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FAO in Portugal

Conclusões do Fórum Internacional Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis

30/07/2019

A alimentação sustentável esteve em debate no FISAS - Fórum Internacional Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis, encontro que teve lugar de 17 a 21 de Julho, em Idanha-a-Nova a primeira Bio-Região portuguesa. Durante 5 dias, estiveram representados 15 países, provenientes de 4 continentes, com uma preocupação comum: mudar comportamentos alimentares, formas de produção e hábitos de consumo que nos permitam chegar a um futuro equilibrado e sustentável.

Em 2015, as Nações Unidas aprovaram uma agenda comum universal, definindo 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a visão de erradicar a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos e proteger o meio ambiente até 2030.

Hoje, são várias as evidências do risco da não realização destes Objetivos, e em concreto o do ODS 2 (Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição). O relatório anual das Nações Unidas sobre “O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo” (SOFI), de 2019, indica que o número de pessoas a passar fome aumentou nos últimos 4 anos (cerca de 820 milhões de pessoas) ao mesmo tempo que a obesidade e as doenças relacionadas com a má alimentação têm-se tornado numa epidemia mundial, afetando inclusive crianças em idade escolar (cerca de 830 milhões de pessoas). Além disso, uma em cada 4 pessoas encontra-se em insegurança alimentar, condição que afeta mais fortemente as mulheres.

Durante o Fórum Internacional Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis (FISAS), os representantes dos governos, da sociedade civil, do setor privado, do poder local e das universidades e instituições de investigação presentes, reconheceram os avanços já obtidos no âmbito da Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP, nomeadamente os acordos na “Carta de Lisboa” (2018) sobre agricultura familiar e desenvolvimento sustentável, acentuaram a necessidade da aplicação prática destes compromissos, que se tornam tanto mais urgentes quanto mais se sentem os impactos das alterações climáticas e os efeitos sobre a saúde pública decorrentes da má nutrição.

O FISAS contou com a participação do Diretor-Geral da FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, José Graziano da Silva, de Ministros da Agricultura e representantes de Ministros da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, entre eles Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural de Portugal, representantes da sociedade civil, do poder local, de universidades e de instituições de investigação, agricultores e consumidores.

A epidemia de obesidade, a desnutrição e mudanças imperativas de hábitos de produção e consumo foram preocupações comuns a todos, tendo ficado bem vincado o compromisso de implementação de políticas articuladas entre os territórios representados, com vista a uma alteração urgente de paradigma.

Coerência, coordenação e alinhamento; Abordagem territorial; Participação social e governança; e foco na agroecologia foram considerados fundamentais na promoção de programas que visem sistemas alimentares territoriais sustentáveis e dietas saudáveis.

José Graziano da Silva, agraciado no decorrer do FISAS com a Medalha de Honra da Agricultura de Portugal, defendeu claramente que “não mudaremos os sistemas alimentares com tecnologia. No lugar disso, precisamos fazer mudanças nas leis e na área da investigação” e acrescenta “A Revolução Verde foi capaz de prevenir a fome na década de 1970, mas atingiu seus limites e é hora de implementar diferentes modelos para combater a crescente fome e a obesidade que o mundo sofre”.