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Primeiros seis países africanos beneficiam do fundo fiduciário africano

O Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana vai apoiar os esforços em curso de erradicação da fome e de redução da má nutrição e da pobreza

Foto:©FAO/IFAD/WFP/Petterik Wiggers
Criar resiliência a longo prazo é uma das prioridades do Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana.

Tunísia, 28 de marco de 2014 – Um fundo fiduciário inovador, liderado por África e que visa melhorar a segurança alimentar no continente, tornou-se uma realidade para os seis primeiros países que vão beneficiar desta iniciativa.

A República Centro-Africana, a Etiópia, o Malawi, o Mali, o Níger e o Sudão do Sul assinaram acordos na Tunísia com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para receberem 2 milhões dólares cada um do Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana.

"O Fundo de Solidariedade Africana mostra que os países africanos estão dispostos a fortalecer os laços com os seus vizinhos e a trabalhar em conjunto para construir uma região com segurança alimentar sustentável, em prol do futuro que queremos", afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.

Os acordos foram assinados durante a Conferência Regional da FAO para África. Durante a cerimónia, Graziano da Silva encorajou outros países africanos a juntarem-se aos esforços e a contribuírem para este fundo.

As contribuições destinam-se a apoiar uma grande variedade de projetos com vista a melhorar a segurança alimentar, a nutrição, a agricultura e o desenvolvimento rural. Estes vão incluir políticas e programas para promover as oportunidades de emprego para os jovens; melhorar a gestão dos recursos naturais e a qualidade da produção alimentar; aumentar a capacidade de resiliência dos meios de subsistência em áreas afetadas por conflitos; e aumentar rapidamente a disponibilidade de alimentos nutritivos através de programas como as transferências de rendimentos, a alimentação escolar e as hortas escolares.

O fundo fiduciário, sediado na FAO, foi proposto pela primeira vez em 2012 pelo Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, durante a última Conferência Regional para a África, em Brazzaville.

O Fundo foi lançado oficialmente em junho de 2013 com um donativo de 30 milhões de dólares da Guiné Equatorial. Fundos adicionais doados por Angola e por um grupo da sociedade civil da República do Congo resultaram num valor total de 40 milhões de dólares. Os Camarões também já acordaram em realizar uma contribuição e espera-se que outros países sigam este exemplo nos próximos meses.

"Graças às contribuições iniciais do Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana, a vontade política para acabar com a fome na região pode ser transformada em ações concretas", afirmou Bukar Tijani, Adjunto do Diretor-Geral e Representante da FAO para a África. "Isto vai fortalecer a cooperação da FAO com os governos africanos e com outros parceiros, para melhor coordenar os esforços em curso e ajudar as famílias vulneráveis ​​a melhorar as suas condições de vidas."

Principais eixos dos projetos


Os 2 milhões de dólares destinados a cada país vão apoiar projetos que incluem:

  • República Centro-Africana: reforçar a capacidade de resiliência dos meios de subsistência das comunidades rurais afetadas pelo conflito, nomeadamente através do apoio à diversificação da produção e do desenvolvimento de serviços financeiros agrícolas;
  • Etiópia: melhorar os meios de subsistência e reduzir a pobreza através da diversificação económica e da promoção de oportunidades de trabalho digno para as comunidades rurais;
  • Malawi: implementar abordagens integradas para reforçar a resiliência das comunidades vulneráveis ​​às variações climáticas num dos distritos mais afetados do Malawi;
  • Mali: promover as oportunidades de emprego para jovens nas zonas rurais, homens e mulheres, por exemplo, através das Escolas profissionais agrícolas e de vida da FAO para jovens agricultores, com o objetivo de aumentar a sua formação em agronegócio;
  • Níger: apoiar a iniciativa "3N" (Nigeriens Nourish Nigeriens). Melhorar a nutrição, apoiar a gestão dos recursos naturais e aumentar o acesso aos serviços financeiros e de proteção social;
  • Sudão do Sul: disponibilizar informação, equipamentos, sementes e serviços pecuários para proteger e restaurar os meios de subsistência.

A FAO vai prestar assistência técnica para a implementação dos projetos em colaboração com os parceiros.