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FAO in Mozambique

FAO- Promovendo Dietas Apropriadas, Nutrição e Práticas saudáveis para Melhorar a Vida das Populações Rurais em Moçambique

Juliana, uma das beneficiárias do programa da FAO e seu filho
01/03/2019

Os actuais índices de desnutrição crónica em Moçambique (43% de crianças dos 0-5 anos) são preocupantes para o Governo de Moçambique, portanto, a redução da desnutrição crónica é uma das principais prioridades.

A FAO, com financiamento da União Europeia no âmbito do programa "Apoio para Acelerar o Progresso para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio 1c (ODM1c), está a implementar uma abordagem sobre educação nutricional e comunicação para mudança social e de comportamento integrado com hortas (CMSC) em Moçambique.

O objectivo é promover dietas e práticas de saúde adequadas para uma melhor nutrição, integradas com a promoção do aumento da produção de frutas, e produtos alimentares de origem vegetal e animal nas comunidades rurais para aumentar o potencial de lidar com as deficiências de micronutrientes.

Este programa contribui directamente para os esforços nacionais para a redução dos níveis muito elevados de desnutrição crónica no país.

Na província da Zambézia, mais de 10.000 mulheres foram abrangidas por este programa. Após 5 anos da implementação, a FAO em parceria com o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) realizou recentemente um seminário provincial na Zambézia com vista a apresentar os resultados e partilhar as lições aprendidas da Componente de Educação Nutricional e Hortas Caseiras.

Esta é uma das estratégias de saída do sub-programa da FAO para garantir que o governo e parceiros na província tenham conhecimento das actividades desenvolvidas e sobre os resultados alcançados. Com isto, pretende-se que as boas práticas e lições aprendidas sejam incorporadas e implementadas nos planos do Governo para a melhoria da situação nutricional na província.

Mais de 70 pessoas representando altos funcionários do governo dos níveis distrital e provincial, outras agências das Naçoes Unidas e organizações não-governamentais que trabalham na província participaram do seminário.

Um bebé saudável com 4kg nasceu dentro do programa

Desta reunião, participaram mulheres beneficiárias do programa que partilharam suas histórias de vida que se transformaram após a intervenção do programa.

Juliana João é mãe de 3 filhos e já tem exemplos claros do que as lições aprendidas trouxeram de bom para si e sua família.
"Antes de entrar no programa tive 2 filhos que nasceram com baixo peso. A minha mãe dizia que por tradição da família não podia ir ao hospital porque a mulher podia ser operada. Aprendi no programa sobre a nutrição e cuidados a ter na gravidez e com o bebé" afirma.

Elton Elcídio, agora com um ano e sete meses nasceu com a mãe dentro do programa da FAO quebrando o anterior histórico de nascimentos com baixo peso na família. Elton nasceu com 4 quilos para a surpresa dos pais e se alimenta do leite materno e das papas enriquecidas, com vegetais, peixe, ovos, amendoim e outros produtos locais, que Juliana aprendeu a preparar no programa da FAO.

"Os meus primeiros filhos não se alimentavam bem porque eu não tinha conhecimento de como poderia alimentá-los, apenas servia-lhes farinha de mandioca seca ao almoço com verduras, não havia pequeno almoço e nem lanches. Servia no mesmo prato e comíamos todos juntos, conta.

"Sobre a nutrição aprendi como se deve alimentar uma mulher grávida e lactante, esta deve ter uma boa alimentação, pelo menos três refeições que incluem um alimento de cada um dos 4 grupos de alimentos por dia, conta Juliana.
Juliana conta que pelas boas mudanças, o seu marido também se juntou a ela nas sessões onde também aprendeu sobre higiene e saneamento da casa e também alimentação diversificada.

"O meu marido gostou muito do programa. Quando fico sem preparar as papas para o nosso filho ele faz questão de me recordar. Vamos juntos às terças-feiras e aprendemos juntos".

Através da componente de Educação Nutricional e Hortas Caseiras, a mãe do pequeno Elcídio já produz alimentos diversificados para preparar as suas refeições. Nela produz milho, batata doce de polpa alaranjada, feijão bioforticado com ferro e zinco, couve, tomate e cebola".

O programa já está na sua recta final, mas Juliana pretende continuar a partilhar o que aprendeu. "Vamos ensinar as outras mães da nossa comunidade, a maioria já aprendeu as novas práticas e já estão a ensinar a outras mulheres.

A integração multisectorial (saúde, agricultura e educação) foi um factor chave para trabalhar com as comunidades

Para a implementação deste programa, a FAO trabalhou em parceria com as Direcções Provinciais e técnicos distritais da Agricultura, Saúde e Educação para que de forma integrada as acções pudessem ter mais impacto nas comunidades.
Alfredo Coutinho é técnico de nutrição no Governo Distrital de Alto Molócue, Província da Zambézia, e dá nota positiva ao projecto.

"Foi uma boa estratégia, integrar o Governo reconhecendo que nós é que trabalhamos com a comunidade no dia-a-dia. Tudo que é feito sobre nutrição acaba sempre reflectindo na saúde das comunidades".

Coutinho considera que é preciso antes de trabalhar com uma comunidade procurar se integrar, conhecer os seus hábitos e de uma forma passiva, negociar para corrigir o que não está bem.

"Para quem vai a uma comunidade nova é importante saber quem são os líderes e as pessoas influentes e explicar a eles primeiro a informação que se quer passar à comunidade. Quando é assim é fácil convencer a comunidade. É muito importante que os pais, maridos e avós estejam na passagem da informação".

Antes do fim do programa, previsto para Junho de 2019, espera- se que seja alcançado um consenso na elaboração de um plano conjunto entre a FAO e o Governo para a entrega e seguimento das actividades em outros pontos do país.