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O comércio global de pescado atinge níveis recordes

Os pescadores e aquicultores de pequena escala precisam de apoio para aceder a mercados regionais e internacionais

Foto: ©FAO Aquaculture Photo Library
As projeções para 2013 indicam que os aquicultores produzem 70 milhões de toneladas de pescado, 44% da produção total mundial

Bergen/Roma, 21 de fevereiro de 2014 – Segundo a FAO, o aumento do comércio global de pescado está a gerar mais riqueza do que nunca, mas os países devem ajudar os pescadores e aquicultores de pequena escala, para que também eles possam colher benefícios.
  
Espera-se que a produção pesqueira mundial de pesca de captura e de aquacultura atinja um novo recorde em 2013, com 160 milhões de toneladas, contra as 157 milhões de toneladas no ano anterior, enquanto as exportações atingirão os 136 mil milhões de dólares, de acordo com dados preliminares divulgados em vésperas da reunião do Subcomité do Comércio Pesqueiro da FAO, que vai decorrer na próxima semana em Bergen (Noruega).
  
"Os números recorde do comércio refletem o forte crescimento da produção aquícola e os preços elevados de uma série de espécies, como o salmão e o camarão", explicou Audun Lem, Responsável pelo Serviço de Produtos, Comércio e Comercialização da FAO. "Isto tem também como base a forte procura pelos produtos da pesca no mercado mundial."
 
Espera-se que a produção aquícola atinja cerca de 67 milhões de toneladas em 2012 e as projeções para 2013 sugerem que os aquicultores tenham produzido 70 milhões de toneladas, o que representa 44 por cento da produção total de pescado e 49 por cento do pescado para consumo humano direto.
  
"A percentagem da produção pesqueira que é comercializada internacionalmente é significativa, cerca de 37 por cento em 2013", afirmou Lem. "Isso faz com que o setor pesqueiro seja uma das indústrias alimentares do mundo mais globalizadas e dinâmicas."
  
Apoiar os pescadores artesanais
  
Os países em desenvolvimento continuam a desempenhar um papel importante no abastecimento dos mercados globais, representando 61 por cento do total das exportações de peixe e 54 por cento do valor em 2012. As suas receitas de exportação líquidas (exportações menos importações) atingiram os 35.3 mil milhões de dólares, acima do valor das exportações de um conjunto de outros produtos agrícolas, incluindo o arroz, a carne, o leite, o açúcar e a banana.
  
Mas os benefícios do comércio internacional nem sempre chegam às comunidades de pescadores de pequena escala, embora os pescadores e aquicultores artesanais constituam cerca de 90 por cento da força de trabalho no setor, segundo a FAO.
  
A Organização das Nações Unidas apela aos países para que ajudem os pescadores de pequena escala e os trabalhadores do sector das pescas, cerca de metade dos quais são mulheres, a superar uma série de constrangimentos, incluindo a falta de poder de negociação e de acesso ao crédito, as dificuldades em cumprir as normas de acesso ao mercado e as infraestruturas de comercialização inadequadas, de modo que eles possam ter acesso aos mercados locais, globais e, especialmente, regionais.
  
"Há grandes oportunidades nos mercados regionais já que, neste momento, as economias emergentes, como o México, o Brasil, a Indonésia e a Malásia, querem mais pescado e procuram a oferta vinda dos seus países vizinhos", afirmou Lem. "Ao mesmo tempo, essa crescente procura promove novos investimentos na produção da aquicultura local, incluindo em África."
  
De acordo com a FAO, os países têm de disponibilizar aos pequenos aquicultores o acesso ao financiamento, a seguros e a informações sobre mercados, investir em infraestruturas, fortalecer as organizações de produtores e de comerciantes de pequena escala, e garantir que as políticas nacionais não negligenciam ou enfraquecem este sector.
  
Usos dos subprodutos
  
À medida que se processa uma maior quantidade de pescado para exportação, existem também mais subprodutos, como cabeças, vísceras e espinhas, que são potencialmente valiosos caso sejam transformados em produtos para o consumo humano.
  
"Temos de garantir que esses produtos não são desperdiçados, do ponto de vista económico, mas também nutricional", sublinhou Lem. "Os subprodutos do pescado têm muitas vezes um valor nutricional mais elevado do que o próprio peixe, especialmente em termos de ácidos gordos essenciais, vitaminas e minerais, e podem ser uma excelente maneira de combater as deficiências em micronutrientes nos países em desenvolvimento."
 
Lem explicou que estão a surgir novos mercados para os subprodutos, indicando a crescente procura por cabeças de peixe em alguns mercados da Ásia e da África, ao mesmo tempo que é possível utilizar as cabeças e as espinhas para responder à crescente procura global por óleo de peixe e por suplementos minerais.
  
Segundo a FAO, há também um grande potencial na transformação dos subprodutos em farinha e óleo de peixe para a alimentação na aquacultura e pecuária, contribuindo indiretamente para a segurança alimentar. Isso permitiria que algum do pescado inteiro utilizado neste momento na produção de farinha e de óleo de peixe seja utilizado para o consumo humano direto.