FAO, Brasil e especialistas internacionais discutem o futuro sustentável do algodão e as vantagens da certificação
Em comemoração ao Dia Mundial do Algodão, o projeto +Algodão promoveu um webinar com mais de 60 especialistas sobre certificação e sua importância para o acesso a mercados internacionais.
Santiago do Chile, 09 de outubro de 2024 – Para comemorar o Dia Mundial do Algodão 2024, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) promoveram o webinar "Modelos de Certificação: Caminhos para um Futuro Sustentável do Algodão", dia 8 de outubro, no âmbito do projeto +Algodão, do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO.
O evento reuniu mais de 60 especialistas do setor algodoeiro para discutir a importância das oportunidades de certificação e os benefícios para a competitividade do setor algodoeiro na região.
Em suas palavras de abertura, João Luiz Clementino, analista de projetos da ABC/MRE, destacou a relevância da comemoração do Dia Mundial do Algodão, sublinhando que essa fibra natural é fundamental para a economia global. Clementino ressaltou que uma abordagem mais responsável e sustentável na produção de algodão pode melhorar sua qualidade e facilitar o acesso a mercados internacionais. “O Brasil, hoje, é o maior produtor de algodão do mundo”, afirmou. O analista comentou que essa experiência bem-sucedida do país é compartilhada por meio da cooperação Sul-Sul com outros países.
Por sua vez, Ingrid Zabaleta Chaustre, assistente executiva do projeto +Algodão, lembrou que, desde que o dia 7 de outubro foi estabelecido como o Dia Mundial do Algodão, essa iniciativa de cooperação tem promovido espaços de reflexão sobre o futuro do setor. Zabaleta destacou que entre 80% e 85% da produção nos países parceiros do projeto corresponde à agricultura familiar. Sobre o tema do webinar – certificação – ela disse que é fundamental para acessar mercados internacionais e que existem oportunidades para fortalecer a produção algodoeira latino-americana com certificações, como o selo Better Cotton Initiative (BCI), que representa 22% do algodão produzido globalmente na safra 22/23, e certificações equivalentes, como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR).
Márcio Portocarrero, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), apresentou as experiências do Brasil na certificação da produção de algodão, destacando que o país é atualmente o líder mundial na exportação da fibra natural, com 4 milhões de toneladas projetadas para o próximo ano. Portocarrero ressaltou que a sustentabilidade e a qualidade são demandas crescentes do mercado, o que impulsionou o uso de tecnologias inovadoras, biotecnologia e o estabelecimento de programas de rastreabilidade para garantir a certificação. Segundo o diretor, o programa da Abrapa, que representa 99% da produção de algodão brasileira, tem sido um motor de transformação nos últimos 25 anos, promovendo melhorias em qualidade, sustentabilidade e acesso a mercados internacionais.
Natalia Pedraza, coordenadora do Sistema Moda da Colômbia Produtiva, entidade do Ministério de Comércio, Indústria e Turismo, compartilhou a experiência do processo de certificação do algodão colombiano, que está sendo realizado em quatro fases. Segundo Pedraza, atualmente a iniciativa está na fase de implementação de pilotos e espera-se que o setor algodoeiro colombiano avance rumo a uma produção mais sustentável e competitiva a nível internacional. A coordenadora comentou que “o Brasil tem sido uma inspiração” em termos de organização e certificação do algodão, além de contar com o apoio do projeto +Algodão na jornada rumo à sustentabilidade e rastreabilidade da produção na Colômbia.
Do Paraguai, Genaro Coronel, representante do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (SENAVE), compartilhou a experiência de seu país na implementação do Sistema Participativo de Garantia (SPG), projetado para facilitar a certificação de produtos orgânicos a menor custo, reduzindo a burocracia e promovendo a produção responsável e sustentável na agricultura familiar. Esse sistema se baseia na confiança e na participação mútua entre os atores do processo, criando redes locais de conhecimento e fortalecendo as relações entre produtores e consumidores.
O evento foi encerrado com uma reflexão conjunta sobre a necessidade de continuar promovendo a certificação como meio de melhorar a sustentabilidade e competitividade do algodão na América Latina, a fim de fortalecer sua presença nos mercados internacionais e garantir um futuro mais próspero para essa cadeia de valor na região.
