A introdução deste manual contém fluxogramas sobre avaliação de mananciais de peixes (Fig. 1.3.0.1) e sobre a organização do manual (Fig. 1.8.1). O pricipiante em estudos de avaliação de mananciais pode, porém, ter tido dificuldades com a exacta interpretação de partes destas figuras. Este capítulo oferece um resumo dos metodos, de forma semelhante à apresentada na introdução, mas agora assume-se que o leitor está mais familiarizado com a teoria apresentada nos capítulos precedentes.
O nível de precisão de mananciais de peixes aumenta com a disponibilidade de dados, que está geralmente correlacionada positivamente com o desenvolvimento da pescaria. No caso de mananciais não explorados, as avaliações têm que ser feitas com base em princípios ecológicos gerais, ou com cruzeiros de investigação. Mal se inicia uma exploração, a própia pescaria pode fornecer os dados necessários à aplicação de avaliações mais sofisticadas. Numa pescaria bastante desenvolvida uma grande porção do manancial é desembarcada e, portanto, acessível a amostragens.
A metodologia da avaliação de mananciais de peixes e das projecções difere de acordo com o aumento da disponibilidade de dados. Enquanto avaliações preliminares podem ser baseadas em, por exemplo, relações entre produção primária e secundária, ou comparações entre áreas não exploradas e áreas exploradas com características ambientais semelhantes, a primeira avaliação propiamente dita é usualmente feita com dados de levantamentos feitos por cruzeiros de investigação. Avaliações de mananciais de peixes pelágicos e de peixes demersais podem ser feitas por métodos acústicos e por arrastos de fundo. Embora levantamentos com outros tipos de artes/aparelhos, tais como armadilhas, redes de emalhar e anzóis forneçam dados sobre taxas de captura, não podem ser usados directamente para estimações de mananciais porque a área coberta pela arte é desconhecida. O modelo holístico (Fig. 1.8.1B) mais frequentemente utilizado em avaliações de mananciais neste estado é o método da área varrida, que foi discutido na Capítulo 13.
Um nível intermediário de avaliação pode ser atingido quando se dispõe de uma série temporal de dados de capturas e esforços de uma pescaria em desenvolvimento. Tais dados podem ser usados em outros modelos holísticos, os chamados modelos de produção geral (Fig. 1.8.1B e Capítulo 9).
Uma vez que a pescaria tenha se desenvolvido e tenham sido implementados esquemas de amostragens biológicas, é possível aplicar modelos analíticos mais sofisticados, que podem ser divididos em duas grandes categorias, modelos baseados em idades e modelos baseados em comprimentos (Fig. 1.8.1A).
Em áreas onde é possível determinar a idade de um peixe a partir de otólitos ou outras partes duras, pode ser estabelecida uma chave idade-comprimento por ano, e ser utilizada para determinar idades de grandes amostras de frequências de comprimento das pescarias comerciais. Estes dados são então usados para determinar o número de peixes por coorte ou grupo de idade. Deste modo podem ser obtidas previsões razoavelmente fiáveis.
Em áreas onde a idade dos peixes não pode ser determinada por um processo rotineiro, a partir dos otólitos, etc. ou no caso de recursos que não tenham estruturas que permitam a leitura da idade, por exemplo crustáceos, as análises têm que ser feitas principalmente com base em frequências de comprimento. Enquanto as rotinas para a leitura de idades de espécies de peixes tropicais ainda estiverem em desenvolvimento, a maioria das avaliações na zona tropical irá depender da interpretação de frequências de comprimento.
Infelizmente, as frequências de comprimento são facilmente afectadas por erros causados pela selectividade da arte de pesca, migração e erros na amostragem, e isto complica mais ainda a avaliação de mananciais de espécies tropicais. Neste manual um grande espaço tem sido dedicado a análises de dados de frequências de comprimento. Isto não significa, no entanto, que os modelos usados sejam inteiramente baseados em comprimentos. Na maioria dos métodos apresentados, os dados de frequências de comprimento são utilizados para separar as presumíveis coortes, cada uma das quais é atribuida uma idade relativa. Os processos restantes são mais baseados em idades do que em comprimentos. Pode ser útil assinalar aqui que a determinação dos parâmetros de crescimento é apenas um passo intermediário na avaliação baseada em frequências de comprimento. O objectivo final é sempre determinar a quantidade de peixes por coorte e o nível da mortalidade por pesca, a que as coortes estão submetidas. Esta é a base para a projecção de futuras capturas e, portanto, a base para o futuro desenvolvimento ou o estabelecimento de medidas de regulamentação na pescaria.
O objetivo principal da avaliação de mananciais de recursos sob exploração é prever o que irá acontecer em termos de capturas futuras, níveis de biomassa (sustentabilidade) e rendimento da captura, se o nível do esforço de pesca permanecer o mesmo ou se for alterado de alguma forma.
A Fig. 14.1.1 é uma versão extendida da Fig. 1.3.0.1, fornecendo alguns exemplos para cada módulo. Mostra tanto os resultados finais da avaliação de mananciais de peixes, como a metodologia sugerida no presente manual para obter tais resultados. A metodologia pode ser dividida em duas partes: primeiro, a avaliação dos parâmetros vitais, e segundo, o uso destes parâmetros para prever futuras capturas e biomassas do manancial, sob várias hipóteses de desenvolvimento da pescaria.
A Fig. 14.1.1, no entanto, não contempla os aspectos não quantificáveis da avaliação de mananciais de peixes, como a subjectividade da interpretação e os erros dos dados. Quanto mais erros houver nos dados, mais subjectiva a interpretação. Se os dados fossem exactamente como o modelo assume, haveria mais objectividade, e quaisquer duas pessoas poderiam, de forma independente uma da outra, chegar aos mesmos resultados. Essencialmente, modelos no qual, dados históricos são analisados, assumem que as amostras são aleatórias, isto é, não viciadas.
Os erros podem ter várias causas. Algumas podem ser contornadas e outras são de difícil manipulação. Erros causados por programas de amostragem mal planeados e/ou executados devem ser de fácil eliminação, enquanto erros causados pela migração e selectividade da arte são de difícil manipulação. Geralmente a solução técnica para tais problemas de erros biológicos é a expansão e o ajuste do programa de amostragem, com base nas primeiras análises. No topo dos problemas práticos citados acima, existem os problemas estatísticos (teóricos) da amostragem. Por exemplo: “Quantos peixes devem ser amostrados para assegurar uma análise de Bhattacharya bem sucedida”. Provavelmente não existe uma solução precisa para este problema, mas é evidente que análises baseadas em frequências de comprimento necessitam uma grande quantidade de dados não viciados.
Os pré requisitos, para qualquer avaliação sensível de mananciais de peixes, são os dados biológicos sobre o recurso e os dados técnicos da pescaria. Existem dois tipos principais de dados, que em ordem de prioridade são:
Dados amostrados das capturas da pesca comercial
Dados de levantamentos com cruzeiros de investigação
Essencialmente, os estudos de avaliação de mananciais de recursos explorados podem ser feitos apenas com dados das pescarias comerciais. No caso de recursos não explorados, dados de cruzeiros de investigação são essenciais, e também podem ser muito úteis como suplemento aos dados das pescarias comerciais. Amostras de pescarias comerciais são usualmente mais baratas e mais fáceis de serem obtidas em grandes quantidades, do que dados de levantamentos com cruzeiros. Este é um aspecto que deve ser considerado na altura de planear o cruzeiro de investigação.
| ENTRADAS: | DADOS DA PESCARIA (+ PRESSUPOSTOS) (Dados de preferência por manancial ou espécie). Captura/esforço da capt. comercial total. Dados de frequências de comprimento ou idade, das pescarias comerciais ou levantamentos com cruzeiros de investigação. Dados biológicos (estado de maturação, peso/comprimento etc.) de levantamentos com cruzeiros de investigação e/ou de amostras das pescarias comerciais. Conhecimento da biologia geral da espécie (época de desova, migração, etc.) e da pescaria (área, arte, época) | |
| ↓ | ||
| PROCESSO: | Análise de dados históricos: Estimação de parâmetros de crescimento Análise da curva de captura Análise da pop. virtual ou de coortes Modelos de produção geral Método da área varrida (dados de cruzeiros de investigação | |
| RESULTADOS INTERMEDIÁRIOS: (usados como entrada para o próximo processo) | ESTIMAÇÕES DOS PARÂMETROS DA POPULAÇãO Parâmetros de cresc. de von Bertalanffy Relação peso-comprimento Mortalidade total Mortalidade por pesca e mortal. natural Tamanho do manancial (composição do manancial por comprimentos) | |
| ↓ | ||
| PROCESSO | Projecções das capturas: Modelo de capturas por recruta de Beverton e Holt Modelo de Thompson e Bell (para um único manancial ou pescarias mistas) Modelo de produção geral Método da área varrida combinado com um modelo do tipo Gulland | |
| ↓ | ||
| RESULTADOS FINAIS: | NíVEL ÓPTIMO DE PESCA (nível óptimo de mortalidade por pesca) CAPTURA OU RENDIMENTO MÁXIMO SUSTENTÁVEL e posição actual em relação ao óptimo | |
Fig. 14.1.1 Fluxograma geral da avaliação de mananciais de peixes (compare com a Fig. 1.3.0.1)
Os dois tipos de dados contêm essencialmente os seguintes elementos:
Dados de pescarias comerciais:
Captura total (por espécies, área e tipo de arte)
Esforço (por área e tipo de arte)
Frequências de comprimento (por espécie e sexo)
Frequências de idade (por espécie e sexo)
Dados biológicos (por exemplo estados de maturação, relação peso-comprimento
Dados sobre a arte (por exemplo tamanho da malha) e operações de pesca
Dados de levantamentos de cruzeiros:
Captura e esforço (por exemplo número capturado por hora por espécie)
Captura por unidade de área (para cálculo da área varrida)
Frequências de comprimento (por espécie e sexo)
Frequências por idade (por espécie e sexo)
Dados biológicos (por exemplo estados de maturação, relação peso-comprimento)
Dados sobre a arte de pesca (por exemplo tamanho da malha)
Alguns dados são fáceis de definir e registar, tais como o comprimento de um peixe e o número de peixes. Outros dados são de obtenção mais problemática, tais como a idade a partir da leitura de anéis diários. Finalmente, existem dados que são muito problemáticos para definir, tal como uma medida de esforço que é proporcional á mortalidade por pesca. (Tal tipo de problema pode, em certos casos, nunca ser solucionado e talvez o remédio seja procurar modelos alternativos, que necessitem de um tipo diferente de dados de entrada).
Não existe uma maneira sistemática de contornar o problema da definição dos dados e dos erros. A escolha de uma metodologia adequada é de certa forma uma questão de julgamento pessoal, combinado com a habilidade e experiência. Este manual pode parecer um tipo de livro de receitas com procedimentos predeterminados para cada caso, mas, infelizmente, não pode ser usado como tal. O mais importante suporte para quem trabalha com avaliação de mananciais de peixes é um profundo conhecimento da biologia do recurso vivo e do processo de exploração a que está submetido, o que é conseguido através de amostragens contínuas de tantos dados (relevantes) quanto possível, ano após ano. Uma série temporal longa, digamos várias décadas, de dados da pescaria pode conter dados que reflectem situações extremas, e assim permitir prever limites superiores e inferiores das capturas e tamanho do manancial.
Em alguns casos, somente uma parte da captura de um manancial é coberta pelo programa de amostragem. Isto ocorre, por exemplo, quando vários países exploram o mesmo recurso e não promovem o intercâmbio de dados, ou quando alguns países não recolhem dados. Nestes casos, as capturas, de uma forma ou de outra, devem ser ponderadas para corresponderem ao total. A ponderação poderia ser baseada em certos pressupostos, como, por exemplo, que o país B (que não colhe amostras) tem uma pescaria que corresponde a 20% do país A (que colhe amostras). Em tais casos é sempre melhor uma suposição qualificada que ignorar uma importante componente da captura do manancial.
Muitas vezes existem dúvidas sobre a definição do manancial. Se este for o caso, lembre-se que é melhor errar na junção de dois pequenos mananciais que fazer a avaliação considerando apenas parte de um manancial. Isto porque, mesmo quando dois mananciais forem juntos de forma indevida, as conclusões tiradas para os mananciais combinados, podem também ser correctas para cada manancial individualmente. Se por outro lado, um manancial está sendo explorado por mais de uma frota, digamos de diferentes países, e a mortalidade por pesca causada pela(s) outra(s) frota(s) não é levada em consideração nas avaliações, o efeito das medidas de gestão podem não ser os esperados. Por exemplo, um decréscimo no esforço de pesca de uma frota pode ser ofuscado pelo aumento na outra, então, a pressão de pesca total pode continuar a mesma e até aumentar e os previstos aumentos das capturas podem não ocorrer.
Informações sobre as pescarias podem incluir outros tipos de dados além dos tratados no presente manual. Tais dados podem ser relativos a aspectos económicos, sociológicos e ambientais. Embora um biólogo pesqueiro esteja concentrado nos aspectos biológicos/tecnológicos das pescarias, não deve ficar alheio aos progressos nestes outros campos da ciência. Isto aplica-se particularmente aos estudos bio-económicos, que actualmente desenvolvem-se rapidamente (ver Capítulo 8).
Um dos aspectos mais difíceis da avaliação de mananciais de peixes é decidir que métodos devem ser usados para analisar um conjunto particular de dados. Nesta secção uma série de conjuntos de dados são apresentados de maneira sistemática e agrupados em diferentes níveis de disponibilidade e qualidade. Estes conjuntos serão discutidos caso a caso.
A seguir são considerados cinco principais diferentes níveis de disponibilidade:
| Nível A: | Quando apenas dados de levantamentos de cruzeiros estão disponíveis |
| Nível B: | Quando apenas dados de capturas ou captura/esforço estão disponíveis |
| Nível C: | Quando apenas dados de frequências de comprimento estão disponíveis |
| Nível D: | Quando tanto dados de captura e esforço como dados de frequências de comprimento estão disponíveis (inclusive casos onde se dispõe de dados limitados de frequências de idade) |
| Nível E: | Quando todos os tipos de dados estão disponíveis, particularmente séries temporais de frequências de idade. |
O resumo inicia-se no nível mais baixo de disponibilidade de dados e move-se gradualmente para o nível mais alto. Dentro de cada nível principal, alguns casos são considerados, os quais são classificados com ajuda de uma pequena tabela onde a existência/inexistência de dados da pesca comercial e levantamentos de cruzeiros são indicados da seguinte maneira:
| - | : | Nenhum dado recolhido |
| única | : | Uma única ou poucas amostras recolhidas |
| Série temporal única | : | Uma série temporal para um ano foi. recolhida |
| Séries temporais múltiplas | : | Séries temporais para dois ou mais anos estão disponíveis |
Nível A: Somente dados de levantamentos de cruzeiros estão disponíveis
Caso A.1
| A.1 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | - | - | - | - |
| Cruzeiros de investigação | única | - | - | - |
Este caso e o seguinte podem ser aplicáveis a recursos até agora não explorados, ou recursos explorados que nunca tenham sido investigados. O caso A.1 trata de um manancial virgen. Usar o método da área varrida para a análise (ver Capítulo 13) e a fórmula de Gulland para previsões da captura potencial (ver Secção 9.2). O resultado deste exercício fornece apenas a ordem de magnitude da captura potencial sustentável (isto é: 100 toneladas ou 1000 toneladas ou 10.000 toneladas, etc.).
Caso A.2
| A.2 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | única | - | - | - |
| Cruzeiros de investigação | única | - | - | - |
Neste caso, o recurso não é um manancial virgem, porque já há uma pescaria comercial. Usar o método da área varrida (ver Capítulo 13) para a análise histórica, e a fórmula de Garcia et al. para previsão da captura (ver Secção 9.4).
Nível B: Somente dados de captura ou captura/esforço estão disponíveis
Com este tipo de dados somente os modelos de produção geral podem ser usados para prever a captura máxima sustentável. Os modelos são matematicamente muito simples, e, portanto, podem ser esperados grandes desvios nas estimações.
Caso B.1
| B.1 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | única | - | - | - |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
Este é o mais baixo nível de dados que permite algum tipo de avaliação em mananciais de peixes. O método sugerido é o mais simples possível - é tão simples que não foi mencionado anteriormente no manual. Previsões para os anos futuros igualam as capturas observadas. O esforço é difícil de usar, já que nada é conhecido com segurança sobre o estado de exploração do manancial. Se apenas a captura é conhecida (o esforço é desconhecido) para uma série de anos, usar a captura média para previsões. Uma verdadeira análise histórica não está envolvida aqui.
Caso B.2
| B.2 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temp. múltipla | - | - | - |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
Usar os modelos de produção geral (modelos de Schaefer ou Fox, ver Capítulo 9). Se os resultados dos métodos alternativos desviam-se substancialmente, seleccionar o resultado que dá o melhor ajuste dos dados. Se os dados não são por espécie, mas por grupos de espécies (família) o método ainda pode ser aplicado. Os modelos são aplicados para análises históricas, bem como para previsões. Se os dados são por área de pesca, na forma de taxas de captura por área, por exemplo, em áreas de recifes de coral, o modelo gráfico de Munro e Thompson pode ser usado (ver Secção 9.5).
Nível C: Apenas dados de frequências de comprimento estão disponíveis
A metodologia da análise de frequências de comprimento é baseada na suposição de que o recrutamento é sazonal com um, ou no máximo dois, picos por ano (ver Secção 1.6). Assumir que as amostras cobrem a inteira faixa de comprimentos. Geralmente, ocorrem problemas com as classes de comprimento menores devido à selectividade da arte e, algumas vezes, algumas classes de comprimento não constam das amostras devido ao comportamento migratório da espécie em questão.
A metodologia baseada em comprimentos depende do tempo de vida da espécie sob investigação. Naturalmente, é necessário apenas uma curta série de dados para estimar o crescimento de espécies com um período de vida curto. Por outro lado, são necessárias amostras frequentes (digamos mensais) para espécies com um período de vida curto como os camarões, enquanto para espécies de período de vida longo, como as pescadas, pode ser adequada uma amostra anual.
Como rotina, tentar várias formas de manipulação dos dados, ou seja, ver o que acontece, por exemplo, quando se dobra o tamanho da classe de comprimento ou o período de tempo (ver Secção 3.4.2). Amostras onde se evidenciam erros devem ser excluídas. Nos casos de migração devem ser utilizados apenas os dados separados por períodos de um ano (ver Secção 11.3.1). Existem muitas maneiras diferentes de combinação dos dados manipulados, portanto, não hesitar em tentar qualquer combinação sensível.
Cuidado com métodos que utilizam os computadores. Alguns programas fornecem resultados independentes do grau com que os dados se adequam ao modelo que está sendo utilizado. Escolher os métodos que avisam quando os dados estão em conflito com o modelo, ser crítico com os resultados, não aceitar, por exemplo, um ajuste da curva de crescimento a não ser que tenha sido feita uma análise de progressão modal com os dados originais.
Se o método de Bhattacharya ou outro similar não fornecer resultados convincentes, mesmo depois da possível manipulação de dados, então a única solução é tentar a leitura de idades através das partes duras.
Os casos do grupo C lidam com recursos em que, apenas agora, se iniciaram os estudos. No primeiro caso, o caso com maior limitação de dados (C.1), os dados não incluem capturas totais nem o esforço da pescaria comercial. Assim, não se dispõe de estimações da captura total, e todos os resultados de previsões, consequentemente, são relativos.
Caso C.1
| C.1 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | - | única | - | única |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
C.1 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar a análise de frequências de comprimento, por exemplo, ELEFAN I ou método de Bhattacharya (ver Secção 3.4.1) combinado com a (pseudo) análise de progressão modal (ver Secção 3.4.2), ou algum método mais sofisticado de máxima verosimilhança, para estimar os parâmetros de crescimento de uma única amostra, supondo que as componentes normalmente distribuídas correspondem a um ou dois recrutamentos por ano.
Taxas de mortalidade: Usar a curva de captura convertida para comprimentos para estimar Z (ver Secção 4.4.5), supondo o recrutamento e a mortalidade constante. Usar a fórmula de Pauly para M (Eq. 4.7.2.1) e estimar F subtraindo M de Z. Estimar L50% através da curva de captura e converter para a idade (t50%) (ver Secção 6.5).
C.1 Previsão de capturas
Usar o modelo de captura por recruta de Beverton e Holt (Secções 8.2 a 8.3). Usar t50% como a “idade fio de navalha”. Nos casos onde a relação peso-comprimento tem um expoente significativamente diferente de 3, ou em casos onde o Z não é constante depois do recrutamento concluído, usar o modelo de Thompson e Bell (ver Secções 8.6 a 8.7). Se a pescaria considerada é uma pescaria mista (a maioria das pescarias tropicais são-o) usar o método para pescarias mistas (ver Secção 10.4.2) para tantas espécies quantas sejam possíveis combinar. Sempre que possível, tentar fazer uma previsão das capturas para todas as frotas de uma só vez (ver Secção 10.4.3) e calcular o valor de todos as capturas combinadas (valor dos desembarques em peso).
C.1 Comentários
Teoricamente, este procedimento é possível quando se dispõe apenas de uma única amostra de frequências de comprimento. No entanto, os resultados estão sujeitos a erros desconhecidos e incertezas, e deve-se sempre prosseguir dando continuidade a mais investigações. A análise de frequências de comprimento pode ser duvidosa pois a pseudo progressão modal está baseada na suposição de que uma única amostra pode ser usada como uma estimação para toda a vida da espécie. Se a espécie é de vida curta (por exemplo, camarões) e, portanto, mostra somente um ou no máximo dois picos, o método pode não ser totalmente aplicável. No último caso a amostragem deve ser continuada de forma a obter-se uma série temporal (por exemplo, para cada mês do ano) antes de se iniciar a avaliação dos parâmetros de crescimento.
Caso C.2
| C.2 Dados | Captura/ Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | - | única | - | única |
| Cruzeiros de investigação | única | única | - | única |
C.2 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar a análise de frequências de comprimento para amostras combinadas de levantamentos de cruzeiros e da pescaria comercial como no caso C.1. Os dados de cruzeiros fornecem sempre uma melhor cobertura das classes de comprimento menores do que os dados da pescaria comercial.
Taxas de mortalidade: Usar a curva de captura convertida para comprimentos baseada nos dados de levantamento de cruzeiros para estimar Z, supondo um recrutamento constante. Assumir que os dados do cruzeiro representam melhor o manancial inteiro do que os dados da pescaria comercial, já que esta não é direccionada para a recolha de amostras aleatórias. Usar a fórmula de Pauly para M e estimar F subtraindo M de Z. Fazer uma análise de coortes baseada em comprimentos (ver Secção 5.3) e comparar a média de F para os grupos de idade totalmente explorados com a estimação obtida da análise da curva de captura. Estimar L50% da curva de captura e converter para idade (t50%).
C.2 Previsão de capturas
Caso estejam disponíveis estimações do tamanho do manancial (ou recrutamento absoluto), usar o modelo de Thompson e Bell. O modelo Y/R de Beverton e Holt pode ser usado se a matriz-F estimada assemelhar-se com o ajuste fio de navalha, e se o expoente na relação peso-comprimento não é significativamente diferente de 3. Em todos os outros casos é melhor usar o modelo de Thompson e Bell.
Nível D: Quando estão disponíveis dados de distribuição de comprimentos e dados de captura e esforço
Neste caso é possível ponderar as frequências de comprimento para a captura total obtida do manancial em questão. Assumir que todas as principais categorias de artes (frotas) foram amostradas, e foram ponderadas e somadas para representar a captura total obtida do manancial. Se somente parte da pescaria é coberta pelo programa de amostragem, a estimação da captura total deve ser ponderada de uma forma ou de outra, para corresponder a todas as capturas. No pior dos casos, terá que ser usado uma suposição qualificada sobre as capturas desconhecidas.
Caso D.1
| D.1 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | única | única | - | única |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
D.1 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar a análise de frequências de comprimento das amostras da pescaria comercial como no caso C.2.
Taxas de mortalidade: Usar a fórmula de Pauly para M e a análise de coortes convertida em comprimentos para estimar F e o tamanho do manancial por classe de comprimento. Notar que o número recrutado é também estimado.
D.1 Previsão das capturas
Usar o modelo de Thompson e Bell baseado em comprimentos. Usar o recrutamento estimado, para a análise de coortes, como dado de entrada para prever a captura absoluta e a biomassa do manancial. Usar o modelo de Thompson e Bell para avaliar o efeito das alterações no padrão de pesca. Observar que neste caso os parâmetros de selecção resultantes não são explicitamente estimados, eles estão embutidos na matriz-F por classe de comprimento.
Caso D.2
| D.2 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temporal simples | Série temporal simples | - | Série temporal simples |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
No caso D.2 há uma série temporal de um ano, por exemplo, amostras de frequências de comprimento para cada mês do ano, para todas as principais categorias de arte. No caso de espécies de ciclo de vida curto, a série temporal pode cobrir todo o ciclo de vida da espécie.
D.2 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar a análise de frequências de comprimento nas amostras da pescaria comercial. Neste caso é possível fazer uma análise de progressão modal completa para espécies de ciclo de vida curto, mas para espécies de ciclo de vida longo (ciclo de vida de dois ou mais anos) a progressão modal torna-se uma mistura de pseudo coortes e coortes reais.
Ser crítico com os resultados do ajuste da curva de crescimento. Se a série temporal contém partes com crescimento aparentemente negativo (ver Secção 11.2) ou período(s) com nenhum crescimento, a possibilidade de erro, nos dados, deve ser cuidadosamente considerada, e talvez deva ser procurada uma melhor forma de amostragem. Não ignorar as partes da série temporal que não mostram progressão modal e não usar somente aquelas partes que a mostram, a não ser que haja uma boa justificação racional para proceder assim. Estar atento aos erros causados pela migração, que podem aparecer como sazonalidades das taxas de crescimento, e que pode ser mais ou menos impossível separar os dois fenómenos.
Taxas de mortalidade: Semelhante a D.1. Utilizar como dados de entrada para a análise de coortes baseada em comprimentos, todas as amostras somadas ao longo do ano (adequadamente ponderadas). No caso de espécies de ciclo de vida curto é possível fazer uma análise de coortes baseada em idades, se, por exemplo, frequências de comprimento estiverem disponíveis para cada mês e tenham sido decompostas em componentes por grupo de idades.
É possível fazer uma análise de coortes baseada em idads ou uma VPA (ver Secção 5.1), usando os grupos de idade estimados pela análise de Bhattacharya como dados de entrada (ver Fig. 7.6.5).
D.2 Previsão das capturas
Igual a D.1. Para espécies de ciclo de vida curto o efeito de uma época de veda de pesca pode agora ser avaliado (ver Secção 8.6).
D.2 Comentários
Como toda a análise é baseada em dados de apenas um ano, os resultados devem ser considerados com reserva, pois não se sabe se o ano em questão é um ano excepcional ou próximo à média anual. Por exemplo, não existem informações sobre a variabilidade do recrutamento. É de maior importância saber se o recrutamento permanece a um nível estável ou se apresenta variações elevadas.
Uma vez que as amostras de frequências de comprimento tenham sido decompostas é possível usar somente métodos baseados em idades, que têm a vantagem de serem mais fáceis de se trabalhar, e os resultados mais fáceis de interpretar.
Caso D.3
| D.3 Dados | Captura/ Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temporal mútipla | Série temporal múltipla | - | Série temporal múltipla |
| Cruzeiros de investigação | - | - | - | - |
No caso D.3 há uma série temporal múltipla, por exemplo, amostras de frequências de comprimento por mês durante dez anos, para todas as principais categorias de artes. No caso de espécies de ciclo de vida curto a série temporal pode cobrir todo o ciclo de vida da espécie repetidamente e mesmo para espécies de ciclo de vida longo algumas coortes podem estar representadas durante todo o seu tempo de vida.
D. 3 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar a análise de frequências de comprimento em amostras da pescaria comercial. Neste caso é possível fazer uma análise de progressão modal completa tanto para espécies de ciclo de vida curto como para espécies de ciclo de vida longo.
Taxas de mortalidade: A composição por comprimentos média anual pode ser usada como entrada para a análise de coortes baseada em comprimentos, que deveria dar a mortalidade por pesca média e o tamanho do manancial para o período coberto. Pode-se também tentar uma análise de coortes baseada em idades, com grupos de idade decompostos pela análise de Bhattacharya. No último caso, o número recrutado será estimado para cada coorte e será obtido algum conhecimento da variabilidade do recrutamento.
D.3 Previsão das capturas
Usar o modelo baseado em comprimentos e/ou idades de Thompson e Bell, dependendo do(s) tipo(s) de análise de coortes realizada.
D.3 Comentários
Pode ainda haver problemas com a avaliação dos parâmetros de crescimento, porque podem estar faltando certas classes de comprimento devido, por exemplo, à selecção da arte e/ou migração. A pescaria comercial pode não cobrir a inteira área de distribuição do recurso, os barcos, por exemplo, podem não ser capazes de pescar a certas profundidades ou terem um raio de acção limitado.
Caso D.4
| D.4 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | - | Série temporal múltipla |
| Cruzeiros de investigação | Série temporal simples | Série temporal simples | - | Série temporal simples |
D.4 Análise histórica
Neste caso existem duas recolhas de dados independentes e podem ser usadas para verificação mútua, ou para esclarecer problemas de erros.
Parâmetros de crescimento: Caso se suspeite que os dados da pescaria comercial sejam bastante viciados, é necessário decidir por usar somente os dados do levantamento de cruzeiros para avaliação dos parâmetros de crescimento. Os dois tipos de dados podem também ser combinados. A falta de dados da pesca comercial pode ser preenchida com os dados do levantamento de cruzeiros.
Taxas de mortalidade: Usar a análise de coortes ou VPA. Se o cruzeiro fornecer uma estimação da biomassa pela área varrida, pode ser possível seleccionar uma mortalidade por pesca que dê um recrutamento que utilizado na análise de coortes forneça a mesma biomassa do manancial estimada pelo cruzeiro. Se isto não é possível, então tanto o programa de amostragem do cruzeiro como o da pesca comercial é viciado. Se ambos são viciados pode não ser possível chegar a um acordo entre os dois métodos. Z pode ser estimado pela análise da curva de capturas e comparado a M mais F médio estimado pela análise de coortes.
D.4 Previsão das capturas
Igual ao caso D.3
D.4 Comentário
Com os dados do caso D.4, não existe maneira de verificar as estimações dos parâmetros de crescimento através das frequências de comprimento.
Neste caso algumas leituras de idade estão disponíveis para poderem ser usadas na verificação dos resultados baseados na análise de frequências de comprimento.
Caso D.5
| D.5 Dados | Captura/Esforço | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | única | Série temporal múltipla |
| Cruzeiros de investigação | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | única | Série temporal múltipla |
D.5 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Usar o método dos mínimos quadrados para estimar parâmetros de crescimento a partir dos dados de idade/comprimento (ver Secção 3.3.4). Se os resultados dos dados de otólitos diferem dos resultados da análise de frequências de comprimento, conferir cuidadosamente as leituras dos otólitos, por exemplo, por comparação com outros biólogos. Se os resultados ainda diferem, usar os resultados dos otólitos em vez dos resultados baseados em comprimento, a não ser que haja razões suficientes para preferir os métodos baseados em comprimento. Isto pode ocorrer quando existem muitas dificuldades na leitura das partes duras e ao mesmo tempo a análise de frequências de comprimento apresenta uma boa progressão modal. Para algumas espécies pelágicas pequenas, foi provado que é muito difícil aplicar a análise de frequências de comprimento, e a única solução então parece ser a leitura das partes duras.
Tentar criar uma chave de idade/comprimento (ver Secção 3.2.1) e usar para converter frequências de comprimento em frequências de idade. Esta aproximação poderia substituir o método de Bhattacharya. No entanto, como chaves de idade/comprimento podem variar de ano para ano, os otólitos deveriam, ser colhidos e lidos numa base rotineira de forma que esta técnica possa ser aplicável.
Taxas de mortalidade: Semelhante ao caso D.4.
D.5 Previsão de capturas
Igual ao caso D.4.
D.5 Comentários
Alguns peixes tropicais depositam anéis anuais nos otólitos ou noutras partes duras, e para tais espécies deveriam-se colher otólitos de forma rotineira. Para muitas espécies tropicais, somente anéis diários são úteis para determinar a idade, tornando-se um trabalho bastante tedioso e caro. Os resultados da leitura de idade em anéis diários pode também depender do equipamento utilizado pois, em alguns casos, podem ser observados mais anéis quando se usa um microscópio eletrónico de varrimento do que um microscópio óptico (ver Morales-Nin, 1991).
Nível E: Todos os tipos de dados estão disponíveis
Este é o caso ideal, quando todos os dados que se possa pensar estão disponíveis. Esqueçer tudo sobre a curva de crescimento de von Bertalanffy, e não usar métodos baseados em comprimento. No entanto, frequências de comprimento podem ser usadas juntamente com uma chave de idade/comprimento, e também para estudos de selectividade da arte. Taxas de mortalidade e tamanhos do manancial devem ser estimados com métodos baseados em idade.
Se todos estes dados estão disponíveis vários métodos que não estão descritos no presente manual podem ser aplicados, tais como a “afinação” (tuning) da VPA e VPA multi-específica. “Afinação” da VPA significa que os resultados da VPA são comparados com observações independentes, assumidas como proporcionais aos resultados da VPA. Por exemplo, supor que o esforço é proporcional à mortalidade por pesca e que a captura por unidade de esforço (CPUE) de um cruzeiro de investigação é supostamente proporcional aos números no manancial estimado pela VPA. Para espécies pelágicas estimações obtidas por métodos acústicos podem ser úteis para a “afinação” da VPA.
Estes são os métodos utilizados no Atlântico Nordeste, onde o ICES (International Council for the Exploration of the Sea) é o corpo científico que fornece a assessoria aos gestores dos recursos pesqueiros.
Caso E.1
| E.1 Dados | Captura/ Esforco | Frequências de comprim. | Frequências de idade | Dados biológicos |
| Pescaria comercial | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla |
| Cruzeiros de investigação | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla | Série temporal múltipla |
E.1 Análise histórica
Parâmetros de crescimento: Não são de facto necessários. Os resultados da leitura de otólitos fornecem uma matriz peso por idade, que pode ser usada como entrada para o modelo de Thompson e Bell. Na verdade, qualquer curva de crescimento pode ser usada. (O crescimento de alguns peixes não se verifica exactamente conforme o modelo de crescimento de von Bertalanffy.)
Taxas de mortalidade: Usar a VPA. Se dados de conteúdos estomacais estão disponíveis então a predação pode ser estimada e a VPA multiespecifica aplicada. Se dados de esforço estão disponíveis então usar os métodos de “afinação” da VPA.
E.1 Previsão das capturas
Usar o modelo multiespecifico e de várias frotas de Thompson e Bell com todos os desembarques convertidos para rendimentos.
E.1 Comentários
Em alguns países com grandes pescarias é justificável organizar caros programas de amostragem de dados, enquanto para outros países com pequenos recursos pesqueiros pode ser difícil justificar grandes despesas na investigação pesqueira, considerando os rendimentos per capita. Por várias razões, o sonho dos investigadores das pescas de disporem de um número ideal de dados pode nunca se materializar. Isto pode não ser necessariamente negativo, quando visto do ponto de vista da sociedade do país como um todo. Neste caso o investigador terá que utilizar metodologias que exijam menores exigências.