Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Países da América Latina e Caribe reiteram decisão de luta contra a fome

A FAO vai seguir apoiando os países na erradicação da fome, promover o desenvolvimento rural, fomentar o uso sustentável dos recursos naturais e a adaptação às mudanças climáticas

Cidade do México, 3 de março de 2016 – Erradicar a fome, fomentar o uso sustentável dos recursos naturais, a adaptação às mudanças climáticas e a gestão de riscos, e fortalecer o desenvolvimento rural e a agricultura familiar são as três prioridades que os governos da América Latina e Caribe assinalaram para a FAO, durante a Conferência Regional realizada na Cidade do México.

Os governos da região acordaram medidas para dar uma resposta as 34 milhões de pessoas que ainda sofrem com a fome na região.

“A América Latina e o Caribe propôs acabar com a fome e a desnutrição em menos de dez anos e FAO trabalhará em estreita colaboração com os países para alcançar essa meta”, disse José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO.

Nos próximos dois anos a FAO vai implementar uma iniciativa focada em apoiar as principais estratégias de segurança alimentar na região, como a Iniciativa América Latina e Caribe e o Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da CELAC.

“Os países foram muito claros: a prioridade regional é erradicar a fome até o ano de 2025,e  a FAO vai dedicar todos seus esforços para tornar esse sonho uma realidade”, disse Graziano da Silva.

Uma resposta integral às mudanças climáticas

Em resposta ao mandato dos países, a FAO vai desenvolver uma iniciativa regional prioritária que fomentará o uso sustentável dos recursos naturais, a adaptação às mudanças climáticas e a gestão de risco de desastres.

Essa iniciava vai dedicar especial atenção ao Corredor Seco da América Central, onde milhões de pessoas viram a sua segurança alimentar afetada.

“No ano passado, a seca do Corredor Seco era um fenômeno cíclico associado ao El Niño. Atualmente, a mudança climática vem causando secas mais irregulares, prolongadas e imprevisíveis”, explicou Graziano da Silva.

Os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, muitos dos quais estão localizados no Caribe, também solicitaram um apoio imediato, já que para eles as mudanças climáticas representam a maior urgência.

Graziano da Silva pediu aos países para ratificar o chamado acordo internacional Estado Reitor do Porto, que busca combater a pesca ilegal. A expectativa é que mais tres países ratifiquem esse acordo durante para que ele entre em vigor.

“Esse tratado pode ser uma poderosa ferramenta para fomentar o desenvolvimento sustentável, e representa uma urgência de primeira necessidade para os Pequenos Estados Insulares”, explicou.

Deter o auge da obesidade

Durante a Conferência, a FAO assinou dois acordos, um com a OPAS e outro com o Consumers International que visam a luta contra o aumento da obesidade e o sobrepeso na região.

De acordo com dados da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), 56% dos adultos na América Latina e 44% no Caribe vivem com sobrepeso.

Para enfrentar essa situação, a FAO e a OPAS assinaram um convenio para fortalecer as políticas regionais de erradicação da má-nutrição e implementar as recomendações da Conferência Internacional sobre Nutrição (CIN2) e a nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável.

A FAO também firmou um acordo com o Consumers International, que tem como objetivo, conforme expressou o diretor-geral “converter o ato de consumir e comprar em um ato de cidadania consciente, que considere desde os aspectos relativos à saúde e a nutrição, até os impactos ambientais”.

Desencadear o potencial rural

A pobreza segue afetando a 47% dos habitantes das zonas rurais da região, uma taxa que duplica compara as áreas urbanas.

Em resposta a solicitação dos países, a FAO vai implementar uma iniciativa centralizada em promover a agricultura familiar, os sistemas alimentares inclusivos e o desenvolvimento rural sustentável.

Essa iniciativa facilitará o acesso dos agricultores familiares a ativos, serviços financeiros e não financeiros, fortalecendo as organizações de produtores.

Além disso, articulará as políticas de proteção social com os programas produtivos, estimulando as compras públicas da agricultura familiar, os circuitos curtos de produção e a melhora dos sistemas públicos de abastecimento.

Para evitar os ciclos de empobrecimento devido às crises, essa iniciativa vai trabalhar para melhorar a resiliência das famílias rurais diante dos choques e emergências.

México e Peru unem seus esforços com a FAO para acabar com a fome

Durante a Conferência, a FAO assinou dois acordos com os governos do México e do Peru para fortalecer os desafios como sócios estratégicos na luta contra fome.

Entre as diversas áreas que abordam esses acordos, se destaca o trabalho conjunto com a FAO em temas de cooperação sul-sul.

Graziano da Silva destacou que tanto o México, como o Peru mostram um progresso importante, pois já deixaram de ser somente beneficiários da cooperação internacional para se converterem em doadores de cooperação por meio de suas experiências exitosas.

“México e Peru são agora sócios estratégicos da FAO na promoção de sistemas agroalimentares sustentáveis e na erradicação da fome e da pobreza”, ressaltou Graziano da Silva.