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Países alcançam compromisso importante sobre as políticas de combate à malnutrição no mundo

O Diretor-Geral da FAO aplaude o acordo sobre a Declaração e o Plano de Ação a serem adotados na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição.

Roma, 12 de outubro de 2014 – Alcançando um marco importante na luta contra a malnutrição global, vários países chegaram hoje a um consenso sobre políticas destinadas a assegurar que as pessoas em todo o mundo tenham acesso a uma alimentação mais saudável.

Após uma série de intensas negociações, representantes dos países membros da FAO e da Organização Mundial de Saúde (OMS) alcançaram um consenso sobre uma Declaração política e um Plano Voluntário de Ação, que inclui mais de 50 recomendações.

"O acordo sobre o Plano envia um poderoso sinal ao mundo: os países membros estão realmente empenhados no tema da nutrição", afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, ao comentar o acordo.

A Declaração e o Plano de Ação serão aprovados na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), que se realizará em Roma de 19 a 21 novembro de 2014. Esta reunião intergovernamental de alto nível está a ser organizada conjuntamente pela FAO e pela OMS.

"A ICN2 pode desempenhar um papel fundamental na promoção da segurança alimentar e nutricional", assegurou o Diretor-Geral da FAO.

Graziano da Silva citou dados recentes da FAO que indicam que cerca de 805 milhões de pessoas no mundo passam fome e que metade da população mundial é afetada por algum tipo de malnutrição.

No texto da Declaração aprovado, os países "reconhecem que a malnutrição em todas as suas formas, incluindo a desnutrição, as deficiências de micronutrientes, o sobrepeso e a obesidade, não só afeta a saúde das pessoas e o seu bem-estar... como também acarreta elevadas consequências sociais e económicos negativas aos indivíduos, famílias, comunidades e Estados."

Além disso, comprometem-se a erradicar a fome e a prevenir todas as formas de malnutrição em todo o mundo e em aumentar os investimentos para intervenções e ações efetivas que melhorarem a alimentação e a nutrição das pessoas.

A Declaração afirma que "a pobreza, o subdesenvolvimento e o baixo nível socioeconómico são os principais contribuintes para a malnutrição, tanto nas áreas rurais, como urbanas."


A responsabilidade principal para combater malnutrição recai sobre os governos

No Plano de Ação, os países membros reconhecem que "como os governos têm a responsabilidade principal na adoção de medidas a nível nacional, em diálogo com uma as diversas partes interessadas, incluindo as comunidades afetadas, as recomendações são sobretudo dirigidas aos líderes governamentais."

As recomendações incluem o desenvolvimento e a implementação de planos e políticas nacionais para melhorar a nutrição, bem como o aumento dos investimentos relacionados, incluindo a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD).

Isso também requer a melhoria da produção agrícola sustentável de forma a garantir a segurança alimentar e que as pessoas tenham acesso a uma alimentação saudável.

Desde a primeira Conferência Internacional sobre Nutrição em 1992, foram feitos avanços importantes na luta contra a fome e a malnutrição, mas este progresso tem sido insuficiente e desigual.

A malnutrição é responsável por cerca de metade de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos de idade, provocando mais de três milhões de mortes todos os anos.

Ao mesmo tempo, as diversas formas de malnutrição muitas vezes sobrepõem-se e podem coexistir dentro do mesmo país e até dentro da mesma família. Cerca de 160 milhões de crianças com menos de cinco anos têm baixa estatura para a idade ou são cronicamente desnutridas, enquanto mais de dois mil milhões de pessoas sofrem de uma ou mais deficiências em micronutrientes. Ao mesmo tempo, 500 milhões de pessoas são obesas.

Espera-se que a ICN2 conte com a presença de Chefes de Estado e de Governo e de outros dignatários e líderes. O Papa Francisco já confirmou a sua participação.

Foto: ©FAO/Christena Dowsett
A malnutrição acarreta uma pesada carga para as famílias e comunidades.

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