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Fome no mundo regride, mas 842 milhões de pessoas são ainda vítimas da fome

Apesar dos progressos nos países em desenvolvimento, são necessários mais esforços para atingir os ODM

Foto: ©FAO/Olivier Asselin
Mesmo quando os níveis de fome são baixos, a desnutrição pode causar problemas de saúde, sociais e económicos.

Roma, 1 de outubro de 2013 – De acordo com um relatório publicado pelas agências especializadas das Nações Unidas para a alimentação, cerca de 842 milhões de pessoas, uma em cada oito, encontravam-se em situação de fome crónica no período de 2011-13, o que significa que não consumiam alimentos suficientes para terem uma vida saudável e ativa.


O número está abaixo dos 868 milhões de pessoas com fome no período de 2010-12, de acordo com o relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo, publicado anualmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Programa Alimentar Mundial (PAM). A grande maioria destas pessoas vive em regiões em desenvolvimento, enquanto 15,7 milhões se encontram nos países desenvolvidos.


O crescimento económico estável nos países em desenvolvimento tem resultado numa melhoria geral dos rendimentos e do acesso aos alimentos. A recente retoma do crescimento da produtividade agrícola, devido a um maior investimento público e a um interesse renovado por parte de investidores privados na agricultura aumentou, por sua vez, a disponibilidade de alimentos.


Além disso, em alguns países, as remessas dos trabalhadores migrantes têm desempenhado um papel importante na redução da pobreza, melhorando a nutrição e a segurança alimentar. Têm também ajudado a impulsionar os investimentos dos pequenos proprietários ao nível da produtividade.


Diferenças marcantes


Apesar dos progressos alcançados a nível mundial na redução da fome, persistem ainda diferenças significativas. Na África subsaariana registaram-se apenas progressos modestos nos últimos anos, continuando a ser a região do mundo com a maior prevalência de desnutrição crónica, com cerca de um em cada quatro africanos (24,8 por cento) em situação de fome.


Não se observaram progressos recentes na Ásia Ocidental, mas no Sul da Ásia e no Norte de África houve algumas melhorias. Reduções mais significativas quer no número de pessoas que sofrem de fome, quer na prevalência da desnutrição crónica, foram observadas na maioria dos países da Ásia oriental, sudoeste asiático e na América Latina.


Desde 1990-92, o número total de pessoas cronicamente desnutridas nos países em desenvolvimento diminuiu 17 por cento, de 995.5 milhões para 826.6 milhões de pessoas.


Objetivos de redução da fome


Mesmo que a tendência não seja uniforme, as regiões em desenvolvimento como um todo fizeram progressos significativos no sentido de alcançar a meta de reduzir para metade a percentagem de pessoas que sofrem de fome até 2015. Esta meta foi acordada no plano internacional como parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Se a queda média anual que se tem verificado desde 1990 se mantiver até 2015, o nível de prevalência da desnutrição crónica ficará perto da meta dos ODM.


A meta mais ambiciosa definida na Cimeira Mundial da Alimentação (CMA) em 1996, de reduzir para metade o número de pessoas com fome até 2015, não será cumprida a nível global, apesar de 22 países até o momento a terem atingido em 2012.


A FAO, o FIDA e o PAM apelaram aos países para fazerem “mais esforços consideráveis e imediatos” de forma a atingir as metas dos ODM e da CMA.


“Com um derradeiro esforço durante os próximos dois anos, ainda seremos capazes de atingir a meta dos ODM”, afirmaram no prefácio do relatório José Graziano da Silva, Kanayo F. Nwanze e Ertharin Cousin, os respetivos chefes da FAO, do FIDA e do PAM. Defendem, por isso, intervenções centradas na nutrição e nos sistemas agrícolas e alimentares, bem como na saúde pública e na educação, especialmente para as mulheres.


“As políticas que visam aumentar a produtividade agrícola e a disponibilidade de alimentos, especialmente quando dirigidas aos pequenos agricultores, podem reduzir a fome, mesmo na presença de pobreza generalizada. Quando combinadas com medidas de proteção social e com outros mecanismos que visem aumentar os rendimentos dos agregados familiares mais pobres, podem ter um efeito ainda mais positivo e promover o desenvolvimento rural, através da criação de mercados dinâmicos e de oportunidades de emprego, resultando num crescimento económico equitativo”, afirmaram os chefes das agências da ONU.


São necessárias políticas que visem os mais pobres


O relatório destaca que o crescimento económico é essencial para os progressos na redução da fome. No entanto, por si só, este não é uma garantia de mais e melhores empregos e rendimentos para todos, a não ser que sejam dirigidas políticas especificamente às camadas mais pobres da população, especialmente nas áreas rurais.


“Nos países pobres, a redução da fome e da pobreza só será alcançada através de um crescimento não apenas sustentado, mas também generalizado”, de acordo com o relatório.


Malnutrição e desnutrição crónica


O relatório da ONU não mede apenas a fome crónica, também apresenta um novo conjunto de indicadores que captam as múltiplas dimensões da insegurança alimentar, proporcionando uma imagem mais diferenciada para cada país. Em alguns países, por exemplo, a prevalência da fome pode ser baixa, mas as taxas de malnutrição podem ser altas, como demonstram as percentagens de crianças com baixa estatura para a idade ou com baixo peso, e cuja saúde e o desenvolvimento futuro estão assim comprometidos. Estas distinções são importantes para melhorar a eficácia das medidas para reduzir a fome e a insegurança alimentar em todas as suas dimensões.


As conclusões e recomendações do SOFI 2013 serão consideradas por governos, sociedade civil e setor privado de 7 a 11 de outubro na reunião do Comité de Segurança Alimentar Mundial que se vai realizar na sede da FAO em Roma.