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ONU pede políticas a favor da agricultura familiar

Ban Ki-moon e José Graziano da Silva apelam por um compromisso mundial para com o Ano Internacional da Agricultura Familiar

Foto: ©FAO/Giampiero Diana
A agricultura familiar representa mais de 90 por cento do total das explorações agrícolas, segundo um estudo recente em 93 países.

Budapeste/Roma, 5 de março de 2014 – O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon e o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, pediram hoje aos governos que aumentem o apoio aos pequenos agricultores familiares de todo o mundo com o objetivo de ganhar a luta contra a fome.


Ban ressaltou que o Ano Internacional da Agricultura Familiar, que se celebra em 2014, é um apelo para por compromissos. A mensagem foi também transmitida por Graziano no Fórum Mundial e na Expo sobre Agricultura Familiar que acontece em Budapeste.


“Os governos podem emponderar os agricultores familiares, especialmente as mulheres e os jovens, mediante políticas que propiciem um desenvolvimento rural equitativo e sustentável. Isso inclui uma melhor infraestrutura para reduzir a quantidade de alimentos que se perdem depois da colheita, quando os pequenos produtores não têm capacidade para armazenar, processar e transportar os seus produtos”, afirmou Ban Ki-moon.


O secretário-geral da ONU disse também que o financiamento público e privado deve proporcionar serviços financeiros vitais, como o crédito e os seguros.


Ban advertiu que os agricultores familiares de pequena escala estão particularmente vulneráveis aos impactos climáticos, como as condições meteorológicas extremas, as secas e as inundações.


Políticas favoráveis à agricultura familiar


Durante o discurso no Fórum, José Graziano reafirmou as palavras do secretário-geral para que os governos adotem políticas explicitamente a favor da agricultura familiar.


Sublinhou que os agricultores familiares, os pescadores, as pessoas que dependem da floresta, os pastores e as comunidades tradicionais e indígenas são fundamentais para a segurança alimentar na maioria dos países mas, ao mesmo tempo, estão entre as populações mais vulneráveis ​​do mundo.

Segundo o diretor-geral, um estudo recente em 93 países mostra que a agricultura familiar representa mais de 90 por cento do total das explorações agrícolas, indicou Graziano no fórum.

Os agricultores familiares também gerem a maioria dos terrenos agrícolas do mundo, incluindo 63 por cento na Europa.

"Além de produzirem uma grande parte dos alimentos que comemos, os agricultores familiares são, de longe, a maior fonte de emprego no mundo", sublinhou o diretor-geral, acrescentando que são também os guardiões da biodiversidade agrícola do mundo e dos recursos naturais.


A ameaça do abarcamento de terras


O diretor-geral da FAO chamou a atenção para a importância de proteger os agricultores familiares das crescentes ameaças ao seu acesso tradicional à terra, como a insegurança e o abarcamento de terras.


As diretrizes voluntárias sobre a governança responsável da posse da terra, aprovadas pelo Comité de Segurança Alimentar Mundial, assim como os Princípios sobre Investimentos Agrícolas Responsáveis – atualmente em fase de negociação – são de grande importância para manter as ameaças sob controlo.


“Existem grandes investimentos do setor privado na agricultura e estes vão continuar, quer queiramos, quer não”, explicou José Graziano. “Sendo assim, é muito importante que haja um entendimento comum sobre como investir em formas que sejam sustentáveis e protejam os direitos dos agricultores familiares e as comunidades pobres”.


Embaixadores especiais


A secretária-geral da Associação de Agricultores da Ásia, Esther Penunia, o presidente da zona sul da seção artesanal da Federação Nacional de Pesca de Mauritânia, Mohamed Ould Saleck e o presidente da Associação Europeia de Agricultores, Gerd Sonnleitner, aceitaram formalmente durante o Fórum de hoje serem nomeados como Embaixadores Especiais da FAO para a Agricultura Familiar.


Juntam-se assim a outros embaixadores especiais já nomeados: Ibrahima Coulibaly, presidente da Coordenação Nacional de Organizações Campesinas do Mali e Mirna Cunningham, ex-presidente do Fórum Permanente para as Questões Indígenas das Nações Unidas.