FAO no Brasil

Brasil fora do Mapa da Fome inspira visita de estudo de dez países da África e da Ásia

15/09/2025

Experiência brasileira em políticas públicas de alimentação e nutrição é referência internacional e será analisada por delegações estrangeiras durante missão técnica no Brasil. Representantes de governos de dez países da África e da Ásia estão no Brasil para explorar os fatores que permitiram ao país sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme divulgado em julho de 2025 no relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A missão técnica faz parte de uma visita de estudo internacional promovida pela UN-Nutrition e pela Coalizão de Ação por Dietas Saudáveis a partir de Sistemas Alimentares Sustentáveis para Crianças e Todos (HDSFS).

A delegação internacional chegou a Brasília nesta segunda-feira (15), onde participa de uma série de visitas técnicas e reuniões com autoridades brasileiras, com o objetivo de conhecer como o Brasil tem conseguido integrar a nutrição em suas políticas e programas setoriais. A missão também tem como foco a troca de experiências sobre abordagens multissetoriais eficazes, o papel da sociedade civil e a participação do setor privado na construção de um sistema alimentar mais saudável e sustentável.

A primeira parada da missão foi o escritório da FAO em Brasília, onde o grupo foi recebido pelo representante da organização no Brasil, Jorge Meza. Em sua fala, Meza destacou que o Brasil colocou o combate à fome como prioridade nacional e que o governo atua de forma coordenada para garantir o direito humano à alimentação.

“O Brasil sabe que estar fora do Mapa da Fome não é um ponto final. É uma conquista que exige dedicação e manutenção constante, com políticas públicas eficazes e alicerçadas na participação social”, afirmou Meza. “O país entende ainda que fome e pobreza são desafios globais e, por isso, busca alianças internacionais para apoiar outras nações no mesmo caminho.”

O representante da FAO listou quatro fatores centrais que ele considera que contribuem para o sucesso brasileiro:

  1. Liderança política. O Presidente da República tem colocado o tema de combate à fome como uma prioridade principal de sua gestão de Governo, promovendo que se constitua numa política de Estado.
  2. Coordenação intersetorial. O Brasil conta com a Câmara Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN), que articula políticas entre os ministérios do Desenvolvimento Social, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Educação, Cidades, Mulher, Povos Indígenas, entre outros, para articular as políticas públicas com um único objetivo de erradicar a fome do país.
  3. Recursos orçamentários garantidos. Segundo Meza, “não adianta ter vontade política sem orçamento”, reforçando que o financiamento interno, nacional, é aquele que fará as transformações necessárias.
  4. Engajamento da sociedade civil. Para isto, é necessário que a sociedade compartilhe a percepção que a fome é uma barreira ao desenvolvimento de toda a sociedade e não somente de um segmento da população que está em situação de vulnerabilidade. A participação ordenada da população se dá a través do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgão independente presidido por representantes da sociedade civil, e adscrito ao escritório da Presidência da República.

Meza ressaltou ainda que o Brasil mantém mecanismos de monitoramento e avaliação regulares para garantir a eficiência das ações implementadas. Apesar do avanço, alertou que novos desafios surgem, como o crescimento da obesidade no país. “Mais de 60% da população brasileira está acima do peso, o que exige investimentos em alimentação saudável desde a escola”, afirmou.

A missão internacional permanece em Brasília até esta quarta-feira (17), e segue para Fortaleza (CE), onde os participantes integrarão as delegações nacionais na Segunda Cúpula Global da Coalizão de Alimentação Escolar (SMC), nos dias 18 e 19 de setembro.

A visita de estudo será concluída com um seminário no dia 20, no qual cada participante irá elaborar um relatório de reflexão com os principais aprendizados da missão e um plano de ação preliminar para aplicar os conhecimentos adquiridos em seus países de origem.

Estão representados os seguintes países: Burundi, Camboja, República Democrática do Congo, Libéria, Madagascar, Nigéria, Paquistão, Serra Leoa, Zâmbia e Zimbábue.

Todos os países participantes são membros da Coalizão de Alimentação Escolar e comprometeram-se com a expansão de programas de alimentação nas escolas. A maioria também faz parte ou atua como parceira da Coalizão de Ação por Dietas Saudáveis, da qual o Brasil é membro ativo e integra o Comitê Diretor para os anos de 2025 e 2026.

UN-Nutrition
A UN-Nutrition é o mecanismo interagêncial da ONU responsável por coordenar e alinhar os esforços das agências da ONU na luta contra a fome e a desnutrição em escala global. A organização também apoia o Movimento SUN (Scaling Up Nutrition) e atua na influência de políticas públicas e programas nacionais de nutrição. Durante a reunião na FAO em Brasília, estiveram presentes a coordenadora sênior da UN-Nutrition, Anna Horner; a consultora sênior em Nutrição e Sistemas Alimentares da UN-Nutrition, Denise Coitinho; o ponto focal da Secretaria da Coalizão por Dietas Saudáveis, Stien Gjisel; a secretária do Movimento SUN, Francisca Gomez; e, a representante do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da Organização Mundial da Saúde (OMS), Lina Mahy. Também participou da reunião o assistente do representante da FAO no Brasil, Gustavo Chianca.