Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Cartilha sistematiza nove experiências de transição agroecológica na Colômbia

Projeto Semeando Capacidades promoveu evento de socialização da cartilha e do documento com descrições e práticas desenvolvidas sobre o tema.

Bogotá, 30 de agosto de 2021 - Cerca de 200 pessoas participaram do evento virtual ´Transições agroecológicas: práticas e experiências´, promovido pelo projeto de cooperação sul-sul trilateral Semeando Capacidades. Durante o evento, foram apresentados os documentos que reúnem as experiências de nove iniciativas de transição agroecológica na Colômbia e dois sistemas tradicionais. Acesse aqui.

O projeto Semeando Capacidades é implementado na Colômbia e no Brasil, em conjunto, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (MAPA) e da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia (MADR); e integra as ações do projeto regional América Latina e Caribe sem Fome 2025.

Rafael Dias, em representação do MAPA, apresentou as linhas gerais do projeto Semeando Capacidades e a agenda do evento. O componente 2 do projeto trata do tema da Agroecologia, onde foram desenvolvidos cursos de capacitação, diretrizes políticas sobre o tema e a documentação de práticas e experiências em transição agroecológica, entre outros.

Na abertura, a analista de projetos do ABC/MRE, Carolina Smid, destacou a importância da questão da agricultura familiar nas agendas dos governos do Brasil e da Colômbia. A analista comentou sobre o grande desafio de desenvolver o projeto Semeando Capacidades durante a pandemia, mas que um bom trabalho foi realizado com metodologias e ferramentas apropriadas e que servirão de ´lições´ para futuras cooperações. Por sua vez, Joaquín Salgado, representante do MADR, destacou a complexidade das transições dos sistemas convencionais para os agroecológicos, mas destacou que as experiências sistematizadas dão exemplos de como começar, quais são os desafios e a importância das trocas de experiências.

Transições agroecológicas

Ana García, da FAO Colômbia, apresentou o tema 'Abordagem agroecológica para alcançar a transformação dos sistemas alimentares' e os aspectos gerais da cartilha produzida no âmbito do projeto, onde foram documentadas nove experiências no caminho da transição agroecológica, a partir de uma dimensão multidimensional. García comentou que esta iniciativa do projeto é uma contribuição aos esforços de sistematizar as experiências agroecológicas na Colômbia que representam as linhas de ação essenciais nos processos de reconversão e/ou transição.

As experiências correspondem a: Associação dos Produtores Orgânicos La Tulpa, Associação dos Produtores Indígenas de San Antonio de Palmito (ASPROINPAL); Fazenda Agroecológica Pura Vida; Projeto Montanhas Vivas; Fundação ProSierra; Associação de Mulheres Camponesas de Piñalito (ASOMUCAPI); Conselho Comunitário de Río Valle; Corporação Agroecológica Tierra Libre; e Associação de Produtores Camponeses do Leste de Antioquia (ASOCAMPO). Além disso, o projeto preparou um documento com a descrição dessas nove experiências baseadas em: origem do processo; estratégias para a transição agroecológica; comercialização de produtos agroecológicos, relacionamento e compartilhamento de conhecimento; e as lições aprendidas.

Experiências da Colômbia e do Brasil: rumo à transição

Iván Naranjo, da associação ASOCAMPO, da Colômbia, apresentou as práticas de captação e armazenamento de água da chuva e preparação de fertilizantes orgânicos e biopreparados para regenerar e proteger o solo. Já Rubén García, da SWISSAID, apresentou as práticas de recuperação, conservação e uso da agrobiodiversidade; e restauração ecológica e sistemas agroflorestais, no marco do projeto colombiano Montañas Vivas. Jair Naranjo, da Corporação Agroecológica Tierra Libre, da Colômbia, apresentou a prática do planejamento agrícola.

Do Brasil, Luciana Lucena apresentou a experiência SPG Bem Viver que promove a troca de experiências e a valorização do conhecimento local e a abordagem de gênero e juventude. Outra experiência brasileira foi apresentada por Nazaré Reis, da Rede Bragantina de Economia Solidaria, que promove o desenvolvimento de circuitos circulares e de economia solidária.

Capacitação em agroecologia

Willi Molina, do Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA) da Colômbia, apresentou o curso 'Implementação de processos agroecológicos de transição', que foi elaborado como parte das atividades do projeto Semeando Capacidades. O curso busca fortalecer as capacidades técnicas dos participantes para compreender e incorporar o enfoque agroecológico na formulação e na implementação de políticas e projetos de desenvolvimento rural, e entender as potencialidades oferecidas pela agroecologia para a transição para sistemas agroalimentares justos e sustentáveis.

No encerramento da atividade, o coordenador do projeto América Latina e Caribe sem Fome, Ronaldo Ferraz, parabenizou a todos pela iniciativa da elaboração da cartilha que reúne experiências interessantes e que as práticas registradas “demonstram o compromisso dos agricultores com a sua saúde, a do meio ambiente e do consumidores de seus produtos com uma agricultura mais sustentável”. Ferraz aproveitou para destacar a experiência documentada na cartilha da Fundação Prosierra, apoiada pelo projeto de cooperação +Algodão, que permitiu a colheita da primeira tonelada de algodão orgânico nativo produzido na Colômbia, em Sierra Nevada de Santa Marta. Além disso, destacou que essa prática (experiência) demonstra a sinergia entre os projetos de cooperação sul-sul trilateral para complementar e potencializar seus resultados.

Finalizando, Camilo Ardila Galvis, coordenador do projeto Semeando Capacidades, destacou que no evento foi possível perceber o caráter multidimensional e intersetorial da agroecologia, por meio da abordagem de diversos temas como bioinsumos, água, gênero, juventude e comercialização. “Fica claro como a agroecologia se constitui como um compromisso integral com o desenvolvimento sustentável”.