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O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo e na CPLP em 2018

06/11/2018
O Relatório SOFI 2018  (Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, ou State of Food Security and Nutrition in the World, no título em inglês) informa que novas evidências continuam a sinalizar o crescimento da fome no mundo. Esta é uma inversão de tendência após um longo período de declínio: segundo os dados disponíveis, o número de pessoas que estão a passar fome cresceu nos últimos três anos, retornando a índices que já haviam sido superados há uma década. 
O número absoluto de pessoas mundo afetadas pela desnutrição, ou pela carência crónica de alimentos, aumentou de 804 milhões em 2016 para 821 milhões em 2017. A situação está a piorar na América do Sul e em quase todas as regiões da África. A redução da má nutrição que vinha ocorrendo na Ásia nos últimos anos também desacelerou significativamente. Sem maiores esforços, aumenta o risco de não alcançarmos o segundo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - Erradicar a fome. 
O crescente número de conflitos e de variações climáticas e eventos extremos foram apontados como os principais fatores para o aumento dos níveis de fome e desnutrição. O SOFI 2018 alarma principalmente para o fato de que o efeito acumulativo das alterações climáticas está a minar todas as dimensões da segurança alimentar e nutricional – a disponibilidade, o acesso, a utilização e a estabilidade dos alimentos. 
O Relatório, publicado conjuntamente pela FAO, FIDA, UNICEF, PMA e OMS, recomenda que ações sejam aceleradas e ampliadas de modo a fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação dos sistemas alimentares e dos meios de subsistência das populações em resposta aos eventos extremos e variações climáticas. As soluções exigem o aumento de parcerias e o financiamento de programas de grande escala que integrem a redução de riscos de desastres e a adaptação às alterações climáticas. O aumento da insegurança alimentar e os altos níveis de diversas formas de má nutrição são um claro aviso de que um esforço global será necessário e urgente para assegurar que “ninguém fique para trás”. 
 
O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional na CPLP
 
Nos países da CPLP, entre 2006 e 2017, os índices de desnutrição foram reduzidos significativamente em Angola (de 54.8% para 23.9% da população), em Moçambique (37% para 30.5%) e no Brasil (que apresentou índices inferiores a 2.5% em 2014, saindo do Mapa da Fome da FAO). Contaram também com reduções,  Timor Leste (31.3% para 27.2%) e Cabo Verde (14% para 12.3%). O percentual de habitantes desnutridos aumentou levemente na Guiné Bissau (passando de 24.6% para 26%) e em São Tomé e Príncipe (9.4% para 10.2%). Portugal manteve índices inferiores a 2.5% da população ao longo do período e não há dados disponíveis sobre a Guiné Equatorial.  
Diversos países da CPLP têm alta dependência em agricultura. Entre eles, o Relatório observou que em Angola, Moçambique e Guiné Bissau, a prevalência de má nutrição ocorreu concomitantemente a condições de seca extrema. Além da seca, Moçambique e Guiné Bissau sofreram também com tempestades e enchentes. 
O SOFI 2018 enfatizou que alguns países foram afetados por múltiplas formas de má nutrição. Por exemplo, Angola, Guiné Equatorial, Guiné Bissau e Moçambique apresentaram índices significativos de anemia entre mulheres em idade reprodutiva e crianças com atraso no desenvolvimento. 
Os índices de obesidade entre adultos continuam a crescer globalmente. Os países mais ricos da CPLP, Brasil e Portugal, são aqueles que apresentam os números mais expressivos: 22.3% e 23.2% dos seus adultos, respectivamente, estão obesos. Os dois países porém, não são os únicos: todos os demais países da Comunidade estão a sofrer duplamente com a desnutrição e crescentes índices de obesidade.