Diretor-Geral da FAO: a segurança alimentar e a crise migratória

Graziano da Silva salienta as ligações entre o conflito, a ameaça aos meios de subsistência rurais e a migração

24 de setembro 2015, Roma – Os milhões de pessoas que se veem obrigadas a fugir da guerra, da pobreza e de outras dificuldades, recordam-nos de forma trágica a necessidade de se aplicarem soluções pacificas baseadas na justiça social e no aumento das oportunidade económicas para todos. A chave para alcançar este objetivo é através da proteção e investimento nos meios de subsistência rurais, afirmou hoje o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.

“O desenvolvimento rural e a segurança alimentar são fundamentais para a resposta global à crise de refugiados. A guerra provoca fome e a fome, por sua vez, mata e força as pessoas a saírem das suas casas,” disse.

“Quer vivam em campos de refugiados ou se encontrem em fuga, as pessoas estão numa situação particularmente vulnerável. O mundo deve dar uma resposta abrangente que ofereça esperança e soluções concretas aos refugiados, e tais soluções têm de considerar a segurança alimentar presente e futura, e ainda a reabilitação dos meios de subsistência rurais”.

“Apoiar os meios de subsistência agrícola pode ajudar as pessoas a permanecerem nas suas terras, quando se sentem seguras, e a criar condições para o regresso dos refugiados, migrantes e deslocados”, acrescentou Graziano da Silva.

“A maioria dos deslocados esperam poder recuperar as suas terras assim que o conflito termine, porém os seus impactos na segurança alimentar continuam muito após o fim da violência,” afirmou.

A agricultura continua a ser fundamental como meio de subsistência para a maioria das pessoas em situação de conflito e pós-conflito.

Neste contexto, a FAO concentra a sua intervenção na proteção dos meios de subsistência agrícolas durante o conflito, criando condições para a reabilitação e a resiliência da agricultura a longo prazo, como estratégia crucial para o regresso da paz, redução da pobreza e desenvolvimento global dos países em situação de crise.

Na Síria, por exemplo, o conflito está a ter um impacto devastador sobre a agricultura, com fortes consequências nos mercados e nas cadeias de abastecimento de alimentos, a maioria dos sistemas de irrigação e outras infraestruturas destruídos e os agricultores e criadores de gado que não têm outra opção que não seja abandonar os campos e os animais. E aqueles que ficam não têm acesso a mercados, sementes, fertilizantes e outros factores de produção. Ao mesmo tempo, o afluxo de refugiados Sírios está também afetar a agricultura nos países vizinhos.

A FAO trabalha em conjunto com os seus parceiros para melhorar a segurança alimentar e fortalecer a resiliência das famílias e comunidades na Síria e nos países vizinhos. Estes esforços procuram a salvaguardar os meios de subsistência e, ao mesmo tempo, ajudar as comunidades a criarem bases para a sua própria recuperação a longo prazo.

Concretamente, a FAO está a dar prioridade às famílias mais vulneráveis, ajudando-as a melhorar o acesso aos alimentos, a nutrição e os rendimentos.

Isto envolve a distribuição de sementes aos agricultores Sírios para poderem produzir cereais suficientes para alimentar as suas famílias; programas de cash-for-work (comida por trabalho); campanhas de vacinação e cuidados veterinários no Iraque, Jordânia, Líbano e Síria, com vista a preservar a saúde animal e das fontes vitais de nutrição; e ainda a distribuição de material específico para produção em hortas domésticas, dando aos deslocados e às famílias anfitriãs os meios para produzirem alimentos ricos em nutrientes, tais como ovos, leite e vegetais.

Photo: ©FAO/Khalid Al Omar
Na Síria os agricultores e criadores de gado não têm outra opção que não seja abandonar os campos e os animais.