Países da América Latina e Caribe buscam soluções para a má nutrição durante a II Conferencia Internacional sobre Nutrição CIN2
Autoridades de alto nível de toda a região participarão da CIN2 na Sede da FAO em Roma para analisar os principais desafios e soluções da má nutrição, fome e obesidade.
Santiago do Chile, 18 de novembro de 2014 – A obesidade afeta a 23% dos adultos da América Latina e Caribe, enquanto que 37 milhões de pessoas ainda vivem com fome. Para buscar soluções conjuntas a estas duas caras da má nutrição, os governos da região participarão da II Conferência Internacional sobre Nutrição - CIN2, de 19 a 21 de novembro, na sede da FAO em Roma.
A CIN2 é uma conferência intergovernamental de alto nível que visa centrar a atenção na má nutrição em todas as suas formas: subalimentação, deficiências de micronutrientes, sobrepeso e obesidade. Será o primeiro fórum mundial que aborda estes problemas no século XXI.
“Mundialmente, cerca de 805 milhões de pessoas vivem com fome, 2 milhões sofrem de carências de micronutrientes e mais de 500 milhões são obesos. Ter tantas pessoas com fome e má nutridas no século XXI é inaceitável. A CIN2 busca encontrar uma resposta comum e orquestrada para estes enormes desafios”, explicou Eve Crowley, Representante Regional Adjunta da FAO para a América Latina e Caribe.
Entre os principais representantes da região que estarão presentes no evento estão a Primeira Dama do Peru, Nadine Heredia; a Vice-Presidenta da República da Guatemala, Roxana Baldetti; a Ministra do Desenvolvimento Rural da Bolívia, Nemesia Achacollo; o Ministro da Saúde do Brasil, Arthur Chioro; o Ministro de Agricultura do Paraguai, Jorge Gattini; a Vice-Ministra de Desenvolvimento Social do Panamá, Zulema Sucre; e o Secretário de Agricultura do México, Enrique Martínez, entre outros.
“A região da América Latina e Caribe foi a única região do mundo que alcançou antecipadamente a meta da fome dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, fruto do compromisso político regional, e é chave que os países compartilhem suas experiências com o mundo para enfrentar os desafios de nutrição do século XXI”, disse Eve Crowley.
A dupla carga da má nutrição na América Latina e no Caribe
Ainda que a região tenha se convertido como um exemplo para o resto do mundo, adotando de maneira pioneira a Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome 2025, a fome ainda afeta a 6,1% da população regional, enquanto que 7,1 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica.
A anemia por deficiência de ferro constitui o problema nutricional mais relevante, afeta 44,5% das crianças e 22,5% das mulheres em idade fértil.
A outra cara da má nutrição – o sobrepeso e a obesidade – se converteram em problemas crescentes para muitos países, afetando tanto as crianças como os adultos. São 3,8 milhões de crianças menores de cinco anos que sofrem de sobrepeso.
O mundo adotará um firme compromisso contra a má nutrição
Durante a conferência, os países adotarão dois documentos principais para construir seu compromisso contra má nutrição: a Declaração de Roma sobre a Nutrição e Marco de Ação.
A Declaração de Roma sobre a Nutrição é um documento político que busca responder às questões e desafios atuais relacionados com a nutrição. Reafirma os compromissos estabelecidos durante a primeira Conferência Internacional sobre Nutrição, de 1992, e compromete os países a erradicar a fome e prevenir toda a forma de má nutrição no mundo, particularmente a desnutrição infantil, a anemia nas mulheres e nas crianças, entre outras carências de micronutrientes, e inverter a tendência à obesidade.
A Declaração de Roma sobre a Nutrição obriga os países a adotar dez medidas para transformar os compromissos em ação sobre nutrição.
O Marco de Ação oferece um conjunto de opções de política e de estratégias voluntárias para que os governos, em cooperação com outras partes interessadas, as utilizem para cumprir os compromissos da Declaração de Roma sobre a Nutrição. O marco fornece uma lista de 60 recomendações de políticas e estratégias que podem ser incorporadas nos planos nacionais de nutrição, saúde, agricultura, desenvolvimento e investimento para uma melhor nutrição de todos.
