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Comité de Segurança Alimentar Mundial debate os desafios da fome

Plataforma internacional promove políticas convergentes para uma maior segurança alimentar

Foto: ©FAO/Alessia Pierdomenico
O Comité de Segurança Alimentar Mundial foi criado em 1974 pelas Nações Unidas para a análise e o acompanhamento das políticas de segurança alimentar.

Roma, 7 de outubro de 2013 - O Comité de Segurança Alimentar Mundial, a plataforma intergovernamental e multi-atores mais importante do mundo para a segurança alimentar e nutricional, iniciou a sua 40ª sessão (CSA 40) na sede da FAO, entre apelos urgentes para o desenvolvimento de vínculos mais eficazes entre as políticas internacionais e as necessidades diárias de milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo.

"As últimas estimativas apontam para cerca de 30 milhões de pessoas a menos em situação de fome a nível mundial em 2013, em comparação com o ano passado", afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva. "Vamos continuar a progredir no sentido de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio sobre a fome, de reduzir para metade a percentagem da população subnutrida, entre 1990 e 2015."

"Temos muitos desafios pela frente, mas também podemos observar o progresso e as experiências bem-sucedidas que podemos continuar a desenvolver", acrescentou Graziano da Silva. "Estamos convencidos de que trabalhar em conjunto é o único caminho a seguir."

"Trabalhando com espírito de confiança e responsabilidade mútua, os múltiplos atores deste Comité colaboram para resolver algumas das questões mais complexas que impedem que todas as pessoas sejam capazes de viver em segurança alimentar", afirmou David Nabarro, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Segurança Alimentar e Nutricional. "As questões-chave incluem a posse da terra, a mitigação e adaptação às alterações climáticas, a volatilidade dos preços dos alimentos e os biocombustíveis."

Durante a semana, ao longo da sessão do CSA, foram programadas duas mesas-redondas que se vão centrar, respetivamente, sobre os biocombustíveis e a segurança alimentar, e o investimento na agricultura familiar para a segurança alimentar e nutricional.

Espera-se que as mesas-redondas deem origem a consultas e negociações que resultem em recomendações de políticas amplamente aceites sobre estas questões.

"A pobreza e a fome andam de mãos dadas e a pobreza é mais profunda nas áreas rurais. Não nos esqueçamos de que as áreas rurais são um elemento-chave de qualquer nova agenda para o desenvolvimento e a segurança alimentar global. Não nos esqueçamos de que o investimento na agricultura familiar é a estratégia mais eficaz para os países em desenvolvimento combaterem a pobreza e a fome", afirmou Kanayo F. Nwanze, Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Outras iniciativas incluem o desenvolvimento de um programa de ação para enfrentar a insegurança alimentar em situações de crise prolongada e o desenvolvimento de diretrizes para os investimentos agrícolas responsáveis.

"O mundo precisa de um CSA forte e eficaz", afirmou Ertharin Cousin, Diretora Executiva do Programa Alimentar Mundial (PAM). "Juntos assumimos uma enorme responsabilidade, a nossa carga é leve quando comparados com o sofrimento de 840 milhões de pessoas cronicamente subnutridas, que dependem de nós para lhes darmos uma solução."

A 40ª sessão do CSA iniciou-se uma semana depois de um relatório da ONU sobre a fome ter apontado para uma redução generalizada da desnutrição, embora com resultados mistos entre regiões e países na luta contra as formas mais graves e prolongadas de privação de alimentos.

Os números da fome

O relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo estima que 842 milhões de pessoas no mundo se encontravam em situação de fome crónica no período de 2011-13. Este número está abaixo dos 868 milhões de pessoas com fome no período de 2010-12, e representa uma queda de 17 por cento em relação a 1990-1992.

A nível regional, apesar das melhorias impressionantes em alguns países da África subsaariana, cerca de uma em cada quatro pessoas estão ainda em situação de desnutrição, enquanto a Ásia oriental, o sudeste asiático e a América Latina registaram melhorias mais substanciais.

Cerca de 75 por cento das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais e dependem principalmente da agricultura para a sua subsistência.

Entre os participantes do CSA 40 figuram ministros e vice-ministros da Agricultura de todo o mundo, que estavam também em Roma para participar num evento separado, a Segunda Reunião Ministerial sobre os preços internacionais dos alimentos.

À margem da sessão plenária do CSA, estão programadas mais de 30 eventos paralelos que lidam com um vasto leque de questões relacionadas com a segurança alimentar e nutricional. A agenda foi estabelecida por vários governos e organizações, incluindo a sociedade civil e o setor privado.