado para a articulação de clusters produtivos. 

Ações em desenvolvimento: 

Ação tática de choque: criação de perfis de negócios para venda.

• Oportunidades comerciais para fibras e sementes

• Complementaridade das fibras para fiação e tecelagem da região.

Ação tática de desenho: identificar o segmento de clientes e o modelo de negócios

• Oficina de design de produtos artesanais latino-americanos

• Nichos para algodão colorido, certificado e sustentável da agricultura familiar

• Extratos de algodão nativo para cosméticos e oleoquímica.

Caixa de ferramentas de mercados sustentáveis:

• Gestão de políticas de preços, inclusão financeira e gestão de riscos para pequenos produtores

• Formulação de projetos de reativação econômica (priorizando a associatividade)

• Fortalecimento das exportações de fibras da América Latina com Medidas Sanitárias e Fitossanitárias.

• Conectividade com propósito e rodadas de negócios (ALADI, ICAC, Microsoft e agências de promoção).

Eixos conceituais do projeto +Algodão

Tecnologias sustentáveis: Promoção do cultivo sustentável e integrado a partir do fortalecimento das capacidades dos técnicos, instituições, produtores e produtoras. O objetivo é promover sistemas de produção rentáveis, com menor impacto ambiental e uso racional de solo, água e fertilizantes, recuperando a biodiversidade.

Alianças estratégicas: Criação de espaços de diálogo para parcerias públicas e / ou público-privadas, integrando várias instituições na construção de políticas, programas e ações em benefício da agricultura familiar e do cultivo do algodão para recuperar a competitividade do setor e o desenvolvimento sustentável dos territórios.

Inovação social: Promoção da competitividade do setor e criação de capacidades em mulheres, homens e jovens, por meio de ferramentas de informação, gestão de recursos e fortalecimento de modelos organizacionais. Tem como foco a promoção de sistemas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) melhorados, mais inclusivos e integrais e modelos associativos entre os países parceiros.

Mercados inclusivos: Promover o desenvolvimento de mercados que contribuam para o aumento de empregos e renda de qualidade na cadeia de valor do algodão, melhorando a segurança alimentar das famílias. Trabalha-se para reposicionar o algodão de forma diferenciada e com valor agregado nos mercados local, regional e internacional, por meio de boas práticas de produção e comercialização, certificações de sustentabilidade, entre outros.

Principais ações desenvolvidas nos países parceiros

Participantes do projeto 

  • Governos nacionais e governos locais;
  • Agricultores/as;
  • Pesquisadores/as e técnicos/as de extensão;
  • Juventude rural;
  • Povos originários
  • Associações e cooperativas;
  • Universidades, escolas agrícolas e centros de pesquisa;
  • Parceiros nos países e do Brasil.

Instituições Cooperantes Brasileiras:

  • Associação Brasileira de Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ASBRAER)
  • Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA)
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)
  • Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (EMATER-PB)

Princípios orientadores da Cooperação Sul-Sul Trilateral

  • Igualdade entre os parceiros;
  • Benefício mútuo;
  • Não-interferência dos países cooperantes nos assuntos de outros Estados;
  • Voluntariedade e resposta às prioridades dos países em desenvolvimento.

Resultados esperados

As instituições públicas dos países parceiros dotadas de novas capacidades e os níveis de coordenação fortalecidos e ampliados (público e público/privado) para apoiar o desenvolvimento e organização geral da cadeia do algodão, com ênfase nos sistemas de produção de algodão das famílias produtoras, trabalhando para alcançar o impacto de "Contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor algodoeiro nos países parceiros".

Comunicação

O projeto + Algodão conta com diversos materiais de comunicação digital e impressos (distribuídos em eventos e encontros regionais), registros fotográficos, notícias e divulgação na rede social Twitter.

Nos recursos audiovisuais, neste link aqui, é possível acessar a lista de vídeos produzidos no âmbito do projeto.