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FAO in Portugal

Sistemas alimentares do futuro devem fornecer dietas saudáveis e sustentáveis

12/06/2019

Na abertura do simpósio internacional “O Futuro da Alimentação” – “The Future of Food”, que decorreu nos dias 10 e 11 de junho em Roma, o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, falou sobre a necessidade dos sistemas alimentares do futuro garantirem alimentos saudáveis ​​e de qualidade para todos, preservando o meio ambiente.

No simpósio que reuniu académicos, pesquisadores, formuladores de políticas, representantes da sociedade civil e do setor privado, parlamentares e órgãos governamentais, Graziano da Silva apelou à transformação dos sistemas alimentares para uma melhorar alimentação. “Precisamos de alterar o nosso foco de produção de maiores quantidades de alimentos para uma produção de maiores quantidades de alimentos saudáveis”, afirmou o Diretor-Geral da FAO. De facto, a fome já não é único grande problema nutricional que a humanidade enfrenta.

Atualmente, mais de 2 bilhões de adultos com 18 anos ou mais estão acima do peso, dos quais mais de 670 milhões são obesos. O aumento da prevalência de obesidade entre 2000 e 2016 foi mais acelerado do que o excesso de peso em todas as faixas etárias e 2 bilhões de pessoas sofrem atualmente de deficiências de micronutrientes. Estima-se que o número de pessoas obesas no mundo em breve ultrapassará o número de pessoas que sofrem de fome.

São vários os fatores para potenciam a pandemia global de obesidade e deficiência de micronutrientes, como a rápida urbanização e o consumo de alimentos processados e ultraprocessados, que contêm ingredientes artificiais com altos níveis de gorduras saturadas, açúcares refinados, sal e aditivos químicos.

 

Melhorar as dietas das pessoas

O Diretor-Geral da FAO apresentou quatro medidas que poderiam melhorar a dieta das pessoas.

Em primeiro lugar, os países devem implementar políticas públicas com promovam a proteção das dietas saudáveis ​​e incentivem o setor privado a produzir alimentos mais saudáveis, como por exemplo os impostos sobre produtos alimentícios não saudáveis, a rotulagem dos alimentos e as restrições à publicidade de alimentos, especialmente para crianças.

Em segundo lugar, os governos devem promover o consumo de alimentos locais e frescos, promovendo os circuitos locais de produção e consumo.

Em terceiro lugar, os acordos de comércio internacional devem ser pensados para influenciar positivamente os sistemas alimentares saudáveis uma vez que os alimentos ultraprocessados tendem a ser mais lucrativos.

“Em quarto lugar, a transformação dos sistemas alimentares começa com solos saudáveis, sementes saudáveis ​​e práticas agrícolas sustentáveis. Todo o sistema alimentar precisa de ser reutilizado”, afirmou Graziano da Silva.

Destacou ainda a necessidade de cultivar alimentos de forma a preservar o meio ambiente e afirmou que o modelo agrícola que resultou da Revolução Verde já não é sustentável, uma vez que os sistemas agrícolas com altos insumos e recursos intensivos aumentaram a produção de alimentos, mas com impactos muito grandes no meio ambiente, gerando a desflorestação, escassez de água, esgotamento do solo e níveis elevados de emissões de gases com efeito de estufa. Graziano da Silva elogiou o papel da academia na transformação necessária para os nossos sistemas alimentares.

 

Mais sobre o simpósio

O simpósio “O Futuro da Alimentação” incluiu painéis de discussão sobre temas específicos: investigação, lacunas de conhecimento e necessidades de sistemas alimentares sustentáveis ​​e dietas saudáveis; governança de sistemas alimentares para dietas saudáveis; construção de confiança do consumidor nos sistemas alimentares; e quais os passos para transformar os sistemas alimentares.

O programa completo pode ser encontrado aqui.