Países do Caribe preparam projetos de mobilização de “fundos verdes”
Novo fundo do México e da FAO apoiará países do Caribe a criar iniciativas de grande impacto para melhorar sua resiliência às mudanças climáticas.
14 de junho de 2018, Santiago do Chile - Quatorze países da Comunidade de Estados do Caribe (CARICOM) irão elaborar vários projetos para mobilizar recursos de fontes internacionais que lhes permitam melhorar a resiliência e a adaptação de sua agricultura, sistemas alimentares e comunidades rurais às mudanças climáticas.
Os projetos serão possíveis graças a um novo fundo criado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID).
José Graziano da Silva, Diretor Geral da FAO, e Luis Videgaray, Secretário de Relações Exteriores do México assinaram hoje em Roma o acordo que cria o fundo, que terá um orçamento inicial de US $ 500 mil, contribuído em partes iguais (USD 250 mil cada).
Esse capital será usado como um recurso de pré-investimento que permitirá mobilizar milhões de dólares para projetos de resiliência e adaptação.
"Graças ao apoio da Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, 14 países da CARICOM elaborarão 27 projetos para mobilizar recursos contra as mudanças climáticas", explicou José Graziano da Silva.
"Todos sabemos que o Caribe é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. Vimos isso na última temporada de furacões, onde a ilha de Dominica e Barbuda foram praticamente destruídas ", disse Videgaray durante a assinatura (ver vídeo).
Os países que desenvolverão os projetos são: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Saint Kitts e Nevis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Suriname e Trinidad e Tobago.
Dez dos projetos caribenhos serão apresentados ao Fundo Verde para o Clima, doze ao Fundo Global para o Meio Ambiente e cinco para vários mecanismos da União Europeia. O foco dos projetos é comunidades rurais em situação de pobreza e vulnerabilidade climática.
Troca entre especialistas para melhorar a institucionalidade
O fundo entre o México e a FAO também apoiará os países da CARICOM no desenvolvimento de suas capacidades institucionais e técnicas de planejamento, tomada de decisões e gerenciamento de projetos que lhes permitam enfrentar de melhor forma os desastres naturais e os eventos climáticos extremos.
Por essa razão, especialistas mexicanos e da FAO trabalharão lado a lado com as contrapartes caribenhos na elaboração e implementação dos projetos.
"O fundo é uma combinação de recursos financeiros e recursos humanos", explicou Videgaray.
Construir resiliência é o trabalho de todos
Construir resiliência requer a melhoria da qualidade da infraestrutura, com ações como a correção e o reforço de canais fluviais e da rede de cabos subterrâneos de instalações elétricas.
Mas esses são investimentos caros e os países do Caribe nem sempre têm o capital necessário para implementá-los.
"É aí que entram os fundos internacionais que esta iniciativa do México e da FAO permitirá conseguir. Os recursos estão lá, mas muitas vezes os países caribenhos não podem acessá-los porque seus projetos não estão devidamente preparados tecnicamente ", explicou Videgaray.
O secretário de Relações Exteriores do México explicou que o fundo assinado entre a FAO e o México é um acordo aberto a outros países.
"Já temos a boa notícia de que o governo do Canadá irá unir-se aportando recursos. E é importante que isso aconteça porque o desafio é enorme. Temos de reconhecer que o Caribe não está gerando as mudanças climáticas, mas que é uma das regiões mais afetadas, então todos nós temos a responsabilidade de contribuir ", explicou Videgaray.
