FAO no Brasil

COP30: Florestas impulsionam o sucesso agrícola, não o conflito, mostra relatório

20/11/2025

Liderado pela FAO, relatório afirma que proteger e restaurar florestas é crucial para fortalecer a agricultura resiliente ao clima, os meios de subsistência rurais e a segurança alimentar e hídrica global

Belém, Brasil – As florestas estão no centro das discussões da 30ª Conferência das Partes (COP30), realizada na cidade de Belém, na Amazônia brasileira. Mas pouco se fala sobre como as florestas fornecem um sistema vital de suporte para a agricultura. Promover sinergias entre ambos, portanto, é essencial para uma transformação sustentável dos sistemas agroalimentares diante das mudanças climáticas, segundo um relatório lançado nesta quarta-feira (19) na Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), no Brasil.

Publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Stockholm Environment Institute, a Conservation International e The Nature Conservancy, o relatório Climate and ecosystem service benefits of forests and trees for agriculture (Benefícios climáticos e de serviços ecossistêmicos das florestas e das árvores para a agricultura, em tradução livre para o português) destaca como os serviços, frequentemente ignorados, fornecidos pelas florestas e árvores podem fortalecer os sistemas agroalimentares. O relatório pede políticas, investimentos e melhor gestão para transformar essas evidências em ação.

A publicação reúne extensas pesquisas realizadas em diversas regiões do mundo para demonstrar como as florestas moderam temperaturas, sustentam as chuvas e regulam o ciclo da água, apoiando diretamente a produtividade agrícola, estabilizando climas locais e melhorando a saúde, a segurança e os meios de subsistência das comunidades rurais — evidenciando ainda as consequências do desmatamento para os sistemas agroalimentares globais.

“Florestas e árvores são frequentemente vistas como competindo com a agricultura pelo uso da terra ou como algo periférico, mas conservar e restaurar florestas é, na verdade, crucial para impulsionar a produtividade agrícola”, afirmou Zhimin Wu, diretor de Florestas da FAO.

Benefícios claros da conservação florestal

O relatório reforça que a perda de florestas tem efeitos imediatos e mensuráveis sobre o clima e a agricultura.

No Brasil, por exemplo, a conversão de florestas tropicais em áreas agrícolas reduziu a evapotranspiração — a transferência de água do solo para a atmosfera — em até 30%, elevando temperaturas locais e alterando padrões de chuva.

Um estudo recente mostra que a agricultura em 155 países depende de florestas transfronteiriças — que atravessam limites nacionais — para até 40% das chuvas anuais. O relatório destaca que proteger florestas não é apenas uma questão local, mas uma prioridade estratégica global para a estabilidade da produção de alimentos.

A publicação também enfatiza que as florestas protegem a saúde humana em um mundo cada vez mais quente. O desmatamento eleva a temperatura da superfície da terra, muitas vezes em vários graus nas regiões tropicais, criando microclimas mais quentes onde as pessoas vivem e trabalham.

O aumento de temperatura causado pela perda de florestas tropicais teria contribuído para cerca de 28 mil mortes por calor todos os anos entre 2001 e 2020, segundo estudo citado no relatório. Além disso, o aumento das temperaturas em áreas desmatadas entre 2003 e 2018 reduziu as horas seguras de trabalho ao ar livre para até 2,8 milhões de trabalhadores.

Por outro lado, os benefícios de resfriamento proporcionados por florestas em pé reduzem o estresse térmico para culturas agrícolas e comunidades rurais, protegendo a saúde e aumentando a produtividade dos trabalhadores rurais ao mitigar riscos relacionados ao calor.

Abordagens integradas

O relatório destaca que restaurar apenas metade das florestas tropicais perdidas no mundo poderia reduzir a temperatura da superfície terrestre em até 1°C, ajudando a restabelecer os ciclos da água e as funções de regulação climática das florestas e árvores — essenciais para a agricultura e a segurança hídrica.

O documento enfatiza a necessidade de abordagens integradas para fortalecer a resiliência climática e a segurança alimentar, ressaltando que florestas e árvores oferecem uma série de outros serviços vitais, como polinização, controle biológico de pragas, ciclagem de nutrientes e controle de erosão — todos fundamentais para aumentar a produtividade agrícola e manter a saúde dos ecossistemas.

Incorporar florestas e árvores nos sistemas agrícolas — como cortinas-verdes, áreas ripárias e fragmentos florestais — pode aumentar a resiliência à variabilidade climática e apoiar a produção agrícola, explica o relatório. Essas soluções compõem o conjunto de estratégias de adaptação e mitigação climática destacadas pela FAO na conferência.

Por fim, o relatório aponta a necessidade de promover a integração entre a conservação da biodiversidade, a proteção ambiental, a agricultura, a gestão de recursos hídricos e a saúde pública, e pede estratégias e políticas que reconheçam a estreita relação entre florestas e agricultura para garantir a prosperidade das comunidades agrícolas e a saúde dos ecossistemas dos quais dependem.


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