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FAO e OMS apelam por forte compromisso político para enfrentar a desnutrição em conferência internacional de alto nível

Países são chamados à ação na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), em Roma, no próximo mês de novembro

Foto: ©FAO/Christena Dowsett
Um dos objetivos da ICN2 é fornecer a base científica para que sejam elaboradas políticas de nutrição que promovam, ao mesmo tempo, a segurança alimentar e a saúde

Roma, 12 de junho de 2014 - Enquanto centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo ainda continuam a sofrer com a fome e a desnutrição, os governos devem assumir compromissos mais contundentes de modo a garantir dietas mais saudáveis ​​para todos, afirmaram hoje (12) os diretores da FAO e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para tanto, a FAO e a OMS estão co-organizando, com o apoio da ONU e de outros organismos internacionais, a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), reunião intergovernamental global a ser realizada em Roma, entre 19 e 21 de novembro, com o tema "Uma nutrição melhor, uma vida melhor" (Better nutrition, better lives).

Desde a primeira conferência em 1992, “foram registrados avanços importantes na luta contra a fome e a desnutrição, mas esse progresso tem sido insuficiente e desigual", afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.

Mais de 840 milhões de pessoas estão cronicamente subnutridas, e a proporção de subnutridos reduziu apenas 17% desde o início da década de 90. A desnutrição é responsável por cerca de metade de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos de idade, perfazendo mais de três milhões de mortes a cada ano.

Enquanto isso, várias formas de desnutrição muitas vezes se sobrepõem e podem coexistir dentro do mesmo país e até mesmo dentro da mesma família. Cerca de 160 milhões de crianças menores de cinco anos têm baixa estatura para a idade ou estão cronicamente desnutridas, enquanto que mais de dois mil milhões de pessoas sofrem de uma ou mais deficiências de micronutrientes. Ao mesmo tempo, 500 milhões  de pessoas são consideradas obesas.

"Um dos objetivos da [conferência] ICN2 é fornecer a base científica para que sejam elaboradas políticas de nutrição  que promovam, ao mesmo tempo, a segurança alimentar e a saúde", ressaltou a Diretora-Geral da OMS, Margaret Chan, numa mensagem de vídeo exibida durante a conferência de imprensa.

Chan assinalou ainda que uma das principais questões a ser abordada pelos participantes da ICN2 é: “Porque é que a desnutrição grave e a obesidade podem coexistir no mesmo país e na mesma comunidade?"

A Diretora-Geral da OMS também destacou a necessidade de considerar as implicações para a saúde e para o meio ambiente de uma outra recente tendência – “o rápido aumento na procura por carne e outros produtos de origem animal, que coincide com o aumento dos níveis de rendimento”.

A nutrição como uma questão pública

"A nutrição continua a ser um urgente e premente desafio - abordar a nutrição é uma tarefa complexa", disse Graziano da Silva, "A nutrição é uma questão pública, que possui impactos sobre a segurança alimentar e a saúde", acrescentou.

O elevado preço da desnutrição

Graziano da Silva salientou os custos sociais e económicos da desnutrição para a sociedade. "As estimativas indicam que a desnutrição ocasiona uma perda de até 5% dos rendimentos globais por ano, em termos de perda de produtividade e despesas governamentais com saúde. Chega-se, com isso, a um valor estimado de 3,5 biliões de dólares – ou 500 dólares por cada pessoa do planeta – um elevado custo, uma enorme quantia a ser paga".

Os esforços para melhorar a segurança alimentar e a nutrição continuam a ser dificultados por uma série de fatores ligados à governação, como o baixo compromisso político, a fragilidade das instituições, e a falta de coordenação e participação adequada dos atores envolvidos neste tema, afirmaram a FAO e a OMS.

Entre outros desafios importantes, está também a volatidade dos preços internacionais dos alimentos, que é agravada pelo aumento da dependência dos mercados mundiais e da importação de alimentos, pela baixa produtividade agrícola acentuada pela mudança do clima, pelas perdas pós-colheita e pelo desperdício de alimentos.

A nutrição exige ação coletiva

Sublinhando que os governos são responsáveis ​​pelo bem-estar nutricional dos seus cidadãos, e que são, portanto, chamados a liderar os esforços em prol da nutrição, Graziano da Silva afirmou que a ação coletiva também exige a participação dos parlamentos, universidades, setor privado e organizações da sociedade civil.

"Assim, os atores não-estatais têm um papel muito importante a desempenhar no contexto de ICN2, não só para construir um consenso, mas também para ajudar a implementar a linha de ação (Framework for Action) que a conferência deverá aprovar", indicou o Diretor- Geral da FAO.

A ICN2 vai procurar desenvolver os resultados obtidos na primeira conferência internacional ocorrida há 22 anos e noutros eventos sobre o tema, ao mesmo tempo que se somará a outras iniciativas atuais, como o Desafio Fome Zero (Zero Hunger Challenge) liderado pelo Secretário-Geral da ONU, o debate sobre a agenda de desenvolvimento pós-2015 e a EXPO Milão de 2015.

Durante a ICN2,  deverão ser aprovadas uma declaração política sobre nutrição e uma linha de ação para assegurar a implementação efetiva dos compromissos assumidos nesta reunião de alto nível.

Chefes de Estado e de governo, outros dignitários e líderes foram convidados para a conferência de alto nível. O Papa Francisco já confirmou sua participação.